Conspiração republicana: Juiz de instrução Almeida Azevedo em informação confidencial dirigida a D. Manuel II, reconhece que os republicanos preparam-se activamente para a revolução (9 de Junho). Machado Santosö reúne cerca de mil carbonários, criando-se uma comissão de resistência para entrar em acção quando saísse a revolução para a rua, estrutura que não dependia do directório do PRP (14 de Junho). Em meados deste mês, o almirante Cândido dos Reis, chefe militar supremo da revolução, marca para 14 de Julho o começo do levantamento. Inicia, então, uma viagem pela província (23 de Junho), tendo em vista a organização da revolta. Tem vários encontros com oficiais em Santarém, Torres Novas, Tomar, Leiria, Coimbra e Figueira da Foz. Nesta sequência, realiza-se o congresso do Partido Republicano no Porto (dias 29 e 30 de Abril), onde até se fala na existência de uma intervenção estrangeira destinada a manter a monarquia, temendo-se tanto a Espanha como a Inglaterra. Eduardo Vilaça, transmite um telegrama cifrado vindo de Paris, onde a polícia secreta francesa comunica informação fidedigna, onde se reconhece que está tudo preparado em Portugal para um movimento contra as instituições (26 de Junho). Há sucessivas reuniões para o efeito com capitão Palla, Cândido dos Reis e Machado Santos em casa do Fontes Pereira de Melo, visando um levantamento que acaba por ser desmobilizado, face à não adesão do coronel Ramos da Costa.

Conspiração externa – Noutra frente conspiratória, José Relvasö, Magalhães Lima e Alves da Veiga são enviados pelo partido para contactos diplomáticos em Paris e Londres (22 de Julho). Num memorando do secretário do Foreign Office, Edward Grey, observa-se que a Inglaterra não reconheceria um regime republicano que tivesse excessos violentos e um governo manchado de sangue. Daí que o directório apele para a necessidade de um levantamento ordeiro (Julho). Grande comício republicano em Lisboa (7 de Agosto). Governo, dizendo temer movimento revolucionário das oposições monárquicas, põe as tropas de prevenção (19 de Agosto). Em 6 de Agosto, Teixeira de Sousa também recebe informação do Juiz de Instrução, onde se anuncia a hipótese de uma nova Saldanhada, mas com chacina rija nos elementos suspeitos de liberais, visando uma feroz ditadura militar sob o consulado de Vasconcelos Porto. Mas os oposicionistas do Bloco acusam o governo de fazer uma nova pavorosa para amedrontar o rei. Novo comício republicano em Lisboa (21 de Agosto). Os participantes pedem que se passe das palavras aos actos. Neste mês, a polícia descobre uma organização conspiradora lançada por João Chagas, enquanto ganha força a tese legalista do directório, liderada por Bernardino Machado, ficando a iniciativa subversiva quase monopolizada pela Carbonária. Neste sentido, António Maria da Silva promove paradas clandestinas de tropas da Carbonária, com centenas de soldados e sargentos desfilando à luz do dia. Hélder Ribeiro, Alfredo Ernesto Sá Cardoso (1864-1950) e Aragão de Melo decidem colaborar no plano da revolução (17 de Setembro). Polícia descobre bombas na residência do carbonário João Borges que declara: as bombas eram para a hipótese de isto andar para trás, isto é, para uma ditadura militar (18 de Setembro) Sucessivas reuniões da Comissão de Resistência da Carbonária com Hélder Ribeiro e Sá Cardoso (25 de Setembro). Marinha ameaça avançar sozinha com o plano revolucionário (29 de Setembro).