1.1. A PROCURA DO CONCEITO DE CIÊNCIA

·A técnica da teia de penélope da metodologia tópica, entre o problemático e  o sistemático. Nem idealismo nem realismo. Relativismo e experimentalismo

·A visão clássica de épistemé, o verdadeiro conhecimento, como conhecimento das causas que são necessariamente verdadeiras, como um esforço racional para substituir a opinião, doxa, o conhecimento acerca do contingente. As diferenças entre praxis, technè e theoria. A procura renascentista de uma física política. A política libertando-se da teologia e distanciando-se da ética (maquiavelismo) e do direito (Razão de Estado e Absolutismo).  

·A questão da classificação das ciências. Breve referência à classificação das ciências em Aristóteles: poein, as ciências do criar (lógica, retórica e poética); theorein, as ciências do saber (matemática, física e metafísica); e prattein, as ciências práticas ou do fazer (política, ética e economia). A política como ciência dos actos do homem enquanto membro da polis, incluindo no seu seio a própria religião. A política como ciência arquitectónica, com várias ciências subordinadas. A política como ciência prática.

·A perspectiva tomista da civilis scientia. A política, a ética e a economia, consideradas como servas da teologia (ancillae teologiae), passam a ciências subordinadas. A teologia como a nova ciência arquitectónica.  

·A ideia moderna de ciência. Os fundamentos do Iluminismo. Do homem como dono e senhor da natureza ao homem como dono e senhor da sociedade. A descoberta da ideia de revolução. O método axiomático-dedutivo de Descartes (1596-1659). A regra da evidência, a regra da análise e a regra da verificação, como fundamentos do esprit geométrique. A morte de Deus e a solidão da razão individual.

·A matematização do universo, na sequência da descoberta da lei da inércia e da gravitação de Isaac Newton (1642-1727):  tudo o que não é deduzido dos fenómenos é uma hipótese.

·O empirismo de Francis Bacon (1561-1626). O poder e o conhecimento como sinónimos

·O método axiomático-dedutivo: o único método possível para a ciência é o da matemática e da geometria.

·A emergência de Kant, como síntese entre o racionalismo e o empirismo. O nascimento, a partir de Kant, do idealismo, na linha de Hegel, e do positivismo, na linha de Comte.

·A física social de Auguste Comte e o triunfo do cientismo empírico-analítico ou físico-matemático. A procura de uma nova ciência de cúpula, onde o método passa a determinar o objecto. A invenção do neologismo sociologia (1838), qualificação que foi precedida pelas designações de ciência política (1822) e de física social, tendo, mais tarde, como alternativas, as expressões sociocratia e sociololatria. A ideia de ciência política como uma física particular, fundada sobre a observação directa dos fenómenos relativamente ao desenvolvimento da espécie humana

·Século XIX. Ligação do positivismo ao empirismo e ao darwinismo social. A emergência do organicismo. A política desaparecendo como substantivo, passando apenas a haver ciências políticas.

·Ligação da questão do método cientificista à perspectiva economicista da extinção do político e do Estado. Proudhon e a defesa da dissolução do governo no organismo económico. Marx e a proposta de superação do governo das pessoas pela administração das coisas.

·O culturalismo neo-kantiano e a descoberta dos valores. Heinrich Rickert, a Escola de Baden e as ciências da cultura. Wilhelm Dilthey, as ciências do espírito e o método da compreensão. A sociologia compreensiva de Max Weber e o individualismo metodológico.

·A metodologia de Karl Popper e o racionalismo crítico. O método da verificação a contrario e o critério da falsificação. O contributo de Friedrich Hayek e a teoria dos sistemas complexos.

·A encruzilhada do nosso tempo. Neo-empirismos e neopositivismos. Funcionalismos e sistemismos. Regressos à filosofia prática e à hermenêutica. As discronias ou de como em certos espaços se continuam a viver outros tempos.

Regressar a Sumário