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Respublica
Repertório Português de Ciência Política
Total: S/Sc © José Adelino Maltez. Última revisão em: 20-02-2009 |
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Scaff, Lawrence A. Scarpelli, U. Scase, R. Schaar, John W. Schacht, Hjalmar Schaf, A. Schaffhausen Schäffle, Albert Schapiro, Leonard Scheler, Max Schelling, Friedrich Schemeil, Yves Schiller, Ferdinand Canning Scott Schiller, Friedrich von Schlegel, August-Wilhelm Von ( Schlegel, Friedrich Von Schleiermacher, Friedrich E. D. ( Schlesinger Jr., Arthur M. Schlesinger, J. A. Schleswig-Hollstein Schlick, Moritz Schlözer, A. L. von Schlözer, C. Von Schmidt, Helmut Schmitt, Carl Schnapper, Dominique Schnapper, M. B. Schneider, Bertrand Schopenhauer, Arthur Schotten, Peter M. Schram, S. Schramm, W. Schrems, John J. Schroeder, Ernesto Schultz, Arnaldo Schumacher, Ernst Fritz Schumaker, Paul D. Schumpeter, Joseph Aloys Schutz, Alfred Schwartz, D. C. Schwartz, Herman M. Schwartz, Joseph Schwartz, Michael, Schwartz, William A. Schwartzenberg, Roger-Gérard Schwarzenberger, Georg Schweinitz, Karl Schwyz Science of politics Scott, Allen J. Scott, James C. Scott, R. Scottus, Duns |
Scaff, Lawrence A. Participation in the Western Political Tradition, Tucson, University of Arizona Press, 1975. Scarpelli, U. Cos’è il Positivismo Giuridico Milão, Ed. di Comunità, 1965 Scase, R., Social Democracy in Capitalist Society. Working Class Politics in Britain and Sweden, Londres, Croom Helm, 1976. Schaar, John W., Legitimacy in the Modern State, New Brunswick, Transaction Books, 1981. Schacht, Hjalmar (1877-1970) Financeiro alemão, ministro da economia de Hitler de 1934 a 1937. Presidente do Reichesbank de 1923 a 1930 e em 1933-1934, leva a que os grupos Krupp e I. G. Farben apoiem o nazismo. Volta à presidência do banco central em 1939 e regressa ao governo como ministro sem pasta em 1943. Contudo, em 1944, entra em contacto com a Resistência e é preso por ordens directas de Hitler. Condenado pelo Tribunal de Nuremberga, é libertado em 1948. Depois disso, cria um banco de apoio aos países em desenvolvimento. Schaf, A., Friedrichs, G., Microelectronics and Society. For Better and for Worse, Oxford, Pergamon Press, 1982. Schaffhausen Cantão suiço desde 1501 Schäffle, Albert (1831-1903) Professor de economia política em Tubinga (1860) e Viena (1868). Chega a ministro da agricultura e do comércio do Império Austro-Húngaro em 1871. Organicista. Estabelece analogias entre os organismos sociais e os seres vivos. Considera o Estado como um corpo real, em carne e osso, onde o governo desempenha as funções do cérebro. 1875 Bau und Leben des sozialen Körpers 1875-1878. Bau und Leben des sozialen Körpers, 1875-1878 ä Schäffle, Albert Organicismo ä Schäffle, Albert Schapera, J., Government and Politics in Tribal Societies [1ª ed., Londres, 1956], Nova York, Schoken Books, 1967. Schapiro, J. S., Liberalism. Its Meaning and History, Princeton, Van Nostrand, 1958. Schapiro, Leonard Considera que o sistema soviético constituía um poder que se guiava pelo sistema criado por Lenine e que hoje já muito pouco tem em comum com qualquer ideologia [... ] O sistema comunista é essencialmente um mecanismo: um mecanismo preciso de conquista e de conservação do poder. Assenta no domínio monopolista de um partido único e conserva-se recompensando e incentivando aqueles sobre quem se apoia. Todos esses aspectos intelectuais e ideológicos são por certo muito interessantes para nós, sovietólogos, mas nada têm a ver com os métodos de conservação do poder... As cúpulas abandonaram já há muito tempo qualquer ideologia. Dedicam-se às tarefas reais e a tarefa real é a conservação do poder e a luta contra os concorrentes. 1963 The U. S. S. R. and the Future Nova York, Praeger Press, 1963. 1965 The Origin of the Communist Autocracy Nova York, Praeger Press, 1965. 1972 Totalitarianism Nova York, Praeger Press, 1972 [trad. cast. El Totalitarismo, México, 1981]. 1967 Rationalism and Nationalism in Russian Nineteenth Century Thought New Haven, Yale University Press, 1967 Scharfsstein, Ben-Ami, Amoral Politics. The Persistent Truth of Machiavellism, Albany, State University of New York Press, 1995. Scharpe, L. J., Decentralist Trends in Western Democracies, Newbury Park, Sage Publications, 1979. Schattscheider, Elmer E., The Semisovereign People, Nova York, Holt, Rinehart & Winston, 1960. Scheler, Max (1874-1928) Estuda medicina e filosofia em Berlim, Munique e Iena. Adere ao fenomenologismo em 1907. Catedrático em Colónia desde 1919 e em Frankfurt desde 1928. A partir de 1923, evolui para uma espécie de evolucionismo panteísta e vitalista, depois de se converter ao catolicismo. Defende uma ética material de valores, um mundo do ser totalmente separado do mundo do dever-ser, e a consequente visão dos valores como entidades completamente separadas da existência. Os valores são considerados como algo de objectivo, insusceptíveis de serem produzidos pelos sujeitos. Os valores são assim duplamente absolutos. Em primeiro lugar porque o seu conteúdo não é uma relação. Em segundo lugar, porque pertencem à categoria da qualidade e são imutáveis. Nos valores reinam relações de essência e leis formais a priori. Estado como abstracção geométrica, 29, 189 SCHELER, Max –Positivismo, 27, 173 34, 219 1899 ·Sur les Rapports entre les principes Logiques et les principes Moraux 1899. 1913 ·Der Formalismus in der Ethik und die materielle Wertethik 1913-1916. Cfr. trad. fr. de M. de Gandillac, Le Formalisme en Éthique et l’Éthique Materielle des Valeurs, Paris, Éditions Gallimard, 1955; trad. cast. de Rodriguez Sanz, Etica, Madrid, Revista de Occidente, 1941. 1919 ·Le Renversement des Valeurs 1919. 1921 ·De L'Éternel dans l'Homme 1921. 1923 ·Nature et Formes de la Sympathie 1923. 