O ministro da guerra Luís Alberto de Oliveira, juntamente com Farinha Beirão, então comandante da GNR, João de Almeida, Vicente de Freitas e Schiappa de Azevedo pressionam Carmona no sentido da demissão de Salazar. O ministro da guerra, no dia 15 de Abril, numa festa realizada no Regimento dos Caçadores 5, discursa perante Carmona, declarando que o presidente era a única fonte do poder e somente com ele o Exército iria para bem da nação. No dia seguinte, Salazar pressiona-o no sentido da demissão, que apresente ao presidente da república. Este que cobrira o discurso como solidariedade passiva, ao não demitir Salazar, fica dele dependente.
Turbulências
dentro do regime – Reunião do Conselho de Ministros em Belém sob a
presidência de Carmona (10 de Janeiro de 1934). Analisado o momento político, face ao
crescendo do nacional-sindicalismo e dos boatos sobre nova revolta da ala
militar republicana do 28 de Maio, aqueles a quem Salazar chama os homens da
espada. Protestos de católicos contra o ministro Manuel Rodrigues que, a
propósito de uma conferência feita em Coimbra, é acusado de estatismo por ter
defendido que a soberania é a fonte da regra superior do homem social (6
de Maio). O jornal Novidades acusa-o de defender o socialismo de
Estado e o estatismo, adverso ao conceito cristão de autoridade. Pereira
da Rosa inicia n’ O Século campanha anticomunista.
Militares
desafiam Salazar (15 de Abril). Ministro da Guerra, Luís Alberto de
Oliveira, numa festa realizada no Regimento dos Caçadores 5, discursa perante
Carmona, declarando que o presidente da república é a única fonte do poder, com
a confiança do Exército: se sou Ministro da Guerra, sou-o pela mão de V. Exª,
a quem sirvo, porque só com V. Exª o Exército serve bem a Nação
(15 de Abril). Também Farinha Beirão, então comandante da GNR, João
de Almeida, Vicente de Freitas e Schiappa de Azevedo pressionam Carmona no
sentido da demissão de Salazar que pede a demissão em Conselho de Ministros.
Carmona concede-lhe audiência à tarde (16 de Abril).
O fim da
autonomia de Carmona – Segundo Franco Nogueira, colocou-se numa posição
de quase impossibilidade política de afastar alguma vez o chefe do governo,
embora legalmente o pudesse fazer em qualquer ocasião. A partir daí o
presidente não pssa de um simples manequim fardado, desaparecendo o formal
bipresidencialismo, dado ter-se consagrado o presidencialismo do chefe do
governo.
Nova pressão da
ala militar – Carmona recebe José Vicente de Freitas em audiência em Belém
(24 de Setembro). Tem como pretexto a entrega de uma mensagem de vários
militares solicitando-lhe que dê autorização para se promover nova candidatura à
presidência da república. Salazar insiste com Carmona, no sentido da demissão do
ministro da guerra Luís Alberto de Oliveira (12 de Outubro). Reunião do Conselho
de Ministros. Todos os ministros apresentam a demissão. Salazar anuncia a
recandidatura de Carmona a Presidente da República (22 de Outubro).
Remodelação –
Em 23 de Outubro de 1934: Abílio Augusto Valdez Passos e Sousa substitui Luís
Alberto de Oliveira na Guerra; Rafael Silva Neves Duque substitui Franco de
Sousa na agricultura; Eusébio Tamagnini de Matos Encarnação na Instrução, em
lugar de Manuel Rodrigues; Henrique Linhares de Lima substitui Gomes Pereira no
Interior; João Pinto da Costa Leiteö
(1905-1975) novo subsecretário de Estado das finanças. Passos e Sousa ainda
provém da ala republicana do 28 de Maio, mas o novo gabinete já é retintamente
salazarista.