Contra os imposteiros e os impostados

 

Há regimes políticos que, apesar de nascerem de bons e justos em seus propósitos construtivistas, em que a degenerescência os faz diluir nas teias do devorismo e da empregomania, especialmente quando apodrecem por dentro logo tentam sobreviver gerindo a manutenção no poder através da erosão situacionista daquele rotativismo onde se vai fingindo mudar para que tudo fique na mesma.

 

Tudo desencadeou, aliás, com revolucionarismo frustrado, com essa esquizofrenia puritana onde se desperdiçaram energias em verborreia, vinganças e perseguições inquisitoriais. Essa oportunidade perdida para a racionalidade das metodologias reformistas, as únicas que seriam capazes da necessária regeneração. Que sempre teve que ser conservadora dos valores permanecentes da colectividade, apesar de exigir revolucionários objectivos quanto à pilotagem do futuro e mobilização individual.

 

Com efeito, ao contrário do que tem sido difundido pela grande coligação antiliberal que, da direita à esquerda, nos comanda, entre fantasmas da dita direita e complexos da assumida esquerda, são os liberais coerentes que mais se devem preocupar com a justiça e, consequentemente, com a defesa da confiança pública, da concorrência leal e da luta contra a corrupção.

 

Acresce que, apesar de haver variadas famílias dos integrantes da futura, urgente e necessária união, ou federação, dos liberais portugueses, não podemos esquecer que um dos focos inspiradores desta corrente, o nosso enraizado herculanismo, longe de se diluir na urbanidade destribalizadora do centralismo apátrida, sempre assumiu as virtudes camponesas e burguesas daquilo que os capitaleiros desdenham como província.

 

Sem o urgente regresso às virtudes dos radicalismos descentralizadores não haverá uma espontânea unidade nacional. Sem assumirmos a denúncia dos modelos absolutistas do Estado a que chegámos não chegará regeneração da nação portuguesa.

 

Só através da restauração das liberdades locais e das proibidas liberdades regionais, poderemos federar as muitas pequenas pátrias da nossa grande pátria. Só através do liberdadeirismo dos muitos povos do nosso grande povo é que poderemos extinguir o Leviathan do centralismo absolutista que é tanto mais perigoso quanto se disfarça de visitador das vilas e aldeias em tempo de campanhas eleitorais.

 

Bem gostaríamos que os especialistas na má gestão do dinheiro de nós todos fossem obrigados a indicar, em qualquer obra que lançam ou inauguram, a percentagem individualizada, por média, do dinheiro que cada cidadão é obrigado a entregar ao Estado.

 

Sobretudo, que deixássemos de ser qualificados pelo eufemismo de contribuinte, dado que nada damos voluntariamente para aquilo que é imposto. Valia mais chamar aos que gerem e digerem a nossa massa os imposteiros e aos que sofrem a liquidação, os impostados.

 

Confesso que sempre me senti mais wigh do que tory, isto é, mais liberal consensualista do que conservador dos anciens régimes de marca absolutista, mesmo quando se disfarçam como revolucionários. Sempre me senti mais próximo da tradição liberdadeira do que dos temores reverenciais do confessionalismo.

Última revisão:19-03-2009

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