José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009

 

Mão invisível

 

 

O homem é levado por uma mão invisível a apoiar um objectivo que não fazia parte da sua intenção.

Smith, Adam (1723-1790)

 

 

Segundo Adam Smith, que o homem é levado, por uma mão invisível, a apoiar um objectivo que não fazia parte das suas intenções. Mas esta mão invisível, longe de constituir um vazio de regras é o máximo da regra, a suprema ordem, a ordem espontaneamente criada pela autonomia ética do homem, onde se mistura a liberdade natural com a justiça perfeita.

Porque existe um princípio da simpatia: o esforço uniforme, constante e ininterrupto de cada homem para melhorar a sua condição  que leva  o homem a obter a aprovação dos outros homens. Aliás, o individuo só se conhece  a si mesmo pelo juízo que faz do outro e daquele que esse outro faz dele, o tal homem com o profundo sentido do animal de trocas, que é o cerne da sociedade.

 

A história não é nenhuma peça de teatro que cada um tenha de representar, seguindo pari passu um rigoroso guião, previamente ensaiado. A liberdade do homem não se restringe apenas à interpretação de um certo papel a priori escrito. A liberdade do homem implica o imprevisto da invenção, porque a liberdade é, acima de tudo, criação. A liberdade vive-se, não se vê. E no dia a dia. Não é nenhum messias impossível para um amanhã distante, mas a carne e o sangue dos nossos desejos.

 

© José Adelino Maltez

 

Última revisão:12-04-2009

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