1917 Revolta dos abastecimentos em Lisboa entre 12 e 31 de Maio, com dezenas de mortos e centenas de feridos. No dia 19 de Maio intensifica-se o processo grevista desencadeado e, no dia seguinte, há uma manifestação de operários da construção civil no Parque Eduardo VII, com o governo a decretar a suspensão das garantias constitucionais. Assaltos a armazéns de víveres, com 22 mortos e 50 feridos graves, no dia 21, naquilo a que se vai chamar, depreciativamente, a revolta da batata. Sessão parlamentar sobre a matéria, confirma o estado de sítio em 22 de Maio. Também há tumultos no Porto que causam cerca de duas dezenas de mortos. Afonso Costa, na própria Câmara dos Deputados observa que em vez duma cidade de país civilizado, encontramo-nos em uma terra de selvagens (21 de Maio). O democrático Jaime Cortesão refere que se trata de uma revolução da fome, mas com plano e organizações secretas (29 de Maio). Em 1 de Junho é criada uma Administração de Abastecimentos que recebe as atribuições da Manutenção Militar, assim se demonstrando a ineficácia do aparelho de Estado face à crise do abastecimento e preços. E não é por acaso que um jovem estudioso desta matéria, Oliveira Salazar, vai consagrar-se universitariamente com um trabalho universitário dedicado à questão das subsistências, repetindo um título já utilizado numa pequena obra de José Luciano de Castro.