Em regime de desesperança
Os portugueses continuam a viver em regime de desesperança, provocado pela quebra íntima das expectativas e onde só se espera o mal menor de não haver alternativa ao que se vai impondo pela ditadura do estado a que chegámos. Este inevitável de quem perdeu o sonho e o sentido.
Assim, diluídos nas ondas da moda, somos meros elementos fungíveis de uma caldeirada da Europa das potências secundárias, à espera de uma decisão que venha a ser tomada pela locomotiva do processo. De uma Europa que se vai fragmentando por várias velocidades variáveis, geradoras de uma hierarquia de desenvolvimentos separados.
Apenas precisávamos de um tempo de pausa e que os polícias do universo não vivessem neste ritmo de frenesim fundamentalista. Logo, somos amargura. Principalmente quando desejamos que regresse a moralização da política. Coisa que não acontece neste decadentismo da pós-revolução, onde a procura do tempo perdido é a ilusão do regresso aos pais-fundadores.
E lá nos vamos embasbacando face ao politiqueiros que não passam de meros episódios que se hão-de perder nas notas de pé-de-página de uma história de pormenores. Desses que atingiram o efémero daquela glória familiar cujo brasão já os pode inscrever como ministros nos anais das banalidades genealógicas da vaidade. São sempre breves e fúteis, apesar de entoarem pátria com voz grossa, mas sem o humilde sentido de serviço.
Última revisão:19-03-2009
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