Contra os colectivismos morais
Quem defenda o primado da comunhão institucional não pode ceder ao vício dos colectivismos morais que marcam as seitas. Um institucionalista não pode confundir-se com os sectários, isto é, com aqueles que, invocando a respectiva pertença a este ou àquele grupo, pensados como superiores, se consideram automaticamente dotados das virtudes colectivas.
Como se o bem não tivesse muitos pedaços de mal e o mal, alguns excertos de bem. Aliás, não é por alguém se dizer de uma religião considerada como a verdadeira que passa a ter privilegiado acesso ao paraíso. Convém também acrescentar que, entre os que mais fazem homílias institucionalistas, estão muitos desviacionistas e não poucos marcados pela falta de autenticidade.
Falta assimque alguém escreva uma espécie de manual do situacionismo de sucesso, nessa síntese de maquiavelismo, inquisitorialismo e burguesismo esquerdista, para que todos possam conhecer a via justa de ascendermos à suprema nulidade de sistemas como o nosso.
Porque ninguém de bom senso pode considerar que os actuais comandantes visíveis da nau sistémica são os melhores, os mais capacitados ou os mais sábios dos gestores do poder, dado que não passam de simples acasos que a necessidade do efectivo poder ficou condenada a escolher.
Apenas estavam no sítio certo, no momento oportuno, pelo que foram os eleitos de um processo marcadamente aleatório. E assim, até podem auto-interpretar a respectiva ascensão como o resultado da intervenção extraterrestre de uns quaisquer espíritas. Isto é, tiveram a tal sorte que acompanha todos os que diligentemente fazem um prévio investimento de se colocarem em tal fileira dos que foram treinados para feitores, capatazes e servidores.

Última revisão:19-03-2009
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