Greve académica desencadeada em Coimbra a partir do mês de Março. Alastra a todo o país e dura até Maio. O pretexto é a reprovação de um candidato a doutoramento em direito, José Eugénio Dias Ferreira (1882-1953), filho de José Dias Ferreira, que se declara republicano e dedica a tese a Teófilo Braga. A situação é de tal maneira grave que têm de ser mobilizadas tropas de Aveiro e do Porto para Coimbra. O movimento estende-se ao Porto. 400 estudantes de Coimbra vêm a Lisboa entregar um protesto ao parlamento. Reúnem com os republicanos numa sessão realizada no Ateneu Comercial. Assistem nas galerias ao debate parlamentar sobre a matéria e recebem solidariedade dos estudantes da Escola Médica de Lisboa. O governo pune vários estudantes e a academia responde com greve geral, anunciando grande comício para Lisboa. Em 23 de Maio são mandadas encerrar as matrículas

Ópera bufa – A greve é um intermezzo ou espécie de ópera-bufa entre duas peças, no meio da grande campanha republicana contra João Franco e a Monarquia. Bastava conhecer-lhe os motivos e os grandes" meneurs" do movimento, lançado, como sempre em tais ocasiões, por uma minoria audaciosa contra uma maioria silenciosa, para logo isto se perceber (Luís Cabral de Moncada, sobre a greve académica de 1907).