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1912 |
Greves, incursões monárquicas e fragmentação do partido-sistema
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Agitações rurais no Alentejo promovidas por Carlos Rates.
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Sem Deus nem religião –
Manifestação de protesto contra o governo junto ao Patriarcado de Lisboa, então
em S. Vicente de Fora (1 de Janeiro). Nova manifestação anti-clerical em Lisboa
promovida pela Associação do Registo Civil com bandeiras onde pode
ler-se Sem Deus nem Religião (14 de Janeiro). Uma delegação dos
manifestantes, dirigida por Magalhães Lima, é recebida por Augusto de
Vasconcelos: o Papa de Roma é apenas o chefe do sindicato católico universal
e não pode ser considerado como um soberano (14 de Janeiro).
Greves em Lisboa de solidariedade com as dos rurais
alentejanos, promovidas pela União dos Sindicatos Operários (de 28 a 30
de Janeiro). Eléctricos que furam a greve são atacados à bomba (29 de
Janeiro). Em Évora, a GNR ataca o sindicato. Declarado o estado de sítio na
capital (30 de Janeiro). Em resposta, decreta-se greve geral, a primeira
do regime, havendo graves incidentes. A turbulência dura até 12 de Fevereiro.
Tareia para cima – A greve
geral deu-me horas de incerteza e de inquietação, mas foi boa porque
permitiu realizar uma limpeza que doutra forma não se realizaria. Tirámos
setecentas e tantas bombas a essa Cambada da Carbonária que ficou quase
completamente desarmada. E agora se se fizerem finos, tareia para cima…(Augusto
Vasconcelos, em carta dirigida a João Chagas).
Repressão – Estabelecido o
regime de censura à imprensa. Novas prisões de sindicalistas e monárquicos.
Entre os detidos, o ex-ministro da monarquia, José de Azevedo Castelo Branco,
bem como o republicano radical, Mário Monteiro, advogado dos conspiradores
monárquicos no Tribunal das Trinas. São deslocadas para Lisboa tropas
estacionadas em Abrantes (30 de Janeiro). Militares e carbonários assaltam a
sede da União de Sindicatos, a chamada casa sindical, sita no Palácio
Pombal, à Rua do Século, à uma hora da noite (31 de Janeiro). Presas 700
pessoas, que são conduzidas de barco para Sacavém, Monsanto e Alto do Duque (31
de Janeiro).
Jobs for the boys – Afonso
Costa é nomeado professor ordinário da Faculdade de Ciências de Lisboa (5 de
Fevereiro).
Bispos de Braga, Portalegre e
Lamego são desterrados por dois anos (12 de Fevereiro).
Quebra da unidade partidária –
Em A República, António José de Almeida considera a União Nacional
Republicana mera aliança parlamentar (17 de Fevereiro) e anuncia a formação
de um Partido Republicano Evolucionista (24 de Fevereiro). Dois dias
depois, Camacho proclama a criação da União Republicana, constituído
definitivamente em 27 de Março. No congresso dos democráticos em Braga não
comparecem camachistas nem almeidistas, sendo reeleito directório afonsista.
Bernardino Machado e Magalhães Lima mantêm-se no partido histórico (26 de
Abril).
Greve da Carris (29 de Maio a
24 de Junho)
O governo pede a demissão face
aos ataques lançados pelos democráticos sobre o ministro do interior Silvestre
Falcão e a ameaça de uma greve geral. Arriaga consulta Camacho, que propõe os
nomes de Basílio Teles e de Duarte Leite. Almeida indica Alves da Veiga, Nunes
da Ponte, Xavier Esteves, Aresta Branco e Pimenta de Castro. Basílio Teles,
convidado para formar governo, através do governador civil do Porto, Sá
Fernandes, volta a recusar e aconselha que se forme um gabinete presidido por
Afonso Costa. Segue-se sondagem a Augusto de Vasconcelos e, finalmente a Duarte
Leite.
Governo nº 59 (16 de Junho)
Duarte Leite Pereira da Silvaö (207 dias,
cerca de seis meses e meio). Gabinete de concentração, com 3 democráticos, 2
unionistas e 2 evolucionistas.
