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Partido Republicano (1876)

 

A proclamação da República em Espanha em 12 de Fevereiro de 1873 teve imediatas reacções em Portugal e logo em 16 de Fevereiro um grupo de republicanos portugueses, constituído por Oliveira Marreca, Gilberto Rola, Bernardino Pinheiro, Sousa Brandão, Elias Garcia e José Fontana, promovia uma reunião em casa de Manuel Tomás Lisboa.

Eleição do directório. 1876

Em 3 de Abril de 1876 é eleito um directório do Partido Republicano, com 33 membros. Nasceu sob o impulso da implantação da república em Espanha, em Fevereiro de 1873. A eleição foi precedida pela reunião comemorativa da vitória eleitoral dos republicanos franceses, em casa do milionário Mendes Monteiro, na Rua do Alecrim, ocorrida a 25 de Março anterior. É nessa altura que Rodrigues de Freitas adere aos republicanos.

O primeiro centro eleitoral. 1876

O primeiro Centro Eleitoral Republicano-Democrático será inaugurado no dia 20 de Julho seguinte. Entre os participantes, António de Oliveira Marreca, Latino Coelho, Bernardino Pinheiro, Francisco Maria de Sousa brandão, Gilberto António Rola, João Bonança, José Carrilho Videira, José Elias Garcia, José Jacinto Nunes, Zófimo Consiglieri Pedroso.

Centros republicanos em Coimbra e no Porto. 1878

Já durante o governo de Fontes, surgem centros republicanos no Porto, com Alexandre Braga, Sampaio Bruno e Rodrigues de Freitas, e em Coimbra, com Manuel Emídio Garcia e Feio Terenas.

Eleição de Rodrigues de Freitas. 1878

O labor tem frutos com as primeiras candidaturas republicanas nas eleições de 13 de Novembro de 1878, onde é eleito, pelo Porto, Rodrigues de Freitas pelo Porto nas eleições de 13 de Novembro de 1878. Contudo, os governamentais fontistas não dão importância ao fenómeno e chegam mesmo a patrocinar a candidatura do republicano Elias Garcia por Lisboa (obtém 15%, 1590 votos, mas, por 18 votos, vence o avilista Barros e Cunha, que, quando ministro, tanto havia sido fustigado pelos regeneradores). Fontes dava-se bem com Garcia, que havia sido presidente da câmara municipal de Lisboa em 1873, chegando a dizer: o Elias Garcia, se não existisse, era preciso inventá-lo. Outro candidato republicano por Lisboa que acabou por não ser eleito era Manuel de Arriaga, que teve a apoiá-lo Ramalho Ortigão. O terceiro candidato republicano pela capital foi Teófilo Braga, apoiando-se então num programa federalista. É que os progressitas, na sua primeira candidatura eleitoral, mostravam-se agressivos e tentavam caçar votos no terreno dos republicanos.

Barjona, através de quem Fontes se entendia com os republicanos, defendia um sistema de registo civil obrigatório para todos os cidadãos, incluindo os católicos.

Os federalistas

Em 2 de Janeiro de 1879, a corrente republicano-federalista de Lisboa funda um centro próprio, sob a liderança de Teófilo Braga, com Carrilho Videira e Teixeira Bastos. Os restantes republicanos de Lisboa respondem criando um novo Centro Republicano de Lisboa.

Novo directório em 1879

Em 3 de Fevereiro de 1879 é eleito novo directório, com Oliveira Marreca, Latino Coelho, Sousa Brandão, Bernardino Pinheiro e Eduardo Maia. Nessa eleição participam os federalistas. Nesse ano, nas eleições de 19 de Outubro de 1879 voltava a ser eleito solitariamente o republicano Rodrigues de Freitas pelo Porto.

