José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Etologia

 

Novas formas de terraquismo, invocadoras do cientificismo geopolítico, foram acirradas mais recentemente pelas teses de certa vulgarização etológica, nomeadamente pelas imaginações literárias com pretensões a ciência que, depois de rebaixarem a política ao reino animal, chegam mesmo a considerá-la como directa emanação de um instinto territorial, conforme as teses de Robert Ardrey .

 

Robert Ardrey  é um dos principais teóricos do etologismo e do elitismo em nome do homem como animal territorial. Critica a ideia igualitária do contrato social de Rousseau, pelo facto deste ter tratado de um contrato social entre anjos decaídos, defendendo, em contraposição, uma aliança de macacos evoluídos. Do mesmo modo, considera que em vez da utopia da sociedade dos iguais, importaria uma filosofia evolutiva, porque a agressividade é o principal garante da sobrevivência. Aceita uma perspectiva elitista, ao salientar que toda a sociedade tem os seus líderes natos.

 

Estas vulgatas não podem desfocar a obra de Konrad Zachariae Lorenz   (1903-1989) Austríaco, formado em medicina em Viena, foi professor em Viena (1937-1940) e Konigsberg (1940-1942) e Prémio Nobel em 1973. Este fundador da etologia, entendida como a ciência do comportamento animal. Considera que a sociedade humana é uma continuidade das sociedades animais. Em ambas existem animais agressivos, marcados por organizações hierárquicas e onde se distinguem nitidamente os papéis reservados para o masculino e o feminino. Nas sociedades humanas apenas podemos estabelecer medidas para limitarmos a agressividade, para canalizarmos os respectivos excessos, mas não para a eliminar. Do mesmo modo, o igualitarismo e a eliminação da diferença entre homens e mulheres não passariam de sonhos inexequíveis. Considera que o ser humano é um animal agressivo como todos os outros animais. Critica a fórmula de Hobbes, do homo hominis lupus, propondo-se substitui-la pela de homo homini ratus, dado que o homem, se assemelha aos ratos. Ao contrário dos animais normais, como o lobo, eis que o homem, tal como o rato, mata os rivais da mesma espécie. Os restantes animais que apenas matam animais de espécies diferentes, apenas procuram que os da mesma espécie sejam mantidos à distância, visando a conquista de um território alimentar.

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:06-05-2009

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