Ver artigo de José Pacheco Pereira, sobre o encerramento do CEPP

 

Ainda outra observação de Pacheco Pereira sobre a matéria (23 Maio 2003)

 

Sobre o CEPP, ver Último Reduto

 

 

Caros amigos da comunidade académica e amantes do pensar a política, em português:
 
Os conteúdos da minha autoria que estiveram na base da suspensa página do Centro de Estudos do Pensamento Político, integrado no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, voltaram a estar disponíveis. A página do CEPP continua, contudo, a poder ser consultada, apesar de ter desaparecido da face primeira do novo portal do mesmo ISCSP, de inspiração directiva. Talvez porque consultaram as estatísticas internéticas, a que facilmente podem aceder.
 
Neste momento, os novos conteúdos estão em fase de reformulação, com actualizações, resultantes da minha própria actividade docente, principalmente por causa do mestrado que lecciono na Faculdade de Direito de Lisboa, na área da ciência política.
 
Trata-se, contudo, de um trabalho meramente individual, quase beneditino. Até porque, no ISCSP, há uns anos, foram extintas, por inspiração directiva, as disciplinas do mestrado em que colaborava, antes de, neste ano lectivo, se ter ausentado, por falta de procura, de alunos, o tal mestrado donde fui directivamente afastado.
 
O presente domínio da Internet é também da inteira responsabilidade do subscritor, incluindo os próprios custos financeiros.
 
Peço desculpa pela falta de qualidade dos "links" e pelos eventuais erros nas ligações. Até solicito ajuda crítica para os que eventualmente forem detectados. O  técnico informático disponível é o meu filho, de 18 anos, e o computador que utilizo é um pequeno portátil de trazer por casa.
 
Com efeito, numa história que um dia há-de ser contada, foi totalmente impossível manter a equipa que tão abnegadamente colaborava comigo no CEPP, desde o Nuno Zimas ao Hugo Leal. Principalmente porque colaboravam comigo.
 
Os tostões que os mesmos receberam, e que consumiram a quase totalidade do primeiro e único financiamento da FCT, eram bem menores que o pagamento de um dos simples adjuntos de secretaria da longa burocracia que se vai instalando na Universidade. Ou que uma dessas viagens de turismo científico com que se dispersam muitas das verbas do mesmo fundo.
 
O Portugal do comunismo burocrático despreza ostensivamente a investigação que efectivamente investiga e publicita, principalmente quando esta não entra na zona do corporativismo instalado no sector. E não utiliza a chamada "cunha", principalmente a que é manipulada pela partidocracia e pela avaliocracia. Ou a que pactua com um qualquer chefe dos contínuos e do economato.
 
Tudo é bem mais grave no domínios das ciências sociais e políticas, que alguns continuam a querer que voltem ao estádio das ciências ocultas e da lógica decretina. Incluindo a que tenta monopolizar o nome de ciência política e, quiçá, criar uma ordem profissional, ao serviço de uma corrente, de duas ou três personalidades, ou de uma ou duas escolas, principalmente as que tentam entrar no mercado a golpe de publicidade de anúncios subsidiados e de "opinion makers" do "politically correct".
 
Como doutor e agregado na especialidade e como professor catedrático de nomeação definitiva na área, apenas direi que exercerei a liberdade académica, constitucionalmente protegida. Até pelos princípios constitucionais europeus.
 
Quase um quarto de milhão de consultas públicas à página do CEPP não foram uma realidade que merecesse ser acarinhada pelo misticismo predador e pelos respectivos agentes.Convinha até persegui-la e amordaçá-la.
 
Os 173 MB (182.246.466 "bytes") disponibilizados publicamente, em cerca de 12 000 ficheiros, talvez fossem obra.Mas não sei se a mesma pode ser avaliada por quem não sabe o que é um "byte". E que não é capaz de traduzir tais caracteres em espaço de papel.
 
Em nome de uma missão de verdade, continuarei, portanto, solitário. Sem desistir.
 
A cumprir aquilo que penso ser o meu dever: disponibilizar as fichas de um projecto que já existia antes de haver CEPP e financiamento da FCT.
 
A tentar prestar um serviço à comunidade.
 
Jamais voltarei a pedir esmola, dado que a dignidade individual de um professor catedrático não pode estar sujeita às torturas e tonturas de uma infra-burocracia. E mais não digo, porque o ISCSP é a minha escola.
 
Até sempre. Com muita revolta,
 
José Adelino Maltez