
1921 Da
falhada alternativa liberal à Noite Sangrenta
Governo
nº 84 (19 de Outubro) de Manuel
Maria Coelho (17
dias). O primeiro gabinete outubrista, apenas apoiado pelos populares ligados
a Júlio Martins, dado que Cunha
Leal muda radicalmente de postura política, passando de radical de
esquerda a radical de direita, depois de ter tentado proteger Granjo, de
quem era adversário. Às 22 horas e 45 minutos do dia 19, António
José de Almeida investe Manuel Maria Coelho (1857-1943), antigo revolucionário
de 1891, mas como ele próprio confessará, só governou três dias, estando
todo o demais tempo em crise. Pouco antes,
Agatão Lança informa-o dos atentados. O gabinete reúne chefes da insurreição
e gente respeitável, mas muitos não tomam posse para não se
confundirem com os assassinos.
O
presidente do ministério e ministro do interior é um antigo revoltoso do
31 de Janeiro de 1891. Na justiça, Vasco Guedes de Vasconcelos (não toma
posse) e, depois, o juiz António Augusto de Almeida Arez (n. 1868), desde
22 de Outubro (um reconstituinte que assume funções sem apoio do respectivo
partido). Nas finanças, Francisco António Correia, antigo membro da Liga
de Acção Nacional, de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, na qualidade de
independente. Na guerra, José Cortês dos Santos. Na marinha, Vítor Macedo
Pinto (não toma posse) e Francisco Luís Ramos (desde 21 de Outubro). Nos
estrangeiros, Alberto da Veiga Simões. No comércio, António Pires de Carvalho.
Nas colónias, são sucessivamente nomeados Carlos Henrique da Silva Maia Pinto
(não tomou posse), José Eduardo de Carvalho Crato (também não toma posse)
e Manuel Maria Coelho interino. Na instrução pública, António Alberto Torres
Garcia (não toma posse) e Manuel de Lacerda de Almeida (1890-1930), desde
22 de Outubro. No trabalho, Alfredo Pinto de Azevedo e Sousa. Na agricultura,
Antão Fernandes de Carvalho.
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Governo de Manuel Maria Coelho |
De 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921 |
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28º governo republicano 14º governo pós-sidonista 1ºgoverno outubrista[1] |
17 dias |
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·Na presidência e no interior, Manuel Maria Coelho. Como ele próprio confessou, só governou três dias, estando todo o demais tempo em crise[2]. ·Na justiça, Vasco Guedes de Vasconcelos (não tomou posse) e António Augusto de Almeida Arez, desde 22 de Outubro (este era reconstituinte e assumiu funções sem apoio do respectivo partido). ·Nas finanças, Francisco António Correia. Antigo membro da Liga de Acção Nacional e ex-ministro dos negócios estrangeiros de António Maria da Silva, de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, na qualidade de independente. ·Na guerra, José Cortês dos Santos. ·Na marinha, Vítor Macedo Pinto (não tomou posse) e Francisco Luís Ramos (desde 21 de Outubro); ·Nos negócios estrangeiros, Alberto da Veiga Simões; ·No comércio e comunicações, António Pires de Carvalho; ·Nas colónias, sucessivamente nomeados Carlos Henrique da Silva Maia Pinto (não tomou posse), José Eduardo de Carvalho Crato (não tomou posse) e Manuel Maria Coelho interino. ·Na instrução pública, António Alberto Torres Garcia (não tomou posse) e Manuel de Lacerda de Almeida (desde 22 de Outubro). ·No trabalho, Alfredo Pinto de Azevedo e Sousa, interino até 25 de Outubro ·Na agricultura, Antão Fernandes de Carvalho. |
Outubro de 1921 ·Às 22 horas e 45 minutos do dia 19 de Outubro, António José de Almeida investe Manuel Maria Coelho. Pouco antes, Agatão Lança informa-o dos atentados[3]. ·Primeiro governo outubrista, reunindo chefes da insurreição e gente respeitável. Muitos não tomam posse para não se confundirem com os assassinos. O presidente do ministério era um antigo revoltoso do 31 de Janeiro de 1891. ·Libertado o assassino de Sidónio Pais, José Júlio Costa, que se encontrava detido nno hospital Miguel Bombarda. A acção é levada a cabo por 300 civis armados. É levado para o Centro Republicano António Maria de Baptista, onde foi homenageado. Segue para o Norte, em regime de clandestinidade. ·Atentado contra Alfredo da Silva em Leiria. Preso Tamagnini Barbosa. A única organização política que apoia o novo governo é o grupo popular de Júlio Martins, mas já sem a participação de Cunha Leal. António José de Almeida apresenta a demissão, mas manifestação de autarcas, no dia 30 de Outubro, fá-lo recuar. ·Funerais de António Granjo em 24 de Outubro. Cunha Leal discursa: a fera que todos nós e eu açulamos, que anda à solta, matando porque é preciso matar. Todos nós temos culpa! É esta maldita política[4]. ·Lopes de Oliveira diz então: foi a desordem em que caímos que vitimou agora, canibalmente, alguns dos nossos. ·Jaime Cortesão: os crimes que se praticaram não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa. Por trás das espingardas que vararam António Granjo, há outras armas mais perigosas e asassinas. Chamam-se elas o egoísmos das classes, e, em especial, das mais altas; a inércia e por vezes a corrupção do poder; a esterilidade dos mais elevados organismos políticos da nação que se debatem em mesquinhas disputas. ·Nos dias 24, 26 e 27 o governo levava a cabo a prisão dos principais implicados nos atentados de 19 de Outubro. ·Em 30 de Outubro, manifestação de homenagem ao Presidente da República que havia declarado querer demitir-se[5]. Novembro de 1921 ·Governo demite-se em 3 de Novembro por temer intervenção estrangeira. Fala-se na chegada de navios de guerra ingleses, franceses e espanhóis. |