1923 ·Die Wissensformen und die Gesellschaft As Formas de Saber e a Sociedade, 1923. Ver nova ed. Leipzig, 1926. 1928 ·Die Stellung des Menschen im Kosmos O Posto do Homem no Cosmos, 1928. 1929 ·Philosophische Weltanschauung 1929 4Gonçalves, José Júlio, «Itinerários da Teoria Sociológica», in Estudos Políticos e Sociais, vol. VII, nº 2, 1969, pp. 381 segs.. 4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, I, pp. 186 segs.. Schelling, Friedrich 1775-1854 Estuda teologia em Tubinga, sendo aí companheiro de Hegel e Holderlin. Aio de jovens nobres em Leipzig. Professor em Jena desde 1798. Aqui se relaciona com os irmãos Schlegel e Novalis. Recebe influências de Goethe e Fichte. Professor em Wurzburgo desde 1803 e em Munique, desde 1806. Distancia-se de Fichte. Assume, a aprtir de 1809, aquilo que designa por filosofia positiva. Influencia o panenteísmo de Krause. Chamado em 1841 a Berlim para aniquilar o panteísmo hegeliano. Considera que o Estado é o organismo objectivo da liberdade, partindo do princípio que o organismo é um objecto indivisível, completo em si mesmo, subsistente por si mesmo. É o elemento em que a ciência, a religião e a arte se compenetram reciprocamente, de maneira a tornarem-se num todo vivo e objectivo na própria unidade. Neste sentido, o Estado é um organismo que não pode ser dominado, mas apenas desenvolvido, e a história como um todo é um desvendamento contínuo e progressivo do absoluto. Ele é não só o arquitecto do organismo, o artista criador das artes plásticas, no qual se desvenda a ideia divina de direito, como também a união do real e do ideal, a reunião da liberdade e da necessidade. Precede Hegel na consideração de um espírito objectivo, e não apenas pessoal e subjectivo, entendendo a natureza como algo de não morto, como algo que não tem apenas de ser visto negativamente, como limite à acção do homem. A natureza é o espírito que devém e o homem, o olho pelo qual a natureza a si mesmo se contempla, sendo, assim, entendida, não como mero produto, mas sim como o sujeito que produz. Neste sentido, admite a existência de uma alma do mundo (Weltseele) que se torna extrínseca, primeiro, no mundo vegetal e animal, e, depois, no mundo do espírito. Do mesmo modo, refere a existência de uma alma do povo (Volksseele) que, primeiro, é inconsciente, e, depois, se transforma em consciente, segregando tanto o social como o político. ·Neue Deduktion des Naturrechts 1795. ·Ideen zu einer Philosophie der Natur Ideias para uma Filosofia da Natureza, 1797. ·Von der Weltseele Acerca da Alma do Mundo, 1798 ·System des transzendentalen Idealismus Sistema do Idealismo Transcendental, 1800. 4Battaglia, Felice, Curso de Filosofia del Derecho, trad. cast. de Francisco Elias Tejada e Pablo Lucas Verdú, Madrid, Reus, 1951, I, pp. 301 segs.. 4Ferreira, Manuel Carmo, «Schelling», in Logos, 4, cols. 956-963. 4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, p. 129. Messer, pp. 439 ss.. Schemeil, Yves «Les Cultures Politiques», in Grawitz, Madeleine, Leca, Jean, Traité de Science Politique, vol. III, pp. 237 segs., Paris, Presses Universitaires de France, 1985. La Science Politique, Paris, Librairie Armand Colin, 1994. Schengen, Convenção de (1985) Surge em 14 de Junho pela via da cooperação política, aquilo que será um dos elementos estruturantes do terceiro pilar do tratado de Maastricht, visando a supressão total do controlo de pessoas ns fronteiras internas e o princípio da estreita colaboração policial. Subscrevem-na, inicialmente, a França e a Alemanha, bem como os três do Benelux, mas a ela, adere a Itália e, depois, Portugal e Espanha. Schelling, Thomas C., Stratégie du Conflict, Paris, Presses Universitaires de France, 1986. Scheter, Darrow, Radical Theories. Paths Between Marxism and Social Democracy, Manchester, Manchester University Press, 1994. Schiavo, Aldo, La Filosofia Política de Giovanni Gentile [ed. orig. 1971], Madrid, Instituto de Estudios Políticos, 1975. Schiller, Ferdinand Canning Scott (1864-1937) Teórico inglês do pragmatismo. Influenciado com Alfred Sidgwick. Colabora na obra introdutória do pragmatismo em Inglaterra, Personal Idealism, de 1906. Defende a partir de 1903 um pragmatismo integral que denomina humanismo ·Riddles of the Sphinx Londres, 1891. ·Humanism Londres, 1907. ·Formal Logic Londres, 1912. ·Logic for Use Londres, 1929 Schiller, Friedrich von (1759-1805) Uma das figuras do movimento Sturm und Drang. Companheiro e amigo de Goethe. Proclama que "a única coisa que torna poderoso aquele que manda é a obediência daquele que obedece" Schlegel, August-Wilhelm Von (1767-1847) Romântico alemão da chamada escola de Jena. Considerado o corifeu da nova escola (Heine). Professor de literatura e tradutor de Shakespeare. Celebrizado por conferências proferidas em Berlim em 1801, 1802, 1803, onde defende o sentimento da nostalgia. Até então, Berlim era a central do racionalismo. Relaciona-se com Mme Stael. Em 1827, reconhece, pensando no Estado à imagem e semelhança da nação, que o mesmo não é um mero conceito, mas antes uma ideia dinâmica, defendendo, para a Alemanha, um Estado‑Orgânico de confissão cristã. Schlegel, Friedrich Von (1772-1829) Irmão de August-Wilhelm Schlegel, com quem lança, em Berlim, a revista Athenaeum, de 1798-1800. Passa por Jena em 1796, onde contacta com Fichte, e por Berlim, em 1797, onde se relaciona com Schleiermacher e Novalis. Vive em Paris entre 1802 e 1804. Aqui contacta com a obra do nosso Camões, que traduz, e dedica-se a estudos sobre o orientalismo. Estaciona em Colónia a partir de 1808, onde se converte ao catolicismo. Nesse mesmo ano publica em Paris no ano de 1808 Sobre a Língua e a Sabedoria dos Hindus. Instala-se em Viena a partir de 1809, onde se torna num dos mais marcantes intelectuais católicos. Entra ao serviço do governo austríaco e chega a participar no Congresso de Viena de 1815. Defende, contudo, a independência da Igreja face ao Estado, ao contrário da proposta dos ultras franceses, que propunham a aliança do trono e do Altar. Chega a ser condecorado pelo Papa. No plano das propostas políticas, defende que a representação não deve vir da eleição e assume-se como contrário à separação entre o poder executivo e o poder legislativo. Considera que há um processo evolutivo do político que passa pelo despotischer Antistaat e pelo Quasistaat antes de se atingir o Staat, identificado como o idela de Estado. Um dos principais representantes do romantismo político alemão. Define o romantismo como um desejo revolucionário de realizar o reino de Deus. Defende aquilo que qualifica como um pensar divinatório, considerando que é preciso que exista uma nova mitologia, mas ela deve estar ao serviço das ideias, deve tornar-se numa mitologia da razão. 