Eleições suplementares de 1880

Em 1880, depois dos jesuítas terem sido expulsos de França, os republicanos ganham novo alento. Se em França os jesuítas eram expulsos em Março, já entre nós, em 25 de Julho, celebravam, no Colégio de Campolide, a restauração da Província da Companhia de Jesus, abolida por Pombal em 1859. Por cá, vivia-se o ano do Centenário de Camões e os mesmos republicanos assumiam a liderança do patriotismo, chegando mesmo a liderar os ataques ao Tratdo de Lourenço Marques, negociado pelo anterior governo regenerador e aprovado pelo progressista, então no poder. Em 17 de Março promovem um comício no Teatro dos Recreiros, com Manuel de Arriaga, Elias Garcia e Magalhães Lima. Em 14 de Junho, organizam um grande banquete, presidido por Arriaga. Em 14 de Agosto promovem um meeting em Lisboa, às Janelas Verdes.  Nas eleições suplementares de 5 de Outubro têm votações baixas, dado que Fontes já não aparece a apoiar Elias Garcia que só consegue 997 votos. Estávamos sob um governo progressista.  Magalhães Lima tem 519 votos e Antero de Quental que então se candidata pelos republicanos apenas recebe 25 votos...

«O Século». 1881

Um importante impulso na campanha republicana deu-se com a saída do primeiro número do jornal O Século, no dia 1 de Janeiro de 1881, dirigido por Sebastião Magalhães Lima. Nesse mesmo ano, lideram a contestação ao Tratado de Lorenço Marques, promovendo comícios em Lisboa e em Coimbra. No dia 13 de Março, ainda com governo progressista, num comício republicano que decorria na Rua de S. Bento, há uma forte carga policial. Entretanto, depois de novo governo regenerador, a partir de 25 de Março, surgem as eleições de 21 de Agosto. Finalmente era aqui eleito Elias Garcia, mas também se apresentaram como candidatos Teófilo Braga e Magalhães Lima. No Porto, contudo, não era eleito nenhum candidato republicano, candidatando-se Alves da Veiga e Manuel Emídio garcia.

Em 6 de Novembro de 1881 são as eleições camarárias (os republicanos conseguem representação em 23 concelhos)

Centenário do Marquês de Pombal. 1882.

Novos comícios republicanos, com destaque para o de 3 de Julho em Lisboa, onde se insurgem contra o Tratado de Comércio com a França, com vários incidentes, donde resulta a prisão de Gomes Leal.

Publicitado o projecto de organização definitiva do Partido Republicano, da autoria de Manuel de Arriaga (10 de Junho de 1882)

Os republicanos tentam, então, identificar-se com o patriotismo e o liberalismo. Para o efeito, desencadeiam um processo de recriação de mitos, tanto pela comemoração das datas de 24 de Agosto e 15 de Setembro, como pela construção de estátuas a Manuel Fernandes Tomás, Sá da Bandeira, José Estevão, Alves Martins e Joaquim António de Aguiar, para além de invocarem liberais como Borges Carneiro, Mouzinho da Silveira, José Liberato, Passos Manuel e Alexandre Herculano, bem como de outras figuras históricas como Camões, Damião Góis, Febo Moniz, João Pinto Ribeiro e o marquês de Pombal.

Por um lado, pretendiam que dizer viva a República significasse viva Portugal. por outro, tentavam identificar o ser republicano com o ser liberal. Apelam assim para os verdadeiramente liberais contra o ultramontanismo e as trevas da servidão intelectual em nome das novas ideias, isto é, do positivismo propagandeado por Teófilo Braga.

Deste modo, mobilizam os mitos fundadores do liberalismo monárquico, quando o regime, governado pelas segundas gerações desse historicismo se enredava nas teias do argentarismo e de dissolvia em corrupção e facciosismo.

Em Julho de 1882 os deputados republicanos apresentavam no parlamento um voto sobre a morte de Garibaldi. Em Janeiro de 1883, sobre o passamento de Gambetta. Ambos são rejeitados.

1884

Nas eleições de 29 de Junho, são eleitos dois candidatos republicanos, Elias Garcia e Consiglieri Pedroso. Manuel de Arriaga não consegue ser eleito pelo Funchal e há sangrentos incidentes. Em 22 de Agosto de 1884, o ministro Barjona proíbe um cortejo em homenagem a Manuel Fernandes Tomás, mas logo em 4 de Setembro, cerca de 50 000 manifestantes prestam-lhe homenagem no cemitério.

