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1880 |
A procura da Vida Nova – Do centenário de Camões à chegada dos telefones
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Reformismo – Carta de lei cria
a Caixa Económica Portuguesa, a ser administrada pela Caixa Geral de Depósitos
(26 de Abril). Lei de reforma do ensino secundário, com liceus nacionais
centrais, liceus nacionais e escolas municipais secundárias (11 de Junho).
Criado o imposto de rendimento (18 de Junho).
Anti-congreganismo governamental –
Circular do ministro do reino aos governadores civis determina que se
recolham informações sobre escolas e outros estabelecimentos de ensino
pertencentes a congregações religiosas ou por elementos a elas ligados (17 de
Novembro).
Patriotismo imperial – A
imprensa faz ataque feroz ao Tratado de Lourenço Marques, destacando-se os
publicistas republicanos (8 de Junho). Ano do centenário de Camões, promovido
por Teófilo Braga, com o apoio de Ramalho Ortigão. Grande cortejo em Lisboa,
organizado pela maçonaria, mas onde participa a própria rainha, em carruagem
descoberta (10 de Junho). Antes dessa data, não há na história partido
republicano, mas apenas história da ideia, da aspiração republicana, porque só a
contar daquela época a política o pode reconhecer como um novo factor,
susceptível de influir nos seus arranjos (Basílio Teles). A comissão
organizadora é presidida pelo visconde da Juromenha e mobiliza Eduardo Coelho, o
fundador do Diário de Notícias, Sebastião Magalhães Lima e Manuel
Pinheiro Chagas. Funda-se O Século, graças à acção de Magalhães Lima,
visando aproximar os republicanos dispersos pelo País, dar unidade de
pensamento e de acção a uma causa, que a celebração do tricentenário de Camões
revelou e afirmou.
Republicanos promovem vários
comícios: no Teatro dos Recreios, com Manuel Arriaga, Elias Garcia e Magalhães
Lima (17 de Março). Banquete presidido por Manuel de Arriaga consagra a unidade
de todas as correntes republicanas (14 de Junho). Comício em Lisboa nas Janelas
Verdes, depois de meetings preparatórios em todas as freguesias (14 de
Agosto).
Eleições suplementares para
quinze vagas de deputados, com abstenção dos regeneradores (5 de Setembro). Os
republicanos são derrotados em Lisboa.
Religião e política – Nas
eleições deste ano, nos círculos onde a oposição não fez pressão na liberdade
das consciências, os eleitores eram brindados com uma pipa de vinho e balaios de
rosca à porta da igreja. Cada eleitor comia um pão, levava três nas algibeiras,
e um no espaço vazio da consciência que ficava na urna... Padres cheios de
ideias e de bifes de cebolada, fazem discursos com largos gestos, aquecendo as
imagens com os cigarros que sorvem engolindo o fumo e a gramática num grande
desprezo da moral e da sintaxe. São futuros abades e cónegos... O povo das
feiras escuta-os com atenção palerma, e parece que os acredita tanto nas
estalagens como nos púlpitos. A religião e a política deste povo, pelo que
respeita à consciência, é tudo o mesmo (Camilo Castelo Branco)
Fornada de 16 pares (16 de
Dezembro). Em vez de se fazerem caudilhos para o conflito inevitável,
fazem-se pares como quem atira uns cepos ao prato da balança para equilibrar as
forças hostis. Pares e viscondes a rodo. Os primeiros dão o voto nas contendas
da câmara alta em harmonia com as votações da câmara baixa. Os segundos dão
dinheiro; são uns sujeitos que mudam de nome, e sustentam em Carnaval perpétuo a
ficção da velha aristocracia aluída (Camilo Castelo Branco).
Remodelações – Em 17 de Junho:
Anselmo José Braamcamp na marinha (até 3 de Julho).
Em 3 de Julho de 1880: Januário
Correia de Almeida (1829-1901), Visconde de S. Januário na marinha.
Em 29 de Novembro: João Crisóstomo é
substituído por José Joaquim de Castro na guerra. Suspenso o decreto que
permitia a reforma dos coronéis como generais de divisão e que recebeu amplos
protestos dos oficiais de engenharia e de artilharia.
& Agostinho, José (III): 341, 344, 345, 346, 347, 348, 352, 353; Assumpção (1982): 665; Chagas, Pinheiro (História de Portugal Popular e Ilustrada, XII): 501; Ferrão (1963): 273; Ferreira, Joaquim (Memórias de Camilo): 475, 485, 486; Lima, Sebastião Magalhães (I), pp. 113 ss.; Martins, Francisco da Rocha (1929): 398; Oliveira, Lopes d': 37, 38, 39; Peres, Damião /Carvalho, Joaquim de (VII): 409, 410; Teles, Basílio (Do Ultimatum...): 60 ss..