Neves, Monsenhor Francisco Moreira das (1906-1992)

Subdirector do jornal Novidades até 1974 (colaborador do jornal desde 1934) e um dos directores da editora União Gráfica. Também é um dos principais colaboradores do Cardeal Cerejeira, de quem foi biógrafo. Literato, ficou célebre por um estudo das ideias de Guerra Junqueiro. Autor de Inquietação e Presença, Leiria, 1942, onde descreve a vida de Miguel Sá e Melo, um jovem modernista católico aderente ao fascismo, bem como de Guerra Junqueiro. O Homem e a Morte, Porto, 1942.

Autor do discurso fúnebre de Salazar (30 de Julho de 1970).

Depois de frequentar o Seminário do Porto, recebeu a ordenação presbiteral, em 1929, de D. António Augusto de Castro Meireles. Nos primeiros dois anos paroquiou em Milhundos (terra de D. António Ferreira Gomes) e dedicou-se, em simultâneo, ao apostolado infantil com a fundação do Patronato de Santa Rita de Cássia.

Em 1934 veio para Lisboa para Chefe de Redacção do Jornal «Novidades». Entremeada com o jornalismo, a sua acção sacerdotal dispersa-se pela pregação, conferências e estudos eclesiásticos. Para além das reportagens e dos volumes de prosa e verso são bem conhecidos alguns programas radiofónicos e televisionados.

Em 1946 foi nomeado presidente nacional da Obra de Protecção aos Leprosos e elaborou imensos trabalhos na secção «Letras e Artes» do jornal «Novidades». Faleceu a 31 de Março de 1992 mas deixou saudades e obra. Eis alguns Livros saídos da pena do Pe. Moreira das Neves: «Sonho Azul» (Sonetos - 1931); «Hóstia florida (1936)»; «António Correia de Oliveira – biobibliografia ilustrada (1932)»; «As sete palavras de Nossa Senhora – Poemas Marianos»; «Leal Conselheiro Infantil»; «Inquietação e Presença»; «Mendigo de Deus»; «O Grupo dos Cinco» e «O cardeal Cerejeira (1945-1948)»

Autor de mais de uma centena de obras editadas – com uma pena fecunda e inspirada com prosa e poesia dispersa pelas mais diversas publicações – Moreira das Neves esteve cerca de 50 anos como chefe de redacção do histórico diário católico «Novidades» e foi co-fundador da Rádio Renascença. No «seu» jornal comandou uma verdadeira escola de jornalistas e também um alfobre de autores e artistas da mais consumada e meritória evocação.

Dele escreveu Fernando Namora: “Há no Pe. Moreira das Neves uma árdua militância cultural, mas toda ela voltada para o investimento em valores de uma matriz «exemplar». Como homem das letras em nada se desviou da rota que se impôs, e nunca deu sinais de qualquer ambiguidade. Fez opções e por elas se bateu com argúcia e ardor generoso” ( Luís Filipe Santos, Agência Ecclesia)

 

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 27-04-2007