1796 Uber den Begriff des Republikanismus 1808 Uber Sprache und Weisheit der Indier (Sobre a língua e a sabedoria dos índios), 1828 Philosophie des Lebens 1828 Philosophie der Geschichte 1829 Philosophie der Sprache und des Wortes Schleiermacher, Friedrich E. D. (1768-1834) Friedrich Ernst Daniel Schleiermacher. Fundador da teoria alemã da linguagem. Nasce em Breslau. Educado pelos irmãos morávios e pregador em Berlim entre 1796 e 1802, quando entra em relação com Fichte e Friedrich Schlegel. Assume uma postura dita ideal-realista, defendendo a unidade entre o sujeito e o objecto. Reage contra o teísmo, considerando que Deus não é pensável fora do mundo, bem como contra o panteísmo, dizendo que não há identidade entre Deus e o mundo, numa posição qualificada como panenteísmo. Schlesinger Jr., Arthur M. (n. 1917) Historiador, professor em Harvard e jornalista político. Vence por duas vezes o prémio Pulitzer. Assessor de John Kennedy. Depois da morte deste passa a professor da City University de Nova Iorque. 1933 The Rise of the City Nova Iorque, Macmillan, 1933. 1945 The Age of Jackson Boston, Little, 1945. 1957 The Age of Roosevelt 1957-1960. 2 vols 1966 A Thousand Days. John F. Kennedy in the White House 1966. 1967 The Bitter Heritage. Vietnam and American Democracy Boston, Houghton Mifflin, 1967. 1973 The Imperial Presidency Boston, Houghton Mifflin, 1973 Trad. fr. La Présidence Impériale, Paris, PUF, 1976. Schlesinger, J. A. Ambition and Politics. Political Carreers in the U.S.A., Chicago, Rand MacNally & Co., 1966. Schleswig-Hollstein O Schleswig-Hollstein, de população maioritariamente alemã, fora atribuído pelo Congresso de Viena, de 1815, como possessão pessoal do rei da Dinamarca. Em 1848, dá-se uma revolta da população rejeitando a tentativa de imposição de leis dinamarquesas ao território; a Prússia invade o território e a guerra entre a Dinamarca e a Prússia só termina em 1850 pela mediação das grandes potências que favoreceram as posições dinamarquesas. Em 1863, nova tentativa militar dinamarquesa de imposição das suas pretensões face aos ducados. Reacção conjunta da Áustria e da Prussia e derrota dinamarquesa, confirmada pelo Tratado de Viena de 30 de Outubro de 1864. O Norte do Schleswig vai entretanto regressar à Dinamarca depois de um plebiscito em 1920. Schlick, Moritz (1882-1936) Filósofo alemão. Um dos fundadores do movimento neopositivista do Círculo de Viena. Autor de Allgemeine Erkenntnisslehre. Schlözer, A. L. von (1735 - 1809) –Estado como máquina, 29, 187 –Sociedade civil, 49, 303 "a mais instrutiva maneira de tratar a teoria do Estado é tratar o Estado como uma máquina artificial, inteiramente composta por partes reunidas, que tem de operar para um fim definido". vai distinguir entre o Estado (Staat) da sociedade civil (die bürgerlich Gesellschaft) ·Theorie der Staatistik (Göttingen, 1804). Schlözer, C. Von (1774 - 1831) 1795 ·De jure suffragii in societate aequali Göttingen, 1795. 1802 ·Primae lineae scientiarum politicarum Moscovo, 1802. Schmidt, Helmut (n. 1918) Chanceler alemão que em 1975 sucede a Willy Brandt, de quem era ministro das finanças. Assumindo uma posição moderada, próxima dos liberais, chega a inspirar na época o nascente Partido Popular Democrático de Francisco Sá Carneiro. Schmitt, Carl (1888-1986) Autor alemão. Um dos principais teóricos políticos do século XX. Em 1927, na obra Der Begriff des Politischen, defende que a essência do político reside na distinção amigo/ inimigo. os conceitos políticos mais fecundos não passarem de conceitos teológicos secularizados O soberano, como vai dizer Carl Schmitt, é aquele que decide numa situação excepcional. refere, aliás, a existência de quatro tipos de Estado, conforme o domínio das quatro funções clássicas: o Estado Legislador, o Estado Governamental (com predomínio do executivo), o Estado Administrador (onde domina a burocracia) e o Estado Jurisdicional (onde predomina a magistratura). Considerando que o Estado Total não se desinteressa de nenhum sector da realidade e, potencialmente, abraça‑os a todos, chega mesmo a proclamar que nele tudo é político, pelo menos virtualmente. Exige, inclusive, uma distinção entre legitimidade e legalidade. Se a primeira tem a ver com o poder em contacto directo com as realidades da vida nacional, a segunda é uma noção puramente racionalista que permite aos governantes conservar o seu título no exercício do poder, mesmo que a respectiva actividade não encontre nenhuns fundamentos nas aspirações da colectividade. Exigir‑se‑ia, portanto, o restabelecimento de uma ligação directa entre o poder e a ideia de direito, o que implicaria a negação da legalidade. Para Schmitt do carácter conceptual do político decorre o pluralismo do mundo dos Estados. A unidade política pressupõe a possibilidade real do inimigo e, portanto, outra unidade política coexistente com a primeira. Por isso, na Terra, enquanto existir um Estado, existirão sempre mais Estados e não pode existir um “Estado” mundial que compreenda toda a Terra e toda a humanidade. Schmitt, noutro