1836

 

●O filme da revolução – Às quatro da tarde do dia 9 de Setembro desembarcam no Terreiro do Paço, os deputados oposicionistas do Douro e da Beira, vindos no vapor Napier. São esperados por uma manifestação de cerca de 6 000 pessoas, num ambiente de vivório e foguetório, animado por bandas de música.

 

●Cerca das nove da noite batalhões da Guarda Municipal concentram-se na Praça do Príncipe Real (então Patriarcal Queimada) e, com a populaça, os insurgentes dirigem-se ao Rossio onde dão vivas à Constituição de 1822. Pouco antes em Espanha (12 de Agosto), uma revolta em Madrid tinha obrigado Maria Cristina a repor a Constituição de Cádis de 1812.

 

●Tropas do Governo, chamadas para reprimir a sedição, logo confraternizam com os revoltosos.

 

●Uma deputação destes entrega um ultimato à rainha nas Necessidades, sendo escolhido, para a liderar, face à recusa de Sá da Bandeira, o conde de Lumiares.

 

●Na reivindicação apresentada à Rainha, redigida por Soares Caldeira, consta a imediata proclamação da constituição de 1820 com as modificações que as cortes constituintes julgarem por bem fazer-lhe.

 

●O Conselho de Estado sugere à rainha que se submeta às movimentações e às oito da manhã já desfilam os vencedores com louros nas espingardas, depois das hortênsias de 1832 e dos cravos de 1974.

 

●Soberania nacional – O povo queria o regime de soberania nacional; queria uma Constituição dada pela nação e não outorgada pela Coroa; e queria a abolição da Câmara dos Pares; ou, pelo menos, que não votasse na lei constitucional. É por isso que dizia Constituição de 1820 (Passos Manuel)

 

Vitória da Maçonaria do Sul – A Revolução é planeada e executada pela Maçonaria do Sul, com o apoio, declarado ou tácito da Maçonaria do Norte, conforme as palavras de Oliveira Marques, e, nela, as chamadas Sociedades Patrióticas desempenham um papel semelhante ao que vai ter a Carbonária relativamente ao 5 de Outubro de 1910 e o Partido Comunista relativamente ao MFA em 1974.

 

Sonho ou realidade? Acordámos debaixo das leis da constituição dada pelo povo na revolução do ano de 1820! Todos esfregavam os olhos, e perguntavam se é um sonho o que ouvem! Mas era, com efeito, uma realidade; porque nem em Lisboa, nem em parte alguma do reino se manifestou oposição alguma a esta rápida transfiguração política. A Constituição de 1820 é a filha do povo, e o povo abraçava a filha que lhe tinham roubado (José Liberato Freire de Carvalho).