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Da morte de D. Maria II ao começo da oposição histórica de Herculano
Morte
de D. Maria II. Regência de D. Fernando (1853)
Arquivo antigo do
anuário CEPP
Maçonarias – José Joaquim de Almeida Moura
é eleito Grão-Mestre do Grande Oriente de Portugal, enquanto o mesmo cargo, na
Maçonaria Eclética Portuguesa é assumido por Miguel António Dias.
Aprovam-se os estatutos do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes
Laboriosas, criado em 5 de Maio de 1851, por
iniciativa da Confederação Maçónica Portuguesa (16 de Junho). À frente do centro
vai estar o próprio grão-mestre da confederação, António Rodrigues Sampaio (de
1852 a 1863), surgindo, como outros dirigentes, Francisco Maria de Sousa Brandão
(1818-1892) e Gilberto António
Rola
O Paiz
contra A Revolução de Setembro – Sucedendo ao jornal O Paiz,
criado em 1851, Alexandre Herculano promove a criação de O Portuguez, em
11 de Abril, que se torna no órgão de oposição ao rodriguismo, então
defendido por A Revolução de Setembro, dirigido por António Rodrigues
Sampaio que, na altura, é o porta-voz do situacionismo governamental. No mesmo
jornal, Também o socialista António Pedro Lopes Mendonça secunda o
situacionismo, repudiando a descentralização proposta por Herculano: fundai o
municipalismo, descentralizai a vosso sabor e se, ao mesmo tempo, não
imprimirdes à sociedade um grande movimento de civilização, tereis o despotismo
administrativo localizado, tereis constituído uma oligarquia de campanário
(25 de Maio).
Detestamos todas as tiranias – Que o
país seja governado pelo País, é a nossa divisa... que a vida política
seja levada a todas as extremidades do corpo da nação. Queremos que a vida local
seja uma realidade, para que o Governo central possa representar o pensamento do
País. Detestamos todas as tiranias, seja qual for o nome com que se disfarcem,
seja a tirania dos reis contra os povos, dos privilegiados contra a plebe, da
capital contra as províncias, de uma facção contra o País, ou de uma oligarquia
de especuladores políticos contra a totalidade dos cidadãos (Alexandre
Herculano em 20 de Maio de 1853).
Fim de O
Patriota –
O jornal radical de
Leonel Tavares Cabral encerra em Abril, assumindo-se contra os pançudos
saltimbancos da Regeneração e os tiosinhos que estavam no Parlamento
a apanhar gafanhotos e a moer tempo.
Jornais
cabralistas. Os anteriores jornais cabralistas A Imprensa e A Lei
fundem-se em Imprensa e Lei. Já não falam em Costa Cabral e estão prestes
a perder a unidade que vai ser desencadeada a partir da morte de D. Maria II.
Conflitos entre
Lisboa e o Papa Conflito com o Papa. Considera-se que um breve pontifical
afecta o nosso Padroado no Oriente (Maio).
Crítica dos actos
ditatoriais do governo Discurso da Coroa. Assume-se em oposição o deputado
Basílio Alberto de Sousa Pinto (1790-1881), visconde de São Jerónimo. Critica os
actos ditatoriais do governo que não tem maioria clara na Câmara dos Pares (2 de
Janeiro)
Fomento florestal
Medidas de fomento florestal. Distribuição gratuita de sementes de pinheiros.
Promoção da cultura da amoreira. Responsabilização das câmaras municipais pelos
projectos de povoamento florestal. Em 26 de Novembro será nomeada uma comissão
para a redacção de um código florestal, integrando Rodrigo Morais Soares (23 de
Março).
Inaugurados
trabalhos dos caminhos-de-ferro
Aprovados os
estatutos da Companhia Central Peninsular dos Caminhos-de-ferro de Portugal, a
quem o governo concede a construção do caminho-de-ferro de Lisboa até à
fronteira espanhola. Neste dia também são solenemente inaugurados os trabalhos
(10 de Maio).
Epidemia de
cólera, desencadeada a partir de 1853 em Portugal. O primeiro caso surge em
Valença, com os primeiros focos a instalarem-se em Maio de 1854. Recrudesce em
Outubro de 1855. De Abril a Junho de 1856, a epidemia assola Lisboa, sendo
apenas extinta em Novembro. Morrem, na capital, durante esse ano, 3 275 pessoas
(Outubro).
A ciência administrativa – Lei cria a
cadeira de Direito Administrativo e Princípios de Administração na
Faculdade de Direito (13 de Agosto de 1853). Regulamento de um Curso
Administrativo português, que, depois de uma boa aceitação inicial, depressa
entra em decadência, sendo abandonado (6 de Junho de 1854).
Remodelação –
Em 3 de Setembro: Frederico Guilherme da Silva Pereira (1806-1871) assume a
pasta da justiça (até 6 de Junho de 1856).
Morte de D. Maria
II, então com 34 anos (15 de Novembro). Começa a regência de D.
Fernando que é ratificada pelas Cortes (19 de Dezembro). Na altura, D. Pedro,
acompanhado pelo visconde de Carreira, anda em viagem de estudo pela Europa.
Chega a encontrar-se com Napoleão III em Bolonha em Maio de 1854.
Nas eleições
municipais de Novembro, surge, pela primeira vez, uma oposição regeneradora
e progressista ao governo também dito regenerador e progressista e que, por ser
mais regeneradora e mais progressista, começa a identificar-se como histórica.
Herculano na
oposição – É, na altura, que Alexandre Herculano, assumindo um programa
municipalista e descentralizador, é eleito presidente da câmara de Belém, não
aceitando ser nomeado pelo governo como membro da comissão de reforma do teatro.