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  Anuário de 1857

Loulé recruta antigos cabralistas, o anticlericalismo e começo da questão da barca Charles et George

Estatística, telégrafo e nova religião da humanidade

Arquivo antigo do anuário CEPP

Já apoiam o governo António José de Ávila e Carlos Bento da Silva, antigos cabralistas.

 

Novos equilíbrios da balança do poder – Por ocasião da discussão do discurso da Coroa, surgem discursos oposicionistas de José Maria Eugénio de Almeida e de António Bernardo da Costa Cabral (20 de Fevereiro de 1857). Acedem ao governo, em 14 de Março dois antigos cabralistas, António José de Ávila e Carlos Bento da Silva. Sá da Bandeira demite Saldanha. Extinção do cargo de Comandante Supremo do Exército (Julho). Na Primavera, José Bernardo da Silva Cabral regressa à política activa, com o lançamento do jornal Rei e Ordem.

Concordata – Em 21 de Fevereiro é assinada a Concordata sobre o Padroado Português do Oriente com o papa Pio IX, e negociada por Rodrigo da Fonseca, que apenas será ratificada em 6 de Fevereiro de 1860. Perdemos prerrogativas relativamente a missões da China, Cochinchina e Japão. Herculano comanda a oposição ao processo, publicando A Reacção Ultramontana ou a Concordata de 21 de Fevereiro, onde apela a Sá da Bandeira: Acorda, moderno Bayard, que te matam!

Escravatura – Decreto, fixando a data de 29 de Abril de 1878 para a extinção da escravatura. Esta data-limite será antecipada pelo decreto de 23 de Fevereiro de 1869 (29 de Abril).

Casamento de D. Pedro V. Lavradio vai à Alemanha para tratar do casamento de D. Pedro V (Agosto). O tratado matrimonial com D. Estefânia Hohenzollern-Sigmaringen (1837-1859) é assinado em 8 de Dezembro.

Médicos e sopas – Abertura da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (Setembro). Criada uma comissão para a distribuição de sopas económicas (Outubro).

O novo congreganismo – Loulé, pressionado pelo Paço, autoriza a entrada em Portugal da congregação francesa das Irmãs da Caridade de S. Vicente de Paulo (23 de Outubro). Há um novo ultramontanismo eminentemente aristocrático que, não pretendendo o monopólio da instrução oficial, preferia o da caridade e o da liberdade, com um rei católico e neo-romântico, amante de uma esposa beata, e o ministro com o seu génio principesco e mole (Oliveira Martins, comentando a autorização para a entrada das Irmãs da Caridade).

Remodelações – Em 23 de Janeiro: Sá da Bandeira substitui Loureiro na guerra (até 8 de Setembro).

Em 14 de Março: Loulé no reino (continua a acumular a presidência e os estrangeiros); Vicente Ferrer de Neto Paiva (1798-1886) na justiça (até 4 de Maio). Carlos Bento da Silva nas obras públicas (até 16 de Março de 1859). Ávila na fazenda. Silva Sanches abandona o governo onde assumia as pastas do reino e da fazenda. Entram no gabinete dois antigos cabralistas (Ávila e Carlos Bento da Silva). José Estevão e os irmãos Passos já haviam abandonado as ideias progressistas. Em 4 de Maio: Ávila na justiça (até 7 de Dezembro).

Em 8 de Setembro: António Rogério Gromicho Couceiro na guerra (até 16 de Dezembro de 1858).

Em 7 de Dezembro: José Silvestre Ribeiro (1807-1891) na justiça (até 31 de Março de 1858).