lugar, considera que a guerra é a essência de todas as coisas e que a natureza da guerra total determina a natureza e a forma do Estado totalitário. Schmitt, marcado por muitas das teses de Max Weber, assume posições frontalmente contrárias às teses de Kelsen, nomeadamente em Verfassungslehre, de 1928, criticando o facto do jurista austríaco ver na constituição apenas o elemento normativo do direito, sem notar que ela revela a ordem concreta que origina a própria existência política do Estado, onde o poder constituinte emana da vontade de um sujeito concreto que é o povo-nação. Retomando Hegel e Savigny, contra o juridicismo e o normativismo, proclama que a constituição, em vez de exprimir o dever-ser de uma exigência racional pura é uma realidade viva e histórica, a manifestação de uma vontade e o reflexo do espírito do povo. É a decisão total, nascida normativamnete do nada, sobre a forma e a maneira da unidade política, uma decisão que procede de uma autoridade ou de um poder politicamente existente: toda a unidade política existente tem o seu valor e a justificação da sua existência, não na justiça ou na eficiência de normas, mas na sua existência. Tudo o que existe com dimensão política, traz, dentro de si, juridicamente falando, a razão da sua existência[1] O mesmo Schmitt, em Der Nomos der Erde, de 1950, retoma o conceito grego de nomos basileus, considerando que a ocupação da terra é o nomos fundamentador do direito, o acto originário do mesmo, tanto em sentido histórico como em sentido lógico, fundamentando o direito face ao exterior (apropriação da terra por uma potência, face a outras, também ocupantes ou possuidoras de terra) e face ao interior (repartição da terra dentro do grupo dominante). Por causa disto, o direito vive em fluência permanente, vive sempre em função de uma relação de poder. 1922 Die Diktatur Nova ed. Munique/Leipzig, 1928 Trad. cast. La Dictatura, Madrid, Revista de Occidente, 1982. 1922 Politische Theologie. Vier Kapitel zur Lehre von der Souveränität Munique-Leipzig, Duncker und Humblot, 1922. 1922 Politische Theologie. II - Die Legende von der Erledigung Jeder politischen Theologie 1969 cfr. trad. fr. Théologie Politique, Paris, Éditions Gallimard, 1988. Ver a trad. fr. Théologie Politique. 1922, 1969, trad. fr., Paris, Éditions Gallimard, 1988. 1923 Die geistesgescichtliche Lage des heutigen Parlamentarismus Munique/ Leipzig Trad. ing. de Ellen Kennedy, The Crisis of Parliamentary Democracy, Cambridge, Massachussetts, MIT Press, 1985. 1925 Politische Romantik Munique Cfr. última ed. revista pelo autor, Berlim, Duncker und Humblot, 1968 Trad. fr. Romantisme Politique, Paris, Éditions Valois, 1928. 1925 Romischer Katholizzismus und politische Form Munique, 1925 Trad. port., Catolicismo Romano e Forma Política, Lisboa, Huguin, 1998 1927 Verfassungslehre 1927 Trad. cast. Teoria de la Constitucion, Madrid, Revista de Derecho Privado, 1934; e Madrid, Alianza Editorial, 1982äVerfassungslehre. 1927 Volksentscheid und Volksbegehren Berlim-Leipzig, De Gruyter, 1927. 1927 Der Begriff des Politischen Munique-Leipzig, Duncker und Humblot, 1932 Cfr. 1ª ed., in Archiv fur Sozial Wissenschaft und Sozial Politik, 1927 Última ed. revista pelo autor, Berlim, Duncker und Humblot, 1963 Trad. fr. Considérations Politiques, Paris, Librairie Générale du Droit et de la Jurisprudence, 1942 Trad. fr. La Notion du Politique. Théorie du Partisan, Paris, Éditions Calmann-Lévy, 1972 The Concept of the Political, Georges Schwab, trad., Leo Strauss coment., Rutgers University, 1976 1929 Das Zeitaltur des Neutralieserung und Entpolitisierung Trad. fr. Aux Confins de la Politique ou l'Age de la Neutralité, 1942. 1929 Der Huter der Verfassung Berlim, Duncker und Humblot, 1929 Trad. cast. La Defensa de la Constitución. Estudio Acerca de las Diversas Especies y Posibilidades de Salvaguardia de la Constitución, Barcelona, Ediciones Labor, 1931 e Madrid, Tecnos, 1983. 1932 Legalität und Legitimität Munique-Leipzig, Duncker und Humblot, 1932 Trad. fr. Legalité et Legitimité, Paris, Librairie Générale du Droit et de la Jurisprudence, 1932 Trad. cast. Legalidad y legitimidad, Madrid, Ediciones Aguilar, 1968. 1933 Staat, Bewegung, Volk. Die Dreigliedrung der politischen Einheit Hamburgo, Hanseatische Verlagsanstalt, 1933. 1934 Staatsgefüge und Zusammenbruch des zweiten Reiches Hamburgo, Hanseatische Verlagsanstalt, 1934. 1937 ”I Principii Politici Odierni della Filosofia Giuridica in Germania In Riv. Int. Di Fil. Del Diritto, 1937. 1938 Der Leviathan in der Staatslehre des Thomas Hobbes 1938. 1940 Positionen und Begriffe Hamburgo, Hanseatische Verlagsanstalt, 1940. 4Beneyto, Juan, Teologia Política como Teoría Política. Teoria del Estado de Carl Schmitt, Madrid, 1983. 4Iribarne, Manuel Fraga, Carl Schmitt. El Hombre y su Obra, Madrid, 1962. 4Kervégan, J. -F., Hegel, Carl Schmitt. Le Politique entre Spéculation et Positivité, Paris, Presses Universitaires de France, 1992. 4Morodo, Raúl, Críticos de la Democracia y Anunciadores de la Revolución Nacional. Carl Schmitt y Oswald Spengler, Madrid, 1987. Schmoller, Gustav Von (1838-1917) Economista. Membro da Escola Histórica e do socialismo catedrático. É um dos principais inspiradores do Manifesto de Eisenach. Schnapper, Dominique 1990 La France de l’Intégration. Sociologie de la Nation en 1990 Paris, Éditions Gallimard, 1991. 1994 La Communauté des Citoyens. Sur l’Idée de Nation Paris, Éditions Gallimard, 1994. Schnapper, M. B. New Frontiers of Knowledge Washington, Public Affairs Press, 1957. Org. Schneider, Bertrand 1985 La Révolution aux Pieds Nus Paris, Librairie Arthème Fayard, 1985. 