1885

Em Janeiro de 1885, Oliveira Martins defende os progressistas, considerando os republicanos como um grupo de sectários, mais ou menos estonteados. Nun discurso de 4 de Maio de 1885, o deputado Elias Garcia diz que se preza de pertencer ao partido liberal, invocando Fernandes Tomás, Passos Manuel e Sá da Bandeira. Como observa Lopes d’Oliveira, não há verdadeiro republicanos, entre nós, que não seja liberal, nem há verdadeiro liberal que não possa dizer-se republicanoi. Aliás, é em 1884 que José Falcão publica a Cartilha do Povo. Em 7 de Setembro de 1885, os republicanos organizam um comício, dito anti-jesuítico, no Porto, no mesmo ano em que Guerra Junqueiro publica A Velhice do Padre Eterno.

1887

Em 1887, já durante o governo progressista de José Luciano, nas eleições em 6 de Março. Progressistas elegem 107 deputados. Oposição regeneradora elege 36 deputados. Republicanos mantêm dois deputados por Lisboa (Elias Garcia e Zófimo Consiglieri Pedroso). 8 deputados da esquerda dinástica de Barjona de Freitas.

Já depois da morte de Fontes, em 22 de Janeiro de 1877, seguiram-se as eleições de 6 de Março, com o governo progressista a eleger 107 deputados e a oposição regeneradora a vencer apenas em 30 círculos eleitorais, enquanto os republicanos mantêm os seus deputados por Lisboa.

Em 25 de Fevereiro de 1888, era eleito Teófilo Braga, para uma vaga.

São apoiados por o Século em Lisboa e pela Folha Nova do Porto.

Em 16 de Setembro de 1887, eleições municipais em Lisboa com  vitória da lista monárquica de Fernando Palha e Rosa Araújo. Os republicanos com 43% dos votos expressos

Antecedendo a geração espanhola de 1898, surge em Portugal, depois da geração insurrecionista de 1871, a geração nacionalista que é marcante em António Nobre e Alberto de Oliveira (Vasco Pulido Valente).

A partir de meados desse ano, florescem em Lisboa sociedades secretas, dispostas à revolução, desde os anarquistas, mais ou menos niilistas, aos republicanos, acontecendo que, muitas vezes, estes contraditórios grupos se juntam em federações.

Passam para três deputados: Elias Garcia, Latino Coelho, Manuel de Arriaga, todos por Lisboa.

Em tempo de heróis do mar e de invocações camonianas, Guerra Junqueiro clama pelo finis patriae e o jovem tribuno António José de Almeida declara o rei como Bragança, o último.

Promovem a revolta militar de 31 de Janeiro de 1891, durante o governo de João Crisóstomo e, a partir de então, têm como principal objectivo o derrube da monarquia, marcada pelo chamado reinado trágico de D. Carlos.

1890

Nas eleições de 30 de Março ocorreram violentos incidentes. Dez mortos e cerca de 40 feridos. 115 deputados regeneradores. 33 deputados progressistas. 3 deputados republicanos (Elias Garcia, Latino Coelho e Manuel de Arriaga).

1891

Os republicanos estão divididos, especialmente pela campanha jornalística de Homem Christo contra Elias Garcia. mas a unidade é estabelecida no congresso realizado no Porto de 5 a 7 de Janeiro de 1891. Aprovado novo programa para o partido que foi publiacdo em 11 de Janeiro de 1891.

Revolta republicana do 31 de Janeiro de 1891. Conforme salienta Lopes d’Oliveira, desde o 31 de Janeiro todo o programa republicano é Revolução.

