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  Anuário 1848

O ano de todos os ismos – A chegada dos republicanos e dos carbonários

Da II República Francesa à primavera dos povos

Arquivo antigo do anuário CEPP

Republicanismo chega a Portugal.

Voltam a surgir organizações carbonárias.

Protestos contra a fraude eleitoral Protesto de alguns pares do reino junto de Guizot, sobre o acto eleitoral. Alguns antigos chefes da Junta do Porto também escrevem a Guizot, no mesmo sentido (28 de Janeiro).

 

Conspiração anti-situacionista – Alexandre Herculano que, como funcionário do Paço, assumira a neutralidade durante o período cabralista, transforma a sua casa da Ajuda num centro de conspiração intelectual. Por aí passam Almeida Garrett, António Pedro Lopes Mendonça,, Marquês de Niza, Santana e Vasconcelos, José Maria Grande e Latino Coelho. Já na Câmara dos Pares, Sá da Bandeira defende que o princípio progressista de reforma vai triunfando rapidamente em toda a Europa, pelo que o nosso país não pode ficar como se acha.

A conspiração das hidras – Saldanha, em aliança com Costa Cabral, comunica à Câmara dos Deputados, em Junho, que pretende esmagar com mão de ferro a hidra revolucionária, sem necessidade de qualquer tipo de repressão sangrenta. Os jornais da oposição patuleia, como a Revolução de Setembro e O Patriota e chegam a aliar-se em críticas com o Estandarte de José Bernardo da Silva Cabral, os extremos dos jacobinos e dos despeitados que assim se tocam.

Desonestidades – Como observará Alexandre Herculano, a desonestidade era tão indecente que mais de metade das sessões parlamentares eram passadas a discutir os escândalos do comportamento dos ministros.

Remodelações – Em 8 de Janeiro: Brigadeiro Fernando da Afonseca Mesquita e Sola (1795-1857), 1º barão de Francos, na guerra.

Em 21 de Fevereiro: D. José Joaquim de Azevedo e Moura, bispo de Viseu, nos negócios eclesiásticos e justiça (até 29 de Março de 1848).

Em 29 de Março: Saldanha no reino (até 1 de Junho de 1849). João Elias da Costa Faria e Silva, na justiça (até 29 de Janeiro de 1849); José Joaquim Januário Lapa (1796-1859), visconde Vila Nova de Ourém, na marinha; José Joaquim Gomes de Castro nos estrangeiros, até 18 de Junho de 1849 (substituído por Saldanha de 3 de Maio a 1 de Junho de 1849, por doença).

Probos, instruídos, mas sem saberem administrar – Os cavalheiros que compunham o Ministério eram probos e a maioria é de homens instruídos; contudo, apenas tinha dois homens capazes de administrar: Gomes e Castro e Falcão (Fronteira, qualificando os membros do governo).

Concordata –Costa Cabral que, logo em 1842, reatara as relações diplomáticas com Roma, negoceia uma Concordata visando a criação de um Tribunal de Nunciatura e de uma Bula de Santa Cruzada, assinada em 21 de Outubro.