1991 The First Global Revolution. A Report by the Council of the Club of Rome [1ª ed., 1991], Londres, Simon & Schuster, 1992. Com Alexander King. Scholter, Ilda, ed., Political Stability and Neo-Corporatism, Nova York, 1987. Schopenhauer, Arthur (1788-1860) Filósofo alemão. Marcado pelo idealismo voluntarista e pelo chamado pessimismo. Influencia o nosso Antero de Quental. Schotten, Peter M., Magastadt, Thomas, Understanding Politics. Ideas, Institutions and Issues, 4ª ed., Nova York, Saint Martin’s Press, 1995. Schram, S. Mao Tse-Tung Harmondsworth, Penguin, 1967 The Political Thought of Mao Tse-Tung Nova Iorque, Praeger, 1969 Mao Tse-Tung Unreheardsed Harmondsworth, Penguin, 1974. Org. The Thought of Mao Tse-Tung Cambridge, Cambridge University Press, 1989 Schramm, W. The Process and Effects of Mass Communication, Urbana, University of Illinois Press, 1954. Schrems, John J. Principles of Politics. An Introduction, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1986. Schroeder, Ernesto Driesel (1850-1942) Presidente da Associação Comercial de Lisboa. Vice-governador do Banco de Portugal. Administrador da Companhia de Caminhos de Ferro. Ministro da fazenda de João Franco, de 19 de Maio de 1906 a 2 de Maio de 1907. Acusado pelos republicanos de ser austríaco. Schultz, Arnaldo Ministro do Interior do salazarismo de 25 de Novembro de 1958 a 4 de Maio de 1961. Governador da Guiné, antes da chegada de Spínola. Schumacher, Ernst Fritz (1911-1977) Economista alemão. Formado em Oxford, vive na Inglaterra e nos Estados Unidos, a partir dos anos quarenta. Converte-se ao budismo em 1955, depois de visitar a Birmânia. Passa a assumir-se, nos anos setenta, como um dos teóricos do ecologismo. 1973 Small is Beautiful. Economics as if People Mattered Nova York, Harper & Row, 1973. Schumacher, Kurt (1895-1952) Social-democrata alemão. Inspira-se em Fichte e Lassalle. Deputado em 1930. Preso durante todo o período nazi. Reconstrói o SPD depois de 1945 na zona ocidental da Alemanha, assumindo um vigoroso anticomunismo. Schumaker, Paul D., Critical Pluralism, Democratic performance and Community Power, Lawrence, University of Kansas Press, 1991. ¾ , Kiel, Dwight, Heilke, Thomas, Great Ideas/Great Schemes. Political Ideologies in the Nineteenth and Twentieth Centuries, Nova York, MacGraw-Hill, 1996. Schuman, Robert (1886-1963) Democrata-cristão francês, dirigente do MRP; natural da Lorena, fez os seus estudos de direito em Estrasburgo e na Suíça; deputado por Metz em 1919; foi subsecretário de Estado para os refugiados de Março a Julho de 1940, nos governos de Paul Reynaud e de Pétain; preso pela Gestapo, evadiu-se da Alemanha em 1942; participou desde então na Resistência; ministro das Finanças, logo em Junho de 1946, assumiu a chefia do governo francês em Novembro de 1947, até Julho de 1948, data em que passou a ocupar o ministério dos negócios estrangeiros, sucedendo aqui a Georges Bidault; mantém-se nestas funções até 1953; enquanto presidente do conselho enfrente as greves promovidas pelos comunistas contra o Plano Marshall; em 9 de Maio de 1950 lança a ideia de constituição da CECA; presidente a Assembleia europeia de Estrasburgo de 1958 a 1962. O discurso de Schuman (1950) Coloca-se, no entanto, e muito justamente, como pedra fundamental de todo o processo o célebre, discurso de Robert Schuman de 9 de Maio de 1950, proferido no salon de l'Horloge do Quai d'Orsay, quando o então ministro dos negócios estrangeiros de França, por sugestão de Jean Monnet, propôs o estabelecimento de uma união entre a França e a Alemanha para a gestão comum do carvão e do aço, aberta a outros Estados europeus. Como significativamente proclama Roger Massip, Neste dia a Europa nasceu. É, com efeito, a partir de tal discurso que vão nascer as Comunidades europeias: primeiro a CECA, pelo Tratado de Paris de 1951; depois, a CEE e a CEEA, pelo Tratado de Roma de 1957, aquelas Comunidades Europeias que, depois de unificadas numa Comunidade Europeia, constituem hoje um dos três pilares da União Europeia. Mas as histórias oficiosas da eurocracia, normalmente embrulhadas numa visão meio épica e meio tecnocrática, não resistem a uma análise realista de todo o processo de integração europeia. Com efeito, a Europa das Comunidades começou por ser um simples tratado de paz franco-alemão a que aderiram os três países do Benelux, tradicionais campos de batalha das potências do Reno, juntamente com a Itália, sucessivamente aliada da França e da Alemanha nas duas anteriores guerras mundiais. Isto é, a construção da Europa das Comunidades assentou nas nações europeias que mais sofreram com a segunda guerra mundial: uma Alemanha derrotada e dividida e uma França que se tentou, com De Gaulle, assumir o estatuto de vencedora, não conseguiu, apesar de tudo, apagar o labéu do colaboracionismo, pelo que nem sequer pôde subscrever as novas Tordesilhas do mundo, em Yalta, quando os USA e a URSS adquiriram o estatuto de superpotências. Uma Europa a que, muito a custo, pôde aderir a Grã-Bretanha, dado o veto francês, e que, quando se alargou às nações menos desenvolvidas do Sul e do Sudoeste, logo proclamou a tese da Europa a duas velocidades. Com efeito, durante muito tempo, algumas teses francesas tentaram considerar os Pirinéus como limite sudoeste da Europa e dos mesmos sectores veio o estímulo para que Marrocos e a Tunísia solicitassem a adesão à CEE, o que, definitivamente, descaracterizaria a Europa, desvalorizando a adesão de Portugal e da Espanha. Não se pense que a construção de uma entidade europeia era uma coisa pacífica. Quem percorrer as discussões dos Encontros Internacionais de Genebra deparará com posições de oposição irredutível ao processo por parte de certos intelectuais europeus. Jean Wahl dizia expressamente: não creio na entidade da Europa, e censuro-me por vezes por isso. Creio que a Europa é uma pseudo-ideia, que a Europa não pode viver sem os outros continentes e que se trata do continente mais difícil de construir. Talvez só se possa construir quando o mundo estiver construído também. Voltemos aos pais-fundadores do projecto europeu do