Tempos de espera, dias de véspera
Distante, dentro de mim, me vou pensando, olhando e sentindo esta gente de meu povo, desde sempre alheada dos grandes processos de decisão, sobre a pátria, sobre a Europa e sobre a própria comunidade local. Vou, mais uma vez, confirmando como o processo dominante da pretensa mega-democracia representativa e opinativa, ao privilegiar a eficácia aparelhística, acaba por desviar o homem comum da própria cidadania.
Como se em Portugal ainda fossem possíveis, no plano meramente técnico, os golpes de Estado. Ou como se tivéssemos suficiente independência para podermos brincar à macro-economia caseira. Porque o país talvez tenha deixado de ser mero teatro de operações para estrategas de caserna, ou simples folha de cálculo da contabilidade pública, como acontecia nos tempos da magia macro-económica, quando eram possíveis as engenharias da moeda própria. Nestes domínios, a nossa independência passa por gerirmos as nossas dependências ou por prevermos adequadamente as nossas interdependências.
E tudo se consegue disfarçar quando não é posta em causa a confiança pública nas grandes lideranças. Só que o desastre do vazio liderante pode suceder se repararmos que quem manda não passa de certa malta com cara de plástico que apenas tenta moldar-se, e moldar-nos, segundo o ritmo desta mediacracia, tele-democrática e quase tele-evangelista, obedecendo ao processo da também plastificada personificação do poder, que ocupou o palco visível do Estado-Espectáculo.
Portugal deveria ter uma missão a cumprir, não sendo admissível que os respectivos chefes políticos continuem meras figuras decorativas, mobilizáveis para comícios de politiqueirismo na pátria dos outros.
Última revisão:19-03-2009
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