Presidência e Interior: Duarte Leite Pereira da Silva, lente de matemática,
próximo dos unionistas que o hão-de candidatar à presidência da república.
Na justiça, o democrático Francisco
Correia de Lemos (1852-1914). Nas finanças, o unionista e futuro
salazarista, o professor de engenharia António Vicente Ferreira (1874-1953).
Volta à guerra o democrático António Xavier Correia Barreto. Na marinha, o
evolucionista Francisco José Fernandes Costa (1867-1925). Nos negócios
estrangeiros, mantém-se o unionista Augusto César de Almeida Vasconcelos
Correia, que no governo anterior também assumira as funções de presidente do
ministério. No fomento, o evolucionista António Aurélio da Costa Ferreira
(professor de liceu), que tem como chefe de gabinete Alfredo Pimenta,
ex-anarquista e futuro monárquico, então professor no liceu Passos Manuel. Nas
colónias, mantém-se o democrático Joaquim Basílio Cerveira e Sousa de
Albuquerque e Castro.
Evolucionistas marcam agenda –
O evolucionista António Granjo defende a necessidade de uma amnistia. António
José de Almeida clama pela necessidade de realização imediata de eleições
locais.
Segunda incursão monárquica
Segunda incursão de Paiva Couceiro, agora com o apoio do legitimista D. João de
Almeida (Lavradio), antigo oficial austríaco (3 de Julho). Os invasores, cerca
de sete centenas, estão melhor armados e adoptam um claro programa de
restauração monárquica. Juntam no mesmo esforço os manuelistas e os
miguelistas. Depois de uma tentativa de assalto a Valença do Minho, chegam
a atacar Vila Frade. A incursão é acompanhada por sublevações monárquicas em
Azóia, Leiria, Batalha e Fafe. Surgem as guerrilhas do Padre Domingos em
Cabeceiras de Basto (6 de Julho). Paiva Couceiro lança um ataque a Chaves (8 de
Julho), mas é derrotado no dia 9, quando também é preso D. João de Almeida. É
também descoberta conjura monárquica em Évora, dirigida militarmente pelo major
Montez (13 de Julho). Como resposta, serão criados três tribunais militares em
Braga, Coimbra e Lisboa, para julgamento dos conspiradores (16 de Julho). Há
cerca de 274 presos políticos em Junho
Olimpíadas Participação
portuguesa nas Olimpíadas de Estocolmo. Morte do maratonista Francisco
Lázaro, por insolação (3 de Julho).
José Mendes Norton de Matos
(1867-1955) funda no Huambo a cidade de Nova Lisboa (8 de Agosto).
Carlos Rates desloca-se ao
Alentejo em missão de propaganda sindicalista e de inquérito à vida associativa
(29 de Setembro).
Bloco – Uma coligação de
unionistas e evolucionistas (Bloco) elege Macedo Pinto, evolucionista, como
presidente da Câmara dos Deputados. Braamcamp Freire é reeleito presidente do
Senado (2 de Dezembro).
Católicos – Do exílio, o
arcebispo da Guarda, D. Manuel Vieira Matos, convida os católicos a integrarem
uma União Católica, porque urge fazer o que fizeram os católicos alemães.
A carta há-de ser publicada no jornal A Guarda, de 29 do mesmo mês (5 de
Dezembro). Reabre em Coimbra o CADC (8 de Dezembro). Manuel Arriaga escreve a
Duarte Leite propondo indulto aos bispos e a modificação no regime dos presos
políticos. O chefe do governo recusa as sugestões (8 de Dezembro).
perante a Câmara dos Deputados, que o governo deve ter base partidária e assentar numa maioria parlamentar (6 de Janeiro). Entretanto, Arriaga convida António José de Almeida para formar governo. Tem apoio dos camachistas, mas não dos independentes que recusam a respectiva proposta de amnistia. Acaba por desistir (6 de Janeiro).
Saudosismo activo – Criar um
novo Portugal, ou melhor ressuscitar a Pátria Portuguesa, arrancá-la do túmulo
onde a sepultaram alguns séculos de escuridade física e moral, em que os corpos
definharam e as almas amorteceram (Teixeira de Pascoaesö
, in A Águia, nº 1, de Janeiro de 1912).