Revolta dos Marechais(1837)

Revolta dos Marechais (de 12 de Julho até 7 de Outubro) Comandada por Saldanha e Terceira, que chamam Luís Mouzinho de Albuquerque e tentam estabelecer uma junta de regência, declarando a rainha coacta. A movimentação militar é desencadeada em 12 de Julho pelo barão de Leiria, José de Vasconcelos Bandeira de Lemos (1794-1873), a partir da Vila da Barca, visando a restauração da Carta. Os chefes militares passam a condottieri. Pouco antes, Leiria chegara a ser sondado por D. Maria II para formar governo, convidando Fronteira, Silva Sanches e Vieira de Castro. Como em 10 de Agosto vai dizer Almeida Garrett, esta ideia de que o País tem de fazer uma revolução todas as vezes que deseje mudar a Constituição do Estado.

A revolta começa por uma série de passeatas sediciosas sem combates. Sá da Bandeira é nomeado lugar-tenente da rainha para o Norte, a fim de fazer ceder os revoltosos de Vila da Barca. No Porto, revolta-se Samodães. Sá da Bandeira recua para Coimbra e Leiria. Saldanha sai de Lisboa para Sintra e segue para Torres Vedras e depois para Castelo Branco. Marcha em seguida para Coimbra e Leiria, recuando para Torres Vedras, onde se lhe junta Terceira. Descem para o Campo Grande, em Lisboa, mas voltam a subir para Torres Vedras e, depois, para Coimbra, num jogo de marchas e contra-marchas.

O primeiro combate – Os sediciosos são derrotados pelo conde de Bonfim na acção de Chão da Feira, perto da Batalha (28 de Agosto). Morte do Conde da Redinha e do barão de São Cosme. D. Fernando, o filho do Conde de Vila Real perde uma perna em combate e acaba por falecer. Também Fernando Mouzinho, filho de Luís Mouzinho de Albuquerque, é gravemente ferido e, depois de ser feito prisioneiro, também morre.

O segundo e último combate. Recuam, primeiro, para Alcobaça e, depois, para o Norte, estacionando na zona de Chaves, onde se dá o combate de Ruivães, com derrota definitiva dos golpistas, então comandados por Bandeira de Lemos, que são obrigados ao exílio (18 de Setembro). Sá da Bandeira seguir para o Norte de vapor, com um batalhão de caçadores e a divisão auxiliar do conde das Antas regressara de Espanha, reforçando os apoiantes militares do governo.

A Convenção de Chaves faz regressar o país ao estado de não-guerra, a que muitos dão o nome de normalidade e estabilidade política (7 de Outubro). As garantias constitucionais apenas continuam suspensas no Algarve. Saldanha, Palmela, Terceira, Silva Carvalho e Luís Mouzinho de Albuquerque vão para o exílio. Entretanto, em 16 de Setembro, nasce D. Pedro.

Paixões em vez de princípios, logo, corrupção e cepticismo. As novas instituições tinham brotado de paixões e não de princípios, e por isso eram como que absurdos os seus movimentos de mais justiceira aparência, degenerando fatalmente sempre em mais corrupção e cepticismo (José Agostinho).

Os ausentes-presentes – O Grande Oriente Lusitano, com o exílio de Silva Carvalho e face ao assassinato de Agostinho José Freire, fica acéfalo e lojas desta obediência abatem colunas, com muitos irmãos a abandonarem a ordem, como terá sucedido a Alexandre Herculano (Julho). O situacionismo setembrista passa, assim, a viver num equilíbrio instável, sem a figura tutelar de Passos Manuel. Há divergências entre os setembristas moderados, então liderados por Bonfim, e o grupo de José Alexandre de Campos, que pretende um entendimento com os radicais. Como síntese deste jogo de forças, emerge sempre a figura de Sá da Bandeira.

© José Adelino Maltez autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 09-05-2007