Respublica
Repertório Português de Ciência Política
Edição electrónica 2004
Fortuna (necessità , virtù)
O poder aparece em
Maquiavel
como uma síntese
da fortuna, da necessitá e da virtú, a
expressão de um resíduo irracional, do imponderável, daquela margem de
inexplicabilidade que se encontra na história. Primeiro estaria a fortuna,
entendida como uma mulher que, segundo
os preconceitos machistas do autor, para se submeter, teria de ser violentada.
Uma mulher volúvel que até gosta mais de homens jovens, por serem menos
respeitadores, mais ferozes e mais audazes: perchè
la fortuna é donna, ed é necessario volendola tener sotto, batterla ed
urtarla. Come donna, e amica de giovanni, perchè sono meno rispettivi, piú
feroci e con piú audacia la comandano. Em segundo lugar, o cepticismo de
Maquiavel
leva-o a considerar
que a moral nasce da necessidade, porque o
Homem não faz o bem a não ser quando é pressionado pela necessidade .
Em terceiro lugar, salienta que um dos elementos mais dinâmicos de toda a acção
social é a virtú, a faculdade de acção
que irradia sobre o conjunto humano. A qualidade daquele homem que tem grandezza del'animo e fortezza
del corpo, um vitalismo equivalente à quilo que Nietzsche
vai qualificar como
o Wille zur Macht, o apelo a um homem de acção que concebe a vida
como movimento.