A canalha doirada e a falta de autenticidade
A canalha doirada que, fingindo manobrar a racionalidade com o intervencionismo mediático do bem falante, ocupou o espaço da política, como simples emissária dos interesses, veio, afinal, dar razão aos fantasmas propalados pela bonecada satírica que sempre retratou o vigarista burguês.
E passam diante dos nossos olhos inúmeros filhos famílias, esses meninos-bem que, de vez em quando, fazem temporadas rápidas em campanhas de visitação ao povo, para fins eleitorais. Tal gentalha, depois de uma breve passagem pelos cadeirões do poder, depressa retomou os tiques possidentes da arrogância que a verborreia nunca conseguiu disfarçar. Um deles chegou mesmo ao cúmulo do ridículo, ao protestar contra os liberais, depois de ter descoberto várias cenas neo-realistas de injustiça social, quando, ainda ministro, se deslocou como candidato a deputado ao país profundo, assim confessando como, para eles, o povo não passa de um distante objecto astronómico que se pode ver através de um canudo sazonal.
Quem, com ferro comunicativo, tantos matou, quando assente nos altos da respectiva impunidade burgueso-possidente, lá vai morrendo lentamente, com os ferrinhos quentes de certas bocas comunicacionais da mesma mediocracia em que medrava e o elevou às cumeadas do controleirismo. Aliás, tais manipuladores da esquerda e da direita talvez não passem de gigantescas fraudes que se especializaram na gestão dos interstícios do poder, ocupando, de forma cumulativa, os vícios da falta de autenticidade dos sucessivos regimes que vão fingindo servir.

Última revisão:19-03-2009
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