pós-guerra, principalmente à dupla Schuman-Monnet instituidora do modelo da CECA. Sobre a respectiva atitude, no ano de 1950, talvez já tenham sido escritas todas as frases possíveis. Contudo, os respectivos desígnios continuam a servir de pretexto para as mais contraditórias interpretações. Podemos, no entanto, detectar um certo consenso dos que pensam de forma racional e justa em torno do respectivo discurso se distinguirmos entre a ideia de Europa que os anima e a metodologia de que se socorrem. A ideia andava no ar. Schuman, numa reunião do comité central do MRP, em 26 de Março de 1950, referia a necessidade de integrar a regulação das relações franco-alemãs no âmbito de uma comunidade europeia. Contudo, o presidente do conselho francês, Georges Bidault, que fora responsável pela pasta dos estrangeiros durante quatro anos, parecia adoptar uma postura mais atlantista do que europeísta. Num discurso pronunciado em Lyon, a 16 de Abril de 1950, propunha um Alto Conselho do Atlântico para a paz, restrito às grandes potências, que seria encarregado de coordenar os esforços dos USA e da Europa nos planos da defesa, da economia e da própria política. As palavras de Schuman, proferidas em 9 de Maio de 1950, estavam aliás pressionadas pelo calendário. Com efeito, havia sido marcada para os dias 11 e 12 uma reunião entre os ministros dos estrangeiros norte-americano, francês e britânico sobre a questão alemã, e para o dia 18, agendada uma reunião do conselho ministerial da NATO. Os norte-americanos também pressionavam os franceses. No mês anterior, Dean Acheson, convidara a França a tomar uma posição sobre a integração da Alemanha na Europa ocidental e já em Setembro de 1949, o mesmo Acheson havia declarado que, no que diz respeito à Alemanha, creio que devemos deixar à França a liderança. O discurso de Schuman de 9 de Maio de 1950 obedeceu a um esquema de planeamento de operações de carácter quase militar. Em primeiro lugar, havia uma questão de agendas. Com efeito, para esse mesmo dia 9 de Maio, estava marcadas para a parte da manhã, reuniões dos conselhos de ministros em Paris e Bona. Para os dias 11 e 12 de Maio, em Londres, uma reunião dos ministros dos estrangeiros norte-americano, francês e britânico sobre a questão alemã. Para o dia 18, uma reunião do conselho ministerial da NATO. Jean Monnet, com a colaboração de Pierre Uri, Étienne Hirsch e Paul Reuter, tinha elaborado um plano que no dia 1 de Maio era já aprovado por Robert Schuman. No sábado, dia 6 de Maio, já o documento adquire forma definitiva. Tomam então conhecimento do mesmo os Ministros da Justiça, René Mayer, que há-de ser o sucessor de Monnet na Alta-Autoridade, e o Ministro do Ultramar, René Pleven. Domingo, dia 7: o secretário-geral do ministério dos estrangeiros, Alexandre Parodi, é posto ao corrente do processo. Do mesmo modo, Dean Acheson, que fazia escala em Paris, é informado por Monnet do projecto em curso. Segunda-feira, dia 8: parte para Bona um enviado especial de Schuman, Michlich. Terça-feira, dia 9: na parte da manhã reúnem os conselhos de ministros da França e da RFA. O chefe de gabinete de Adenauer, Blankehorn, interrompe o conselho e entrega a Adenauer as cartas de que era portador Michlich. Já passava do meio-dia quando Clappier recebe comunicação de Bona com o assentimento de Adenauer ao projecto. É só então que Schuman desvenda o segredo aos restantes ministros. Os jornalistas são convocados para as 18 horas, para aquilo que deveria ser anunciado de maneira espectacular. Durante a tarde recebem-se os embaixadores dos países europeus. Um jornalista pergunta a Schuman:Então, é um salto no desconhecido? e este responde: É isso, um salto no desconhecido. Nesse dia, o embaixador da França em Londres, René Massigli, é recebido no Foreign Office por Bevin. Attlee estava fora das ilhas britânicas, em férias. No dia 10, reunia-se a conferência dos Três em Londres sobre a questão alemã. O partido liberal propõe a participação britânica. Os conservadores, através de um discurso de Anthony Eden, recomenda idêntica atitude. Mas a imprensa, do Times ao Daily Express, teme a palavra federação e receia pelo fim da independência britânica. No dia 11 de Maio, quinta-feira, aqueles que virão a ser os seis Estados Membros aprovavam o plano de Schuman e não é por acaso que nesse mesmo dia se instituia o partido de Adenauer, a União Cristã-Democrática. Attlee faz um discurso nos Comuns onde saúda a reconciliação franco-alemã, mas deseja que se proceda a um exame aprofundado das implicações económicas. Nesse mesmo dia, o então Primeiro-Ministro britânico, o trabalhista Clement Attlee tem uma resposta cuidadosa. Se felicita a iniciativa francesa, dado pôr fim a um conflito secular com a Alemanha, não deixa de referir que a mesma teria de ser objecto de uma reflexão cuidadosa. Nos dias 14 e 19 de Maio, Monnet desloca-se a Londres, acompanhado por Hirsch e Uri. procurando convencer o governo britânico, principalmente através de Sir Plowden, o responsável pelo Plano, Em França, vários grupos se opõem ao projecto, de gaullistas (RPF) a comunistas. O próprio De Gaulle, em discurso proferido em Metz, no dia 19 de Maio de 1950, proclama expressamente on propose en méli-mélo de charbon et acier sans savoir où l'on va aller en invoquant un combinat quelconque. A CGT fala no plano como um atentado à soberania nacionalO governo britânico toma posição formalmas a posição formal do governo de Sua Majestade, do dia 31, não é esperançosa: deseja participar nas negociações, mas sem se comprometer com os princípios da mesma. Em 3 de Junho surgia um comunicado, emitido simultaneamente nas capitais dos seis, onde se proclama que tais governos decididos a prosseguir uma acção comum de paz, de solidariedade europeia e de progressos económicos e sociais, consideram como objectivo imediato a colocação em comum das produções de carvão e de aço e