Esquerda Liberal (1985)

 

Designação assumida por um grupo de pensadores políticos portugueses oriundos da esquerda revolucionária, com destaque para João Carlos Espada e Pacheco Pereira, quando davam asas teóricas ao respectivo abandono do marxismo. Se uns invocavam Karl Popper, outros alargavam a respectiva visão através das metodologia de Max Weber.

O processo foi empreendido em plena pós-revolução antes da emergência do cavaquismo e quase todos eles tinham voltado à militância política integrados na campanha presidencial de Mário Soares.

Tal movimento surgiu depois de alguns membros da direita, impulsionados por Francisco Lucas Pires terem empreendido uma reflexão neoliberal, mais marcada pelas teorias de Hayek.

Desejosos de polémica apenas a conseguiram com um então apoiante da candidatura presidencial de Diogo Freitas do Amaral, o jovem jornalista Paulo Portas que episodicamente tinha aparecido nalgumas reuniões do grupo de Ofir.

●Na Primavera de 1985, surge a revista Risco, dirigida por membros do clube da esquerda liberal, dominados por antigos militantes da extrema-esquerda, onde se destaca o ex-militante da UDP e futuro intelectual neo-conservador e neo-congreganista, João Carlos Espada. É então feroz popperiano, antes de se assumir como o novo guru de filosofia política da Universidade Católica, pela via da sua ascensão no grupo da revista Análise Social e graças a fortes financiamentos norte-americanos.

●O grupo, onde também gravita José Pacheco Pereira, tratou de inventar uma direita liberal para polemizar e escolheu como representante desta alguém com quem os mesmos conviviam enquanto investigadores e colaboradores do Gabinete de Investigações Sociais e da revista Análise Social, uma espécie de estufa de desmarxização, onde outrora se transformara o corporativismo em progressismo cristão. Começava assim a desenhar-se mais uma das linhas da direita que convinha à esquerda e vice-versa, numa espécie de Bloco Central mental, onde o estilo de sacristia superava a resistência da maçonaria simbólica e da direita tradicional, onde Adérito Sedas Nunes vencia António Sérgio e a União de Interesses Económicos afastava em definitivo os irrequietos integralistas.

 

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 03-05-2007