Setembrismo

A forma
de poder do setembrismo recebe o manto, primeiro, da Constituição
de 1822 e, depois, da Constituição de 1838, enquanto a imagem do poder balouça
entre a ideia de Passos Manuel, que pretende cercar o trono com instituições
republicanas, a posterior moderação centrista dos ordeiros,
e o doutrinarismo liberdadeiro dos neo-cartistas.
Contudo,
o poder efectivo vive da tensão entre os manobradores residentes no Paço
Real, onde se destaca Dietz, e a força armada, principalmente a Guarda
Nacional, controlada pelos clubes revolucionários, que mobilizam cerca
de 12 000 homens.
Surgem,
entretanto, novos grupos sociais, devendo assinalar-se os compradores dos
bens da fazenda nacional e os capitalistas e industriais.
O
novo regime passa a viver uma curiosa dialéctica entre os moderadamente
revolucionários e os irracionais, enquanto os defensores do anterior
situacionismo não aceitam as novas regras do jogo, preferindo derrubá-lo
pelos métodos furtivos da intriga ou pela acção directa da violência armada.
Se, a nível do aparelho governamental, o comando visível é inequivocamente
moderado e adepto do gradualismo, tal vértice do aparelho de Estado é obrigado
a pactuar com os efectivos poderes militares e de rua, onde dominam os
então exaltados, com Jorge Avilez, no comando das armas da Corte,
e, sobretudo, com Soares Caldeira, o administrador-geral de Lisboa e comandante
do Batalhãos dos Artistas do Arsenal.
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Forma do poder |
·Constituição de 1822 ·Constituição de 1838 |
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Imagem |
Cercar o trono com instituições republicanas em conflito com a moderação centrista dos ordeiros e o doutrinarismo liberdadeiro dos neo-cartistas |
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Sede formal do poder |
·No período ditatorial |
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Paço |
·Dietz |
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Tropa |
·Guarda Nacional controlada pelos clubes revolucionários (mobilizam cerca de 12 000 homens) |
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Grupos sociais |
·Compradores dos bens da fazenda nacional ·Capitalistas e industriais |
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Facções |
·Setembristas moderados apoiantes de Passos Manuel e de Sá da Bandeira, tentando estabelecer uma ponte com o grupo de Silva Carvalho e uma solução de ccompromisso com a Rainha. Passos Manuel promete uma conciliação entre a nova constituição e a Carta. Grupo de Passos Manuel. Grupo de Bonfim. Passos consegue a aprovação de uma constituição moderada, jurada pelos próprios cartistas e lança uma amnistia. ·Moderados II ·Moderados III ·Cartistas. Terceira, Saldanha, Luís Mouzinho de Albuquerque. Herculano publica a Voz do Profeta em Fevereiro de 1837. ·Antigos membros da oposição moderada, donde surgirá a ala dos ordeiros, como Lumiares, Sabrosa, Fronteira, Fonte da Arcada e Derramado. ·Setembristas radicais liderados pelos clubes maçónicos e pelos arsenalistas. Aliados aos membros da maçonaria do Sul como José Alexandre de Campos, João Gualberto Pina cabral. Entre os deputados radicais eleitos em 1836, José Estevão, José Liberato, leonel Tavares Cabral e Costa Cabral. Grupo de José Alexandre de campos. ·Antigos situacionistas cartistas da linha de Silva Carvalho (este vai para o exílio logo em 4 de Novembro de 1836). acusados de lesa-majestade na sequência da Belenzada. Casos de palmela, Joaquim António de Aguiar, Manuel Gonçalves de Miranda, barão de Rendufe e J. Joaquim Gomes de Castro. |
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Influência externa |
·Embaixador belga, Van der Weyer |
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Política externa |
·Rei dos belgas Leopoldo I tem influência junto do primo D. Fernando |
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Conflitos bélicos |
·Guerrilha do Remexido ·Revolta dos marechais de 12 de Julho de 1837 a 18 de Setembro de 1837. |
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Golpes cartistas |
·Belenzada de 2 a 4 de Novembro de 1836 ·Revolta dos marechais a partir de 12 de Julho de 1837 |
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Golpes radicais |
·4 de Março de 1838 ·9 de Março de 1838 ·13 de Março de 1838 ·14 de Junho de 1838 |
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Dinâmica de governos |
·A aliança entre o Paço e os cartistas ·O ataque militar dos miguelistas ·As revoltas radicais |
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Actores principais |
·Passos Manuel ·Sá da Bandeira ·António César vasconcelos Correia, comandante da Guarda Municipal de Lisboa ·Conde de Lumiares ·António Dias de Oliveira · Sabrosa · Bonfim ·Joaquim António de Aguiar ·Soares Caldeira, administrador-geral de Lisboa ·Rodrigues França, comandante dos arsenalistas ·Rodrigo da Fonseca ·António Bernardo Costa Cabral. De deputado radical eleito em Novembro de 1836 a administrador geral do distrito de Lisboa desde 7 de Março de 1837. |
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Chefias militares adversas |
·Saldanha ·Terceira ·Barão de leiria |