Aires de Gouveia na Câmara dos Pares critica a perseguição aos republicanos, considerando-os como pequena minoria (23 e 25 de Junho de 1891)

1892

As eleições de 23 de Outubro de 1892 foram atípicas, surgindo 52 deputados regeneradores, 33 progressistas, 26 governamentais, 8 independentes e 4 republicanos. O presidente do ministério que perdeu a eleição por Aveiro, até apareceu à última hora deputado por Penacova.

4 republicanos (obtêm em Lisboa 25%). Elegem aqui Jacinto Nunes, com 5 336 votos (25%). Rodrigues de Freitas continuou a ser eleito pelo Porto. Outro deputado republicano eleito foi Teixeira de Queirós por Santiago do Cacém. Finalmente, João Chagas foi eleito por acumulação de votos, conseguindo 18 000.

Nas eleições de Lisboa, Eduardo Abreu, 5 615 votos; Jacinto Nunes, 5 336; José Falcão, 5 178; Filomeno da Câmara, 4 880. O monárquico mais votado, 7 145

1893

Em Junho de 1893, conferência de Badajoz dos republicanos portugueses e espanhóis. Criticada na CD por Carlos Lobo d’Ávila.

Em Setembro de 1893 foi preso o jornalista João Pinheiro Chagas, revolucionário do 31 de Janeiro de 1891, que se havia evadido de Angola.

1894

Nas eleições de Abril de 1894, os caciques progressistas de Lisboa, como José Pinheiro de Melo e o prior da Lapa ajudaram os republicanos, enquanto outros, como o Conde do Restelo, se passaram para os governamentais regeneradores 2 deputados republicanos em Lisboa (Eduardo de Abreu e Gomes da Silva).

Em 2 de Julho já se constitui uma União Liberal entre progressistas e republicanos , enquanto os alemães ocupam Quionga no norte de Moçambique.

Em 3 de Dezembro formava-se a Coligação Liberal, juntando progressistas e republicanos. Surgem importantes comícios anti-governamentais.

No dia 9 de Dezembro, grande comício no Campo Pequeno, com republicanos e progressistas junto. José Maria de Alpoim proclama que a pátria está em perigo. No Porto, o conde de Samodães também preside a comício de protesto no teatro do Príncipe Real.

1895

Em 20 de Fevereiro, eleita a comissão municipal republicana do Porto. O secretário da Universidade de Coimbra, Cerqueira Coimbra, depois de aderir aos republicanos, é imediatamente demitido.

Em 2 de Março, reunião em Lisboa o sexto Congresso do Partido Republicano. Comissário da polícia impede a continuação da reunião. Mas, no dia seguinte, em ajuntamento secreto, é eleito novo directório: Eduardo de Abreu, Jacinto Nunes, Magalhães Lima e Gomes da Silva.

Joaquim Martins de Carvalho, director dÓ Conimbricense, adere aos republicanos: entre a monarquia quase absoiluta , que aí existe e a República, o nosso caminho estava naturalmente traçado

1897

Nas eleições de 2 de Maio de 1897, os republicanos abstêm-se: até que uma lei regularmente votada em Cortes, dê, pelo menos, as garantias já conquistadas em 1884.
Grandes comícios republicanos em Lisboa e no Porto entre Maio e Agosto de 1897.

Congresso do Partido Republicano em Coimbra (25 de Setembro de 1897)

1898

VIII Congresso do Partido Republicano em Lisboa, em 18 de Novembro de 1898

Os deputados da peste. 1899

Em 26 de Novembro de 1899. Eleições. Vitória dos republicanos no Porto. Conde Burnay vence em Setúbal.

Em 18 de Fevereiro de 1900, repetição das eleições no Porto. Nova vitória dos republicanos, com a eleição, como deputados, de Afonso Costa, Xavier Esteves e Paulo Falcão.

Passagem para os republicanos de Braamcamp Freire e de Augusto José da Cunha em 1907. Mas entre os próprios republicanos, surgiram fortes dissências com Francisco Martins de Carvalho a passar- se para as hostes franquistas, em 1903, Elias Garcia a colaborar com Barjona de Freitas, em 1887, e José Falcão a ligar- se a Fuschini em 1891.

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 03-05-2007