
Navarro, Emídio Júlio (1844-1905)
Cursa medicina e direito, tendo enveredado pelo jornalismo. Funda com António Ennes o Progresso. Está também na origem do Correio da Noite e de As Novidades (1885). Aqui, tem como continuador Barbosa Colen.
Membro do partido progressista, opõe-se, depois da morte de Anselmo Braamcamp Freire, à eleição de José Luciano, aliando-se a Mariano de Carvalho. Deputado progressista desde 1879.
Ministro das obras públicas, comércio e indústria de José Luciano, entre 20 de Fevereiro de 1886 e 23 de Fevereiro de 1889, período em que tem a viva oposição de Oliveira Martins, até porque recusa hipótese deste constituir um ministério da agricultura.
Embaixador em Paris em 1892.
Tradição e Revolução, vol. I:
1876
Meeting contra o governo no Casino Lisbonense, com republicanos e constituintes, discursando Mariano de Carvalho, Emídio Navarro e João Bonança. Reclama-se sufrágio universal, responsabilidade ministerial e registo civil obrigatório (19 de Março).
1878
Emídio Navarro, então director de O Progresso, em 29 de Janeiro, ataca D. Luís: o chefe de estado trocou a sua alta magistratura pela qualidade talvez mais proveitosa, mas com certeza menos elevada e majestática de chefe do partido regenerador... A coroa demitiu os perseguidores dos ladrões e restaurou nos seus conselhos os protectores e defensores dos delapidadores da fazenda pública.
1886
Cria no MOPCI uma direcção de agricultura, com agrónomos distritais (28 de Julho), circunscrições regionais e um Conselho Superior de Agricultura (9 de Dezembro), visando o chamado fomento rural, bem como os institutos industriais e comerciais de Lisboa e do Porto (30 de Dezembro).
1889
Segundo José Maria de Alpoim, D. Luís, às vezes fazia-se com os ministros contra o Presidente do Conselho. Chegou a andar em confidências com Mariano de Carvalho e Emídio Navarro, mas depois de os largar, voltou-se para o presidente do conselho e disse: olha lá, quando é que tu pões fora estes gatunos? (Raul Brandão).
1903
Em o Novidades, a propósito do assassinato dos reis da Sérvia, ataca a família real: destes acontecimentos há para nós uma lição a tirar: e é que não há povo tão oprimido, tão privado de liberdade, tão caído em vilipêndio que, num momento dado não possa erguer-se, num ímpeto irresistível e desordenado, para vingar a sua ruína e sacudir a afronta da sua opressão
Projecto
CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia.
© José Adelino
Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em:
27-04-2007 ![]()