a instituição de uma Alta Autoridade nova cujas decisões ligarão a França, a Alemanha, a Bélgica, a Itália, o Luxembrugo, a Holanda e os países que a tal aderirem. Contudo, no dia 3 de Junho o Reino Unido recusa aderir à CECA. Queria continuar a privilegiar os laços que o ligavam aos USA e não queria abdicar do modelo da Commonwealth. Pela mesma altura, a direcção do Labour emite um documento onde expressamente rejeita qualquer espécie de autoridade suprancional. Aí pode ler-se aliás que estamos mais próximos da Austrália e da Nova Zelândia que da Europa pela língua, as origens, os costumes, as instituições, as concepções políticas e os interesses. Depois, Mac Millan, algumas semanas depois, em pleno Conselho da Europa, tenta ainda propor uma forma de associação menos profunda e mais centrada sob o controlo do Conselho da Europa. Não tarda que Attlee venha a criticar o carácter não democrático e irresponsável da Alta-Autoridade Em 20 de Junho começavam no Quai d'Orsay as conferências dos seis, sob o impulso de Schuman e Monnet, visando instituir a comunidade do carvão e do aço. Conforme os europeístas de então, visava-se a criação de uma autoridade supranacional de competência limitada mas com poderes efectivos. A delegação francesa era presidida por Monnet e a alemã por Walter Hallstein. Monnet declara então: trata-se de levar a cabo uma obra comum, não de negociar vantagens, cada um deve procurar a sua vantagem na vantagem comum. Se discutimos enquanto entidades nacionais, os rancores de outrora reaparecerão; é somente na medida em que eliminarmos das nossas discussões o sentimento particularista que uma solução poderá ser encontrada. Contudo, alguns dias depois, a 25 de Junho, iniciava-se a Guerra da Crimeia, circunstância que vinha valorizar a posição alemã. A construção da Europa se para uns seria uma terceira-força entre russos e americanos. Não seria apenas mera consequência do Plano Marshall? A Europa consequeência da OECE?Em 7 de Julho os países beneficiários do Plano Marshall instituíam uma União Europeia de Pagamentos, que vai durar até 1959, constituindo um sistema de compensações multilaterais, a fim se substituir o sistema de compensações bilaterais de dívidas e créditos. Schumpeter, Joseph Aloys (1883-1950) Economista checo, nascido na Morávia. Forma-se em Viena e torna-se professor na universidade de Groz, a partir de 1911. Ministro das finanças austríaco em 1919-1920, enquanto membro do partido social-cristão, depois de ter sido simpatizante do austromarxismo. Retoma o ensino em Bona, de 1925 a 1932, data em que emigra para os Estados Unidos da América, ensinando economia em Harvard, até 1950. Começou como simpatizante do austro-marxismo. Democracia como luta competitiva Considera que a democracia se aproximava da luta competitiva, nomeadamente por causa do método eleitoral. Escolas que acentuam a perspectiva do individualismo metodólogico na análise dos processos de decisão colectiva, criticando o holismo das escolas sistémicas e funcionalistas Ciclos negociais Elabora a teoria dos business cycles, referindo que depois do ciclo da Revolução Industrial (1787-1843), marcado pelos negócios do algodão, do aço e do vapor, seguiu-se o ciclo burguês, até 1897, marcado pelo caminho de ferro, atingindo-se finalmente o ciclo neomercantilista, marcado pela electricidade, pela química e pelo automóvel. 1911 Theorie der wirtschaftlichen Entwicklung Trad. ingl., The Theory of Economic Development, Cambridge, 1934. Trad. cast. Teoría del Desenvolvimiento Económico, México, Fondo de Cultura Económica, 1944. 1912 Economic Doctrine and Method Londres, Alen and Unwin, 1954. O original alemão Epochen der Dogmen und Methodengesichte foi publicado em 1912.. 1919 The Sociology of Imperialism In Imperialism and Social Classes, org. de Paul Sweezy, Nova Iorque, Augustus M. Kelley, 1951. Nova ed., Imperialism and Social Classes. Two Essays, trad. Ingl. De Heinz Norden, Nova Iorque, World, 1955. O original alemão foi publicado em 1919 e 1927, no Archiv fur Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, de Tubinga. Trad. fr. Impérialisme et Classes Sociales, Paris, Éditions de Minuit, 1972]. 1928 Die Krise des Steurstaats Leipzig, 1928 1939 Business Cycles. A Theoretical, Historical and Statistical Analysis of the Capitalist Process Nova Iorque, Mc Graw-Hill, 1939. 2 vols. 1942 Capitalism, Socialism and Democracy Nova York, Harper & Row, 1942 Trad. fr. Capitalisme, Socialisme et Démocratie, Paris, Librairie Payot, 1969 Trad. Port. Capitalismo, Socialismo e Democracia, Rio de Janeiro, Zahar, 1983 1954 History of Economic Analysis Londres, George Allen & Unwin, 1954 4Bessa, António Marques, Quem Governa? Uma Análise Histórico-Política do Tema da Elite, Lisboa, ISCSP, 1993, pp. 275 segs.. 4Denis, Henri, História do Pensamento Económico, trad. port., Livros Horizonte, 1973, pp. 557 ss.. Schutz, Alfred 1932 The Phenomenology of the Social World Trad. Port. Fenomenologia e Relações Sociais, Rio de Janeiro, Zahar, 1979, segundo a ed. de Londres, Heinemann, 1972 1962 Colected Papers 3 vols., Haia, Martinus Nijhoff, 1962-1966 1974 The Structures of the Lifeworld Londres, Heineman, 1974. +Thomas Luckmann Schwartz, D. C., Political Alienation and Political Behavior, Chicago, Aldine de Gruyter, 1973. Schwartz, Herman M., States Versus Markets, Nova York, Saint Martin’s Press, 1994. Schwartz, Joseph, The Permanence of the Political. A Democratic Critique of the Radical Impulse to Transcend Politics, Princeton, Princeton University Press, 1995. Schwartz, Michael, ed., The Structure of Power in America, Nova York, Holmes & Meier, 1987. Schwartz, William A., Derber, Charles, Magrass, Yale, Power in Highest Degree, Oxford, Oxford University Press, 1990. Schwartzenberg, Roger-Gérard (n. 1943) Politólogo francês que, nos anos setenta, elabora brilhantes sínteses pedagógicas, principalmente