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Governo
nº 24 Terceira/ Aguiar (477 dias, desde 16 de Março). Um ano e
três meses de intervalo regenerador, num tempo em que a sociedade civil
parece já ser mais dinâmica do que a estrutura política. A partir de 1 de
Maio de 1860, o governo passa a ser presidido por Joaquim António de Aguiar,
depois da morte de Terceira em 26 de Abril.
Até à sua doença, Terceira, mero pendão e aparato, que não fazia
parte do partido regenerador, assumindo-se como um cartista que não era
cabralista nem avilista, acumula a presidência, a guerra e os estrangeiros.
Fontes Pereira de Melo no reino, mas acumulando a marinha desde 16 de Março
de 1860. Martens Ferrão nos negócios eclesiásticos e justiça (até 4 de Julho
de 1860). José Maria Casal Ribeiro (1825-1896) na fazenda, com os
estrangeiros desde 24 de Abril de 1860. Adriano Maurício Guilherme Ferreri,
outro terceirista, isto é, não regenerador, na marinha (até 12 de Março de
1860, quando faleceu). António de Serpa Pimentel (1825-1900) nas obras
públicas.
Um
deputado confusamente republicano – Em 19 de Março, o deputado Antonino
José Rodrigues Vidal declara ser um progressista adiantado da opinião
republicana, pelo menos em aspiração.
Associação
Patriótica – Também nebulosa é a criação da Associação Patriótica, ou do
Poço do Borratém, um grupo herdeiro das tradições do Partido Nacional, onde
se destaca Francisco de Sousa Brandão e que vai emergir em 1861, como o
organizador das primeiras movimentações de massas do liberalismo monárquico.
Morte
da rainha D. Estefânia (17 de Julho). Adoecera gravemente com uma angina
diftérica no dia 9, depois de uma visita à Trafaria. D. Pedro V vai
declarar:
resigno-me com a minha sorte: cumprir o dever pelo que ele é, não pelo que
ele pode valer. Para fazê-lo basta-me o exemplo da Esposa que perdi quando
apenas começava a apreciar o tesouro que me foi dado gozar. é um coração
puro para a terra e um espírito para o Céu...Nos quatro anos do meu reinado,
eu e os meus povos temos sido companheiros de infortúnio. Diz-me a
consciência que nunca os abandonei. Não me abandonem eles hoje, que procuro
um conforto, e quase o não encontro, senão na religião que manda crer e
esperar, e nas lágrimas que se confundem com as minhas.
Concordata
com a Santa Sé sobre o padroado português no Oriente (10 de Setembro)
Salamancada
– Assinado um contrato com o financeiro espanhol D. José de Salamanca
para a conclusão da via férrea do Norte (da Ponte de Pedra ao Porto) e para
a ligação ao Entroncamento (a Linha do Leste, até à fronteira de Espanha).
Salamanca há-de ser o fundador da Companhia Real dos Caminhos-de-ferro
Portugueses, com estatutos aprovados em 22 de Dezembro de 1859. O contrato
de concessão será aprovado por Carta de Lei de 5 de Maio de 1860 (14 de
Setembro).
Folha
oficial – O Diário do Governo passa a designar-se
Diário de Lisboa.
folha official do Governo Portuguez (31 de Outubro)
Nova
lei eleitoral – Dissolução da Câmara dos Deputados (23 de
Novembro). No mesmo dia, nova lei eleitoral. Emitida por uma Câmara de
Deputados de maioria histórica, já com um novo governo regenerador em
funções, tendo a inspiração de José Estêvão e de Oliveira Marreca.
Estabelecidos círculos uninominais e diminuição do censo. Os círculos
uninominais duram até 1884, quando se institui um sistema misto,
acentuando-se progressivamente o plurinominal em 1895 e 1899. Isto é, depois
de 28 anos de círculos uninominais, seguiram-se 15 anos do modelo misto, até
surgirem 11 anos de predominância do plurinominal. O continuado modelo
uninominal da reforma eleitoral de 1859, de marca regeneradora, tanto dá
vitórias aos mesmos em 1860 (a oposição histórica apenas consegue 7%), como
aos históricos em 1861 (a oposição regeneradora chega aos 32%) e 1864
(oposição regeneradora com 30%). Permite a fusão de históricos e
regeneradores em 1865 e a respectiva vitória eleitoral nesse mesmo ano, mas
conduz, depois, aos resultados de paridade entre estes dois partidos e novas
forças, em 1868.