Respublica
Repertório Português de Ciência Política
Edição electrónica 2004 |
Do
lat. concordia, de cum mais cor, cordis, coração. O mesmo
que harmonia e equilíbrio. Nome de uma deusa romana, filha de Júpiter e Témis,
a qual era representada, tendo na mão um ramo de oliveira. A deusa grega
equivalente chamava-se Homonoia. O corpo político é visto como a concórdia
das discórdias, como a unidade da diversidade, onde o todo é teleologicamente
entendido, dado que a unidade resulta da existência de um fim comum
mobilizador, gerando a coordenação de elementos dispersos, uma concórdia dos discordes, onde, em vez da disciplina unidimensional, predomina a
harmonia. Onde, em vez de um bloco monolítico hierarquista, tenta imitar-se o
pluralismo e a flexibilidade da harmonia cósmica. Com o estoicismo de Marco Aurélio
(121-180), destaca-se a concórdia
como um reflexo da ordem divina do universo e da lei que o rege, a razão do
homem, pelo que as várias pátrias físicas estariam para a comunidade humana
como as famílias para a cidade. Santo Agostinho considera-a como o objectivo da
política: a
paz da cidade é a concórdia bem ordenada dos cidadãos no governo e na
obediência. Uma paz relativa,
dado que só poderia haver verdadeira paz com justiça, acreditando que a vocação
última da humanidade é a paz da cidade de Deus.
A
união de vontades produtora da harmonia. S. Isidoro de Sevilha nas Ethimologiae
define a civitas como a "multidão humana associada pelo
consenso do direito e pela comunhão da concórdia"
em Alvaro Pais O reino também deve ser "ordenado" e "unido
pela concórdia", pois que "a multidão sem ordem é confusão. Ora a ordem do reino
consiste nisto:que nele haja diversos graus de homens, diversos estados,
diversos ofícios, conforme convém, igualmente, à utilidade e honra do reino". E
para o Bispo de Silves "os reis não são proprietários, mas defensores,
administradores e aumentadores dos seus reinos".
D. Jerónimo Osório Para
ele, o ideal social é a "harmonia", a "união de todos", a paz duradoura, a
"concórdia firme e duradoura". E o rei deve "incitar a todos à prática do bem",
deve procurar "a salvação do povo" e o "bem da república".
João Pinto Ribeiro "todas estas Repúblicas particulares
concorrerão juntas para que representando-se nos três estados do Reino...
fizessem uma república. Desta República maior, e universal deram ao Principe o
governo, e senhorio, pera que lhes administrasse justiça, e os regesse em paz, e
concórdia com os melhores deste todo, sobre que havia de reprtir parte do melhor
governo, que dele se prometiam, e esperavam".
© José Adelino Maltez.
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Última revisão em:
14-12-2003