quanto à recepção do sistemismo norte-americano, tendo influenciado a exposição das matérias de ciência política em Portugal nessa mesma década. As suas obras foram quase imediatamente traduzidas para português. Oriundo do trotsquismo, assume-se como radical de esquerda. Secretário de Estado do Ministério da Educação Nacional em 1983-1984. Secretário de Estado das Universidades em 1984-1986. Deputado no Parlamento Europeu de 1979 a 1983. Deputado desde 1986, assumindo a presidência do Groupe Radical, Citoyen et Vert. 1971 Sociologie Politique. Élements de Science Politique 3ª ed., Paris, Éditions Montchrestien, 1977 Trad. port. Sociologia Política. Elementos de Ciência Política, Rio de Janeiro, Edições Difel, 1979 1977 L’État Spectacle. Essai sur et contre le Star System en Politique Paris, Éditions Flammarion Trad. port. O Estado Espectáculo, Rio de Janeiro, Edições Difel, 1978 1998 La Politique Mensonge Paris, Odile Jacob, 1998 Schwarzenberger, Georg Power Politics. A Study of International Society, Nova York, Praeger Press, 1951. Schweinitz, Karl Industrialization and Democracy, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1964. Schweitzer, Albert (1875-1965) Alemão, teólogo, músico, médico e missionário no Gabão, recebe o Prémio Nobel em 1952. Schwyz Um dos quatro cantões fundadores da Confederação Helvética em 1291, mantendo-se católico depois da Reforma. Tendo resistido em 1798 às tropas francesas, é então suprimido. Apenas restaurado em 1803, pelo Acto de Mediação. Science of politics Segundo Eric Voegelin é igual à filosofia política, uma espécie de ciência arquitectónica da política que teria como auxiliar uma ciência política com minúsculas, isto é, aquilo que fazem os politólogos, actividade que alguns invocados filósofos políticos restringem à mera ciência empírica da política. É a zona típica da filosofia e que, no domínio dos estudos da política, corresponde à filosofia política, mesmo quando esta se designa por science of politics. É esta a chamada zona superior (noeta) de Platão onde domina a razão intelectiva, onde a coisas inteligíveis são as coisas invisíveis, as coisas superiores, a que apenas pode aceder-se pela contemplação intelectiva. Scott, Allen J., Technopolis, Berkeley, University of California Press, 1993. Scott, James C., Comparative Political Corruption, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1972. Domination and the Arts of Resistance. Hidden Transcripts, New Haven, Yale University Press, 1990. Scott, R., Organizations, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1981. Scottus, Duns (1265-1308) Estuda em Oxford. Ensina em Oxford e Palermo. Banido de França em 1304, depois de um conflito com Filipe o Belo. Autorizado a voltar a Paris em 1305. Passa para Colónia em 1307. Considera que tal como Deus tem uma potentia absoluta, assim os senhores temporais, como os reis, à imagem e semelhança de Deus, também possuem um poder absoluto que pode ir além da lei e até contra a lei. Neste sentido, Calvino vai também considerar que o poder absoluto de Deus se traduz numa faculdade soberana de criação do direito. assumindo o primado da vontade sobre o intelelecto e, deste modo, retomando algumas das pistas anteriormente lançadas por Santo Agostinho, salienta que a mesma vontade, na sua potentia ordinata, está limitada pela lei, mas, na sua potentia absoluta, pode actuar de facto, contra a lei, embora de iure esteja por ela vinculada. Conclui, deste modo, que a potentia absoluta e a potentia ordinata apenas divergem para aquele que está submetido a uma lei superior. Se em Deus não há nenhuma lei superior, é a sua vontade que cria toda a lei. Assim, na sua actuação, não há divergência entre os dois poderes, porque toda a respectiva actuação é sempre justa e ordenada (as regras do governo divino do mundo estão determinadas mais pela vontade do que pela sabedoria de Deus). Em Deus, o poder e a justiça coincidem. A justiça de Deus tem a mesma extensão que o poder absoluto de Deus, embora a mesma vontade de Deus esteja vinculada à essência divina e às leis da lógica. E só o Decálogo tem carácter necessário, constituindo a lei natural em sentido estrito, porque o direito natural em sentido amplo funda-se na vontade de Deus, não se inscrevendo na essência divina. ·De Primo Principio. ·Opus Oxoniense (1305 - 1306). 4Albuquerque, Martim, «O Escotismo Político de Camões», Lisboa, 1981, separata de Brotéria, nº 112, pp. 537-560. 4Gilson, Étienne, Jean Duns Scot, Introduction à ses Positions Fondamentales, Paris, Librairie Vrin, 1952. 4Ribeiro, Ilídio, O Doutor Subtil João Duns Escoto, 1944. 4Gonçalves, Joaquim Cerqueira, «Duns Escoto», in Logos, 2, cols. 189-196. Scruton, Roger (n. 1944) Um dos principais teóricos do conservadorismo britânico, principalmente pela acção desenvolvida à frente da Salisbury Review. Professor de Filosofia em Londres (desde 1971) e em Cambridge (desde 1978). Publica em 1980 The Meaning of Conservatism e em 1988, Conservative Thought. Essays from the Salisbury Review. A Dictionary of Political Thought Trans-Atlantic Publications, Incorporated / September 1996 Conservative Texts: An Anthology (Editor) St. Martin's Press, 1990 The Politics of Culture: And Other Essays Saint Augustine's Press, 1999 An Intelligent Person's Guide to Philosophy Viking Penguin, 1998 Conservative Texts: An Anthology (Editor), St. Martin's Press, 1990 The Meaning of Conservatism Londres, MacMillan, 1980. 2ª ed., St Augustine’s Press, 2000 Edmund Burke: A Genius Reconsidered Russell Kirk, Foreword by Roger Scruton / Intercollegiate Studies Institute, 1997 An Intelligent Person's Guide to Philosophy Viking Penguin, 1999 Modern Philosophy: An Introduction and Survey Allen Lane, 1995 German Philosophers: Kant, Hegel, Schopenhauer, Nietzsche Com Michael Tanner, Christopher Janaway, Peter Albert David Singer, Oxford University Press, 1997 |