Aristóteles (-384 /-322.)

 

aristoteles

 

O homem é por natureza um animal político (-anthropos physei politikon zoon)

 

 

Ethica Nichomachea. Cfr. trad. cast. de Julián Marías e María Araújo, Etica a Nicomaco, Madrid, Centro de Estudios Constitucionales (-ed. bilingue em latim e castelhano); trad. fr. de J. Voilquin, Ethique à Nicomaque, Paris, Éditions Garnier, 1950.

 

Constituição de Atenas. Cfr. trad. fr. de G. Mathieu e B. Haussoulier, La Constitution d'Athènes, Paris, Les Belles Lettres, 1941.

 

Ta Politika.. Cfr. trad. cast. de Julián Marias e María Araújo, Política, texto bilingue, Madrid, Centro de Estudios Constitucionales;. Cfr. trads. fr. de J. Aubonnet, La Politique, Paris, Les Belles Lettres, 4 vols., 1960-1973, e de Jean Tricot, Paris, Librairie Vrin, 1970; nova trad. port. de António Campelo Amaral e Carlos Carvalho Gomes, Política, Lisboa, Vega, 1998 (-ed. bilingue em grego e português.

 

•Aristóteles não é um ateniense. Nasce na colónia grega de Estagira em 384 a.C., no norte da Grécia, naquela península da Calcídia, encravada entre a Macedónia e o mar, onde os gregos olham a Ásia.

•Filho de Nicómaco, médico assistente de Amintas II, rei da Macedónia, pai de Filipe e avô de Alexandre. E é com o pai que Aristóteles se iniciou na medicina e na biologia, nesse mundo de conhecimentos, então entendidos como esotéricos.

•Contudo, aos 17 anos, desce para Atenas, para completar a sua formação, e aí entra na Academia de Platão, onde, como estudante e professor, vai permanecer durante vinte anos.

•Já mestre, parece que, em 343 a.C., acaba por aceitar ser preceptor de Alexandre da Macedónia.

•As relações directas com o poder macedónio não terão sido das melhores, dado que Aristóteles defendia a não existência de uma monarquia englobando gregos e bárbaros. Assim, regressa a Atenas em 335 a.C., onde institui o Liceu, situado num bosque dedicado a Apolo Lykeios, onde vai ensinar-se de forma peripatética, passeando, como o próprio pensamento, em torno de um lugar, de uma questão, caminhando num andar e num parar, com dificuldades e retornos.

•Mas, de mal com Alexandre, pelo amor de Atenas, sofrerá a agrura de Atenas o exilar, acusando-o de ligações aos macedónios. Com efeito, em 323 a.C. morre Alexandre e o ambiente de hostilidade entre a Macedónia e Atenas leva Aristóteles a retirar-se para a Calcídia, onde vem a morrer.

•Aristóteles, um estrangeiro face à polis ateniense, era, no entanto, um ateniense pelo coração e pelo espírito. Talvez por não poder participar directamente na luta pelo poder é que o consegue ver à distância, ao contrário de outros que, sendo obrigados a sujar as mãos nos compromissos da própria luta, como, de certa maneira, aconteceu a Platão, são sempre passíveis de uma condenação por ostracismo, mesmo que apenas se assuma um exílio interno.

•Autores há que chegam mesmo a referi-lo como o porta-voz da prática cívica de Atenas, herdeira da visão democrática de Péricles, em tensão com os defensores do regresso a uma sociedade hierarquizada. Neste sentido, Aristóteles assumir-se-ia como um defensor daquilo que hoje entendemos como a democracia, como aquele regime no qual o poder de decidir, de julgar e de legislar não está a priori entregue a ninguém.

•Vai introduzir as ideias platónicas dentro das coisas, distanciando-se do transcendentalismo, através de um experimentalismo que, contudo, não se reduz ao que será o realismo maquiaveliano.

•Também para Aristóteles, a função da polis é a justiça. Só pela ligação à justiça é que o mais excelente dos animais, o homem, se não torna no pior de todos, porque sem polis, passaria a campear a injustiça armada. Porque só a polis permite que as armas do homem possam servir a prudência e a virtude, possam servir aquilo que é a natureza do homem, a sua exigência de perfeição. Porque tais armas podem, ser empregues noutros fins exactamente contrários 

 

 

0 Aubenque, P., Aristote et le Problème de l'Être, Paris, Presses Universitaires de France, 1966; Jaeger, Werner, Aristotle. Fundamentals of the History of His Development, Oxford, 1934; Kelsen, Hans, La Idea del Derecho Natural y Otros Ensayos; Leyden, Wolfgang von, Aristotle on Equality and Justice. His Political Argument, Nova Iorque, 1985; Mulgan, R. G., Aristotle's Political Theory, Oxford, 1977; Nichols, Ary, Citizens and Statesmen. A Study of Aristotle's Politics, Savage, Maryland, Rowman & Littlefield, 1992; Salkever, Stephen G., Finding the Mean. Theory and Practice in Aristotelian Philosophy, Princeton, Princeton University Press, 1991.

 

1 Battaglia (-1951), I, pp. 141 segs;  Boutet, 1991, pp. 31-45; Châtelet (-DOP), «Aristote», Châtelet (-DOP), pp. 16-2;  Gettel (-1936), pp. 63 segs;  Coleman, Janet, Political Thought. From Ancient Greece to Early Christianity, Oxford, Blackwell, 2000, pp. 115 ss.;   Maltez (-1996), pp. 19, 26, 28, 31-32, 46, 51, 61, 64, 70, 71, 74, 76, 78, 123, 126, 134-137, 166, 170, 171, 174, 176, 179, 180, 181, 184, 185, 186, 187, 191, 217, 220, 228, 229, 242, 249, 251, 256, 272, 300, 327, 328, 329, 330, 331, 332, 336, 346, 348, 362, 380, 441 e 52;  Moncada (-FDE), I, pp. 30 segs;  ;  Russell, Bertrand, A History of Western Philosophy, 1945 (-Nova Iorque, Simon & Schuster, 1972), pp. 159 segs..Sabine (-1987), pp. 88 ss.; Silva, Carlos, «Aristóteles», in Logos, 1, cols. 354-40; Strauss/Cropsey (-1987), p. 118 ; Theimer (-1970), pp. 30 segs..

 

 

Última revisão:15-02-2009