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Acto Adicional: do armistício constitucional aos melhoramentos materiais
A primeira greve em Portugal ao regresso do Império em França
Arquivo antigo do
anuário CEPP
Acto
Adicional de 5 de Julho de 1852. Armistício constitucional.
Eleição
nº 13 (12 de Dezembro) Nova
vitória dos governamentais, ainda com setembristas. Oposição cabralista
com 35 deputados. Governamentais aliados aos setembristas ordeiros,
dizem-se progressistas.
A oposição qualifica-se como conservadora e é
marcada pelos cabralistas.
É apresentada na Câmara dos Deputados uma proposta
de reforma da Carta (23 de Janeiro).
Seabra e Garrett no Governo Em 4 de Março:
António Luís de Seabra, ministro dos negócios eclesiásticos e justiça,
substituindo Rodrigo da Fonseca, que ocupava a pasta interinamente; Fontes cede
a marinha a António Luís Jervis da Atouguia, assumindo a fazenda como ministro
efectivo. Atouguia passa a pasta dos estrangeiros a Almeida Garrett.
Maçonaria
Loulé, 1º duque de (1804-1875) é eleito grão-mestre da Confederação Maçónica
Portuguesa (Março)
Acto
Adicional, o armistício constitucional –
Concluída, na Câmara
dos Deputados, a discussão da reforma da Carta. A da Câmara dos Pares apenas
termina no dia 1 de Julho (4 de Junho). D. Maria II sanciona o Acto Adicional,
que incluía a abolição da pena de morte para crimes políticos (5 de Julho).
Consagrado o sufrágio directo, tal como no regime das Constituições de 1822 e de
1838, embora se mantenha o modelo censitário, mas dispensando de censo os
possuidores de títulos literários. Confirma-se o anterior decreto de 26 de
Julho. O relator da proposta é Almeida Garrett.
Publicado o
Código Penal (5 de Julho), pouco original, bem próximo do francês de 1810 e
sem qualquer unidade sistemática. Será comentado criticamente por Levy Maria
Jordão, Comentário ao Código Penal português, 1853-1854, e por Silva
Ferrão, Teoria do Direito Penal Aplicado ao Código Penal Português,
1856-1857.
Remodelações – Em 17 de Agosto: Atouguia
reassume os estrangeiros, substituindo Garrett. Dois dias depois, Rodrigo da
Fonseca volta à justiça, substituindo Seabra.
Em 30 de Agosto: Fontes assume a titularidade do
novo ministério das obras públicas, comércio e indústria (interrompeu este
exercício de 8 de Novembro de 1855 a 3 de Janeiro de 1856, quando é substituído
por Rodrigo da Fonseca).
Egoísmos que se coordenam – Sendo
absolutamente impossível resolver ou deliberar, sobre o que quer que seja, por
acordo de princípios, delibera-se por acordo de interesses pessoais, e são os
egoísmos que se coordenam para o lucro recíproco, por não haver meio algum de
grupar os cérebros por ideias gerais e por convicções comuns; e nisto se reúne
toda a ciência do parlamentarismo contemporâneo (Ramalho Ortigão).
Eleição nº 13 da Câmara dos Deputados
(12 de Dezembro). Segundas eleições da Regeneração com nova vitória dos
governamentais, ainda ditos progressistas, com os governamentais
regeneradores aliados aos setembristas ordeiros. Nota-se, contudo, uma viragem
para o centro-direita, dado que predominam os deputados governamentais, muitos
ex-independentes que dispensam a colaboração dos rodriguistas com os
radicais que ainda os apoiam.
Há 35 deputados da oposição, dita de
conservadores, marcados pelos cabralistas. Destacam-se António Correia
Caldeira, António da Cunha Sotto Maior e António José de Ávila.
A maior parte dos deputados são empregados do
Estado e militares. Há 35 deputados da oposição para um total de 156 deputados
(36 círculos eleitorais no continente, 4 nas ilhas e 7 no ultramar).
Como diz o jornal A Revolução de Setembro,
de 18 de Dezembro, a maioria da câmara passada era do partido progressista. A
maioria da câmara de hoje é do partido do governo. Na câmara passada, a
existência parlamentar do ministério dependia dos votos dos deputados
progressistas. Hoje, qualquer que seja esse voto, o governo continuará decerto
na gerência dos negócios públicos.
Triunfa o programa de empregomania de
Rodrigo que se frustrara em 1835. Perde o grupo de Leonel Tavares Cabral e do
jornal O Patriota que chegam a apresentar uma lista num dos círculos de
Lisboa, com Leonel, Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Anselmo Braamcampo,
Augusto Quintela Emauz e Passos José, não sendo eleito nenhum deles. Leonel
demite-se da comissão central do partido em Dezembro.
Reformismo
fontista – Reforma do ensino agrícola. Criação do Instituto Agrícola de
Lisboa, onde se integra a Escola de Veterinária (16 Dezembro). Introduzido o
sistema métrico decimal, criando-se uma Comissão Central de Pesos e Medidas (22
Dezembro). Aprovada a pauta livre-cambista (22 Dezembro). Estabelecido o novo
ensino industrial e fundado o Instituto Industrial de Lisboa (30 Dezembro).
Serviços de correios e postas passam para o MOPCI (31 Dezembro).