Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Futurismo
Movimento literário lançado por Marinetti em 20 de Fevereiro de 1909, quando
emitiu a partir de Milão o Manifesto Futurista. Aí see invoca o amor pelo
perigo, o hábito daenergia e a temeridade, com coragem, audácia,
revolta. Saúda-se a beleza da velocidade e que só há beleza na
luta. Também proclama: encontramo-nos no promontório extremo dos séculos!...
Como olhar para trás, num momento em que é necessário rsgar os véus
misteriosos do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já no
absoluto, porque já criámos a eterna velocidade omnipresente. Queremos
glorificar a guerra, - a única higiene do mundo – o militarismo, o
patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas ideias que matam, e o
desprezo da mulher. Queremos domolir os museus, as bibliotecas, combater o
moralismo, o feminismo e todas as cobardias oportunistas e utilitárias... A
Arte não pode ser senão violência, crueldade e injustiça ... De pé, sobre
os pináculos do mundo lançamos mais uma vez o desafio das estrelas.
Influencia o modernismo português. Primeiro através do heterónimo de Pessoa,
Álvaro de Campos, nos ns. 1 e 2 de Orpheu, de 1915, e, depois, com José
de Almada Negreiros: A Cena do Ódio, no nº 3 da mesma revista. Este último
destaca-se no Manifesto Anti-Dantas, de 1916, onde se afirma Poeta
d’Orpheu, futurista e tudo. Em 14 de Abril de 1917, o mesmo Almada,
juntamente com Santa-Rita Pintor (1890-1918) numa sessão realizada no Teatro
República, lança o Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século
XX. Em Novembro desse mesmo ano de 1917 começa a publicar-se a revista Portugal
Futurista, onde também se destaca António Ferro, e onde se publica o Ultimatum
de Álvaro de Campos.
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