Habemus papam...
Vitória do bávaro e antigo
arcebispo de Munique,
Joseph Ratzinger.
Um grande teólogo e
professor, considerado
modesto e afável, que se
assume como Bento XVI. Tem,
pelo menos, o encanto de ser
meu homónimo. A novidade de
ter um clube de "fans" na
Internet. E de tudo ter sido
extremamente previsível.
João Paulo II não deixou
ponto sem nó. E tudo foi
globalmente mediático. Não
estou triste nem satisfeito.
Observo. Nomeadamente os
comentários
teológico-televisivos de
Nuno Rogeiro e Bagão Félix.
Mas não faço considerações
teológicas, nem à maneira de
Mário Soares. E sem dizer
que os conservadores
venceram os progressistas.
Apenas noto um velha
evolução numa continuidade
de dois mil anos. Participou
como soldado do exército
alemão nos últimos meses da
Segunda Grande Guerra, como
operador de anti-aérea,
embora tenha sido obrigado a
desertar, e, entre 1946 e
1951, estudou filosofia e
teologia na universidade de
Munique, mas, segundo o
padre Vaz Pinto, que, com
ele, privou, antes de 1974,
preocupava-se "com a
democracia em Portugal" e
"com a autodeterminação das
colónias portuguesas".
Compreendemos o comentário
de Francisco Louçã, um dos
poucos seres que consegue
aceder ao código genético da
humanidade, hoje.
Importa recordar um certo
estilo:
Syllabus complectens
praecipuos nostrae aetatis
errores do papa Pio
IX, de 1864. Continuarão a
ser condenados o Panteísmo,
o Naturalismo, o
Racionalismo absoluto, o
Racionalismo moderado, o
Indiferentismo, o
Socialismo, o Comunismo, as
Sociedades secretas, as
Sociedades bíblicas, as
Sociedades clérico-liberais
e o Liberalismo, entre
outros 84 erros?
Como homem de boa vontade,
confesso o meu defeito
panteísta, descendente de
Espinosa, e liberal,
herdeiro de Lord Acton, que
era britânico e católico, e
de D. António Alves Martins,
que era Mirabeau e tudo,
dizendo que a religião devia
ser como o sal, para não
fazer mal ao coração. Mas
saúdo a clarificação. Bem
como a necessidade de
diálogo, porque são mais os
pontos comuns do que as
divergências. Longe, mas
perto. Sem qualquer
jacobinismo. Mas preferiria
Frei Bartolomeu dos
Mártires, se tivesse direito
a voto.
