José Adelino Maltez, Tópicos Jurídicos e Políticos, estruturados em Dili, na ilha do nascer do sol, finais de 2008, revistos no exílio procurado da Ribeira do Tejo, começos de 2009
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Razão
La pire des pestes est la raison humaine
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Os homens, segundo a ordem da natureza não se regem nas coisas civis pela revelação, mas pela razão natural
Com o predomínio na modernidade da razão objectiva, que apenas consiste em ajustar os meios aos fins, sejam estes quais forem, qualquer julgamento ético deixou de assentar na racionalidade. Desta forma, a razão ficou sem autonomia face à evolução da sociedade e tratou de afastar qualquer preocupação metafísica. Transformou-se em mero aparelho de registo de factos e contribuindo para que o homem perdesse a sua individualidade
A razão é um complexo, não de respostas, mas de perguntas e de pontos de vista com os quais avançamos para os dados empíricos
Em sentido estrito, seignifica logos, isto é faculdade discursiva. Em sentido amplo, inteligência ou faculdade espiritual de conhecimento. A palavra deriva do lat. ratio, talvez de reor, “calcular” ou “comparar”. Se o étimo grego tem a ver com discurso, entendido como aquilo que se opõe à violência, já a matriz latina acentua o cálculo e a proporção.
Segundo Platão, a noesis é a zona do conhecimento superior, da filosofia, da inteligência ou razão intelectiva, face à zona do conhecimento inferior, do entendimento, da razão discursiva, das ciências, a dianoia. Na primeira, temos a sophia, na segunda a doxa. É pela razão que podemos chegar às coisas invisíveis inferiores, mas, para acedermos às coisas invisíveis superiores, só através da contemplação intelectiva. Ambas tratam do mundo invisível, ou intelegível, e não do mundo visível, função reservada para a pistis, ou fé, na zona das coisas visíveis onde acedemos a totalidades, onde domina a opinião e a crença, e para a eikasia, a suposição ou ilusão, a zona do conhecimento visível a que acedemos a imagens, através da sensibilidade e da imaginação.
Razão e crença Segundo Paul Ricoeur, toda a razão tem um horizonte sobredeterminado por uma crença, havendo um ponto onde o racional comunica com o mítico.
© José Adelino Maltez |

Última revisão:12-04-2009
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