Revoltas Radicais de 9 e 13 de Março de 1838

As revoltas radicais – A primeira de três revoltas radicais é de 4 de Março, comandada pelo então administrador-geral de Lisboa, Soares Caldeira, também director da Guarda Nacional, com o apoio de Rodrigues França, à frente do batalhão dos arsenalistas, a quem chamam os maltrapilhos da Ribeira. António Bernardo da Costa Cabral, com o programa de reprimir a anarquia, é nomeado administrador geral de Lisboa (7 de Março). Na manhã de 9 de Março, o batalhão dos operários do Arsenal aparece de armas na mão e volta a exigir um governo puro. Não há confronto, depois de ser ter chegado a um compromisso no botequim do Pelourinho, o primeiro café que abrira em Lisboa, no tempo do Marquês de Pombal.

Nova revolta com a Guarda Nacional a participar em força, mobilizando cerca de mil pessoas (13 de Março). Do lado do governo, o comando militar cabe a Jorge Avilez, com o apoio de Bonfim. Tudo termina com um sangrento combate no Rossio e a ilusão revolucionária de Setembro acaba com um banho de sangue. Logo tenta acalmar-se a ira, decretando-se uma ampla amnistia e formando-se até um frustrado "Clube Conciliador". Mas nessa tristíssima batalha cívica… onde correu sangue português, e sangue que uma "imprudente" Rainha portuguesa foi no dia seguinte calcar, no seu passeio, com os pés dos cavalos ingleses, como testemunha amargamente José Liberato Freire de Carvalho.

Sufocar a feroz anarquia – Proclamação de D. Maria II lamenta os que ameaçam com as armas na mão a ordem social provocando convulsões políticas quando estava a ponto de ser jurada a constituição da monarquia, e que deveria tornar-se como íris de paz, e sinal de aliança, e de conciliação entre todos os portugueses. Considera que é preciso que todos concorramos para que a feroz anarquia que ameaça o país, seja para sempre sufocada.

                   

© José Adelino Maltez autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 09-05-2007