A racionalidade importada
A constante renovação das lideranças partidárias a que vamos assistindo talvez seja apenas aparente, confirmando o poder supremo da infra-estrutura gerontocrática, dessa linha subterrânea de ausentes-presentes que se reforça, desses grandes vultos do regime que, a si mesmos, se consideram monumentos vivos em perpétuo revisionismo histórico na construção do respectivo epitáfio, através de sucessivos capítulos de uma literatura de justificação que os possa alcandorar àquele nebuloso estádio de inimputabilidade que costuma ornar os retratos dos pretensos pais da pátria.
A Igreja Católica está cada vez mais invocando a Concordata e o Vaticano. A Maçonaria também parece cada vez mais discreta. As forças armadas estão definitivamente profissionalizadas. As magistraturas, cada vez mais corporativas. E a única rocha firme neste pântano são as chamadas alianças internacionais, onde, da NATO à UE, caminhamos, cada vez mais, para sermos a Turquia Ocidental. A tal racionalidade importada que ameaça tornar irracional a própria independência nacional.

Última revisão:19-03-2009
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