Esta claustrofobia de quintal feito com cimento armado
Depois de tantos educacionólogos, reformólogos e avaliólogos, a pátria está definitivamente murcha em sua criatividade explosiva. E esta claustrofobia de quintal feito com cimento armado talvez seja espaço curto demais para o que sempre foi o nosso desígnio colectivo, não havendo nenhuma manipulação de música de fundo capaz de nos fazer levantar de novo, segundo o ritmo da magia publicitária.
Afogados nesta modorra decadentista para que fomos conduzidos pela ambição de dois ou três demagogos elevados a ministros, ou de quatro ou cinco agenciadores de cunhas e subsídios feitos deputados, eis que perdemos a fibra. Os nossos donos do poder são bonzos demais para domarem a inevitável fúria dos mansos que o situacionismo pode desencadear.
E não há água benta nem propagandismos que consigam deter, controlar e encaminhar esta fome de revolta que vai germinando. Porque começa a ser difícil continuar a tapar o sol da verdade com a peneira comunicacional.
Se as nossas ditas elites continuarem a repetir o capitulacionismo que marcou a classe política monárquica diante do Ultimatum, não haverá novo grito de A Portuguesa. Quem pensa baixinho não vê um boi à frente dos olhos. Aliás, caso continue esta ditadura da incompetência poderá acontecer que a nossa criatividade constitucional resolva o problema dos presidentes da República, dado que tudo aponta para a emergência de uma auto-dissolução do sistema.

Última revisão:19-03-2009
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