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PS - Partido Socialista (1973)

Fundado em 19 de Abril de 1973 em Bad Munstereifel.  

●A espinha dorsal do PS é constituída pelos marxistas dissidentes do PCP, desde os que vieram dos tempos do MUD, como Mário Soares a outros exilados, como os do grupo de Genebra, com António Barreto.

●O segundo grande núcleo provém dos republicanos históricos, afonsistas ou sergianos, como Henrique de Barros, Vasco da Gama Fernandes e Raúl Rego, quase todos eles próximos da maçonaria clássica do Grande Oriente Lusitano.

●O terceiro vector é o dos católicos dos anos sessenta, provindos da JUC e da JOC, que não começam pelo marxismo, mas pela doutrina social da Igreja Católica.

●Seguem-se alguns revolucionários das intentonas contra o regime, adeptos da acção directa, mas insusceptíveis de enquadramento pela disciplina subversiva dos comunistas, não faltando os exilados estacionados em Argel marcados por um esquerdismo intelectual quase libertário, como Lopes Cardoso e Manuel Alegre.

●Em 1974 o grupo ainda invoca como inspiração teórica predominante o marxismo, saudando a revolução soviética como marco fundamental na história da Humanidade, embora advogue uma via portuguesa para o socialismo, repudiando, nos sociais-democratas, o facto dos mesmos conservarem as estruturas do capitalismo e de servirem os interesses do imperialismo.

●E Soares, face aos comunistas, dirá sucessivamente que não é Marx nem Lenine que nos dividem, invocando a faceta estalinista do movimento cunhalista.

●Este partido, com os ventos de Abril, passa do restrito grupo de amigos de Mário Soares a um dos maiores partidos políticos do regime.

●Um partido que hibridamente procura misturar o método científico de Karl Marx, o sonho de Antero, a pedagogia de António Sérgio e o realismo criador de Mário Soares, como mais tarde sintetizará Manuel Alegre.

●No Congresso do PS dos dias 13 e 14 de Dezembro de 1974, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, Mário Soares é eleito secretário-geral, mas na votação para a comissão nacional, a lista dos históricos apenas obtém mais 94 votos que a de Manuel Serra, que consegue 44%. Ambas as listas tinham Soares como cabeça. Rejeita-se a social-democracia e em vez de uma rosa adoçar um punho, o partido assume como símbolo o agressivo punho erguido, proposto por Manuel Serra.


Mário Soares chega a Lisboa de comboio, vindo de Paris, logo em 28 de Abril de 1974, acompanhado por Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa.  
Nele se integra o Movimento Socialista Popular de Manuel Serra. 
Congresso da Aula Magna da Reitoria de Lisboa em 13, 14 e 15 de Dezembro de 1974.  
No Congresso de 21 de Fevereiro de 1988 é reeleito Vítor Constâncio que, depois de assinar acordo com o PSD para a revisão constitucional (14 de Outubro) se demite (27 de Outubro).  
No Congresso de 15 de Janeiro de 1989 é eleito Jorge Sampaio como novo secretário-geral. Vence as eleições autárquicas em Lisboa (17 de Dezembro de 1989). Consegue 29,1% nas eleições de 6 de Outubro de 1991.  
Em 23 de Fevereiro de 1992 é eleito António Guterres

