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  Anuário de 1880

1880

A procura da Vida Nova – Do centenário de Camões à chegada dos telefones

Da expulsão dos jesuítas (em França) ao Orfeon Académico

Da autonomia das ciências do espírito ao nascimento da primeira escola de ciência política

Arquivo antigo do anuário CEPP

Continua governo Braamcamp.

Lançado o programa dito Vida Nova de António Cândido

Regresso dos jesuítas a Portugal.

Centenário de Camões (10 de Junho).

Série de comícios republicanos

Eleições suplementares em 5 de Setembro. Os regeneradores opta pela abstenção e os republicanos são derrotados em Lisboa

Fornada de 16 pares (Dezembro)

Reformismo – Carta de lei cria a Caixa Económica Portuguesa, a ser administrada pela Caixa Geral de Depósitos (26 de Abril). Lei de reforma do ensino secundário, com liceus nacionais centrais, liceus nacionais e escolas municipais secundárias (11 de Junho). Criado o imposto de rendimento (18 de Junho).

Anti-congreganismo governamental – Circular do ministro do reino aos governadores civis determina que se recolham informações sobre escolas e outros estabelecimentos de ensino pertencentes a congregações religiosas ou por elementos a elas ligados (17 de Novembro).

Patriotismo imperial – A imprensa faz ataque feroz ao Tratado de Lourenço Marques, destacando-se os publicistas republicanos (8 de Junho). Ano do centenário de Camões, promovido por Teófilo Braga, com o apoio de Ramalho Ortigão. Grande cortejo em Lisboa, organizado pela maçonaria, mas onde participa a própria rainha, em carruagem descoberta (10 de Junho). Antes dessa data, não há na história partido republicano, mas apenas história da ideia, da aspiração republicana, porque só a contar daquela época a política o pode reconhecer como um novo factor, susceptível de influir nos seus arranjos (Basílio Teles). A comissão organizadora é presidida pelo visconde da Juromenha e mobiliza Eduardo Coelho, o fundador do Diário de Notícias, Sebastião Magalhães Lima e Manuel Pinheiro Chagas. Funda-se O Século, graças à acção de Magalhães Lima, visando aproximar os republicanos dispersos pelo País, dar unidade de pensamento e de acção a uma causa, que a celebração do tricentenário de Camões revelou e afirmou.

Republicanos promovem vários comícios: no Teatro dos Recreios, com Manuel Arriaga, Elias Garcia e Magalhães Lima (17 de Março). Banquete presidido por Manuel de Arriaga consagra a unidade de todas as correntes republicanas (14 de Junho). Comício em Lisboa nas Janelas Verdes, depois de meetings preparatórios em todas as freguesias (14 de Agosto).

Eleições suplementares para quinze vagas de deputados, com abstenção dos regeneradores (5 de Setembro). Os republicanos são derrotados em Lisboa.

Religião e política – Nas eleições deste ano, nos círculos onde a oposição não fez pressão na liberdade das consciências, os eleitores eram brindados com uma pipa de vinho e balaios de rosca à porta da igreja. Cada eleitor comia um pão, levava três nas algibeiras, e um no espaço vazio da consciência que ficava na urna... Padres cheios de ideias e de bifes de cebolada, fazem discursos com largos gestos, aquecendo as imagens com os cigarros que sorvem engolindo o fumo e a gramática num grande desprezo da moral e da sintaxe. São futuros abades e cónegos... O povo das feiras escuta-os com atenção palerma, e parece que os acredita tanto nas estalagens como nos púlpitos. A religião e a política deste povo, pelo que respeita à consciência, é tudo o mesmo (Camilo Castelo Branco)

Fornada de 16 pares (16 de Dezembro). Em vez de se fazerem caudilhos para o conflito inevitável, fazem-se pares como quem atira uns cepos ao prato da balança para equilibrar as forças hostis. Pares e viscondes a rodo. Os primeiros dão o voto nas contendas da câmara alta em harmonia com as votações da câmara baixa. Os segundos dão dinheiro; são uns sujeitos que mudam de nome, e sustentam em Carnaval perpétuo a ficção da velha aristocracia aluída (Camilo Castelo Branco).

Remodelações – Em 17 de Junho: Anselmo José Braamcamp na marinha (até 3 de Julho).

Em 3 de Julho de 1880: Januário Correia de Almeida (1829-1901), Visconde de S. Januário na marinha.

Em 29 de Novembro: João Crisóstomo é substituído por José Joaquim de Castro na guerra. Suspenso o decreto que permitia a reforma dos coronéis como generais de divisão e que recebeu amplos protestos dos oficiais de engenharia e de artilharia.

& Agostinho, José (III): 341, 344, 345, 346, 347, 348, 352, 353; Assumpção (1982): 665; Chagas, Pinheiro (História de Portugal Popular e Ilustrada, XII): 501; Ferrão (1963): 273; Ferreira, Joaquim (Memórias de Camilo): 475, 485, 486; Lima, Sebastião Magalhães (I), pp. 113 ss.; Martins, Francisco da Rocha (1929): 398; Oliveira, Lopes d': 37, 38, 39; Peres, Damião /Carvalho, Joaquim de (VII): 409, 410; Teles, Basílio (Do Ultimatum...): 60 ss..