Marxismo teórico
Em 1974 ainda invoca como inspiração teórica predominante o marxismo, saudando a revolução soviética como marco fundamental na história da Humanidade, embora advogue uma via portuguesa para o socialismo, repudiando, nos sociais-democratas, o facto desses conservarem as estruturas do capitalismo e de servirem os interesses do imperialismo
Soares, face aos comunistas, dirá sucessivamente que não é Marx nem Lenine que nos dividem, invocando a faceta estalinista do movimento cunhalista.  
Com os ventos de Abril, o partido passou do restrito grupo de amigos de Mário Soares a um dos maiores partidos políticos do regime. Beneficiou da participação activa nos governos provisórios, da boa ligação à Internacional Socialista e de se ter tornado na vanguarda da luta contra o comunismo e o sovietismo.
Marx, Sérgio e Soares
Um partido que hibridamente procura misturar o método científico de Karl Marx, o sonho de Antero, a pedagogia de António Sérgio e o realismo criador de Mário Soares, como mais tarde sintetizará Manuel Alegre. Marxistas dissidentes
A sua espinha dorsal era  constituída pelos marxistas dissidentes do PCP, desde os que vieram dos tempos do MUD, como Soares, quer os exilados, como os do grupo de Genebra, com António Barreto, Eurico de Figueiredo e Medeiros Ferreira. Republicanos históricos
O segundo grande núcleo provinha dos republicanos históricos, afonsistas ou sergianos, como Henrique de Barros, Vasco da Gama Fernandes e Raul Rego, quase todos eles próximos da maçonaria clássica do Grande Oriente Lusitano.
Católicos progressistas
O terceiro vector era o dos católicos dos anos sessenta, provindos da JUC e da JOC, que não começaram pelo marxismo, mas pela doutrina social da Igreja Católica.
Activistas revolucionários
Seguiam-se alguns revolucionários das intentonas contra o regime, adeptos da acção directa, mas insusceptíveis de enquadramento pela disciplina subversiva dos comunistas, não faltando os exilados estacionados em Argel marcados por um esquerdismo intelectual quase libertário, como Lopes Cardoso e Manuel Alegre.

●PS promove uma reunião da Internacional Socialista no Porto (dias 13 e 14 de Março de 1976). Sessões no hotel Vermar, em Espinho, e comício no Palácio de Cristal, sob o signo do slogan Europa connosco, que terá sido inventado por António Guterres.

●III Congresso do PS, em nome do lema Dez Anos para Mudar Portugal, programa redigido por António Guterres.

●Consagra-se adesão ao PS dos ex-GIS como Jorge Sampaio, João Cravinho, José Manuel Galvão Teles e Nuno Berderode dos Santos (3 de Março de 1979).

●António Barreto, Medeiros Ferreira e Francisco Sousa Tavares apresentam o Manifesto Reformador. Propõem a constituição de uma Frente Democrática Reformadora. , tendo em vista a criação de um governo com autoridade e estabilidade (12 de Abril de 1979).

O conflito entre Mário Soares e a maioria do secretariado nacional do PS atinge o rubro (20 de Junho de 1980), nomeadamente com a disputa para a liderança do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento, financiado pela Fundação Friedrich Erbert.

●Na altura, Soares reúne com frequência com os seus fiéis, numa espécie de gabinete de guerra, onde participam, entre outros, Maldonado Gonelha, Jorge Campinos, Eduardo Pereira, Menano do Amaral, Fernando Barroso, Rui Mateus, Walter Rosa, Almeida Santos e António Campos.

●Do lado do secretariado, estão Salgado Zenha, Guterres, Henrique de Barros, António Sousa Gomes, Teresa Ambrósio, Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, Ribeiro dos Santos e António Reis, apoiados por Oliveira Cruz, Rui Vilar, Pedro Luzes e Miguel Caetano. Soares decide auto-suspensão de funções no PS, por discordar do apoio a Eanes, assumido pela maioria do secretariado do partido, principalmente por Salgado Zenha (18 de Outubro de 1980).

●No IV Congresso do PS, no Coliseu do Recreios em Lisboa, com reeleição de Mário Soares (13 de Maio de 1981), o grupo do secretariado não apresenta alternativa e a nova direcção fica inteiramente soarista, em nome da moção Novo Rumo para o PS. Soares é reeleito com 72% dos votos, mas a respectiva moção de estratégia apenas consegue 62% contra os 34% da do ex-secretariado.

●Constituída uma direcção homogénea de soaristas, com Jorge Campinos, António Campos, Mário Cal Brandão, Manuel Tito de Morais, Raul Rego, António Macedo, Teófilo Carvalho Santos, Fernando Vale, Francisco Ramos da Costa, Joaquim Catanho de Meneses, Eduardo Pereira, Walter Rosa, Rui Mateus e Jaime Gama. (10 a de 1981).

●Socialistas reúnem 12 congressos distritais. Vitória esmagadora dos soaristas, à excepção de Braga (12 de Fevereiro de 1984).

●Vítor Constâncio assume o cargo de secretário-geral (20 de Junho de 1986). Demite-se da liderança do PS (27 de Outubro de 1988). Sucede-lhe Jorge Sampaio.

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 03-05-2007