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  Anuário de 1881

1881

Portugal Contemporâneo, cinco anos de fontismo, epidemia positivista e imperialismo

Do triunfo do positivismo à fundação de O Século

Portugal Contemporâneo

O Estado de Bem-Estar e o catolicismo social

Arquivo antigo do anuário CEPP

  Comícios da oposição monárquica e republicana contra o Tratado de Lourenço Marques.

Sociedade de Geografia de Lisboa lança o plano do mapa cor-de-rosa.

 

 

 

Governo nº 38 Sampaio/ Fontes (Março) (1794 dias). Fontes passa a chefiar o gabinete em 14-11.

Eleição nº 28 (21 de Agosto de 1881). Vitória dos regeneradores, com 122 deputados. Mobilizados os regeneradores da unha preta, como Barjona, Lopo Vaz, Hintze e Vilhena, a esquerda com que se pretendia substituir os progressistas. Estes ficam reduzidos a 6 deputados. 8 deputados constituintes e 1 republicano.

A construção do império – Continua em ascensão o patriotismo imperial, levantando-se uma onda de fundo contra o Tratado de Lourenço Marques, assinado pelo governo de Fontes, através do ministro Andrade Corvo, e assumido pelo governo de Braamcamp. Os republicanos promovem inúmeros comícios patrióticos, em Lisboa e no Porto, ao mesmo tempo que uma esquadra britânica fundeia no Tejo. A Sociedade de Geografia de Lisboa, presidida por Barbosa du Bocage, estabelece como objectivo nacional a ocupação dos territórios situados entre Angola e Moçambique.

Anda coisa no ar – D. António Alves Martins, face aos progressos republicanos, declara: anda coisa no ar (12 de Fevereiro). Carga da Guarda Municipal contra comício republicano que decorre na Rua de S. Bento, com cerca de 3 000 pessoas (13 de Março).

Queda do governo progressista – Intervenção moderada de Fontes Pereira de Melo na Câmara dos Pares. Fala persuasivamente, mas desmantelando a acção do governo (16 de Março). Apresentada uma moção de desconfiança, onde o governo passa apenas por um voto, com dois ministros a exercerem o respectivo direito parlamentar. Está eminente a queda do gabinete, quando o rei não concede a recomposição do mesmo. Fontes começa por aceitar formar governo, mas logo declina e, de acordo com o rei, é chamado Rodrigues Sampaio.

Governo nº 38 Sampaio/Fontes (14 de Março, 1794 dias). Voltam ao poder os regeneradores, aí permanecendo durante cerca de cinco anos. É o terceiro governo de Fontes e o 14º do reinado de D. Luís. Configura-se um novo situacionismo, marcado por aquilo que Salazar definirá ao proclamar que a essência do poder é alguém procurar manter-se. Naturalmente, o fontismo reforça-se nas eleições de Agosto, com uns esmagadores 89%. O presidente do conselho é considerado como o dono da locanda, como alguém que maneja um poder oculto (Rafael Bordalo Pinheiro), apesar de se dizer oportunista à maneira inglesa e de reconhecer que é ridículo dizer-se que em Portugal se podiam fazer eleições livres.

 

Rodrigues Sampaio acumula a presidência e o reino. Miguel Martins Dantas (1821-1910) nos estrangeiros (não chega a exercer essas funções). Lopo Vaz de Sampaio e Meloö (1848-1892) na fazenda. Caetano Pereira Sanches de Castro na guerra. António José de Barros e Sá (n. 1823) na justiça. Júlio Marques de Vilhena (1846-1928) na marinha. Ernesto Rudolfo Hintze Ribeiro (1849-1907) nas obras públicas.

Fontes, entre 1881 e 1883 acumula a presidência, a fazenda e a guerra. A partir de 1883 acumula apenas a guerra, mas entre Fevereiro e Novembro assume também as obras públicas. Entre os ministros constantes, embora mudando de pasta, apenas Hintze Ribeiro. Em 29 de Abril: Miguel Martins Dantas, que não chega a exercer, é substituído por Hintze Ribeiro nos estrangeiros. Este exerce estas funções até 14 de Novembro de 1881, quando é substituído por António Serpa.

 

Propaganda republicana – Discurso do advogado Alexandre Braga (1871-1921) no Porto durante três horas. Alguém que, segundo Raul Brandão, fez da sua vida uma orgia...com esplêndidos discursos (15 de Abril). Na altura, já se destaca Basílio Telesö , colaborador do jornal Folha Nova, dirigido por Emídio de Oliveira. Continuam os protestos do patriotismo imperial dos republicanos especialmente contra o Tratado de Lourenço Marques, mostrando-se ainda activo o general Sousa Brandão. Alguns oficiais chegam mesmo a oferecer-se para levantar guerrilhas no Norte do país. Gomes Leal chega a emitir o poema-carta A Traição. Preso no Limoeiro emite mais textos, um dos quais com o título de O Renegado, contra Rodrigues Sampaio. Rafael Bordalo Pinheiro, em o António Maria, apoia o processo sedicioso.

Eleição nº 28 (21 de Agosto). Vitória dos regeneradores, com 122 dos 149 deputados. Mobilizados os regeneradores da unha preta, como Barjona, Lopo Vaz, Hintze e Vilhena, a esquerda com que se pretende substituir os progressistas. Estes ficam reduzidos a 6 deputados. 8 deputados constituintes e 1 republicano.

Teófilo Braga apresenta-se como candidato republicano por Ponta Delgada. Mas Antero de Quental, já em 1880, desconsidera o grupo dos republicanos açorianos, em carta de 1 de Abril, dirigida a Alberto Sampaio: é um partido de lojistas capitaneados por bacharéis pífios ou tontos... Duma tal república só há-de sair a fome e a anarquia. Mas, como de tudo isso pode muito bem sair a união ibérica, única solução para a esfalfada nacionalidade portuguesa, vejo com gosto este movimento de dissolução.

Nova chefia do governo – Rodrigues Sampaio demite-se quando está gravemente doente, invocando, como pretexto, um conflito de competências entre os ministros da guerra e da fazenda. Falecerá em 13 de Setembro de 1882. Antes, tinham morrido António José de Ávila (3 de Maio de 1881) e Alves Martins (5 de Fevereiro de 1882). Fontes exclui Lopo Vaz da governação. Assim, prefere equilibrar, ir vivendo, durar, segundo as palavras de Lopes d’Oliveira.

Em 14 de Novembro: Fontes substitui Rodrigues Sampaio na presidência. Ocupa a fazenda, até então de Lopo Vaz, director geral da instrução e das alfândegas. Substitui na guerra o general Caetano Pereira Sanches de Castro; Tomás Ribeiro no reino; Júlio de Vilhena na justiça; José de Melo Gouveia, na marinha; António Serpa nos estrangeiros; Hintze Ribeiro nas obras públicas (até 24 de Outubro de 1883).

& Agostinho, José (III): 356; Almeida, Pedro Tavares de (1991): 238; Bonifácio, Maria de Fátima (2002): 98; Chagas, Pinheiro/ Gomes, Marques (XII): 483, 484, 485, 486; 494, 495, 496, 498, 510, 514, 519; Ferreira, Joaquim: 485; Flores, Francisco Moita (1995): 240; Lima, Sebastião de Magalhães (I): 131 ss.; Oliveira, Lopes d': 43, 44, 45, 47, 48, 50, 51; Ortigão, Ramalho (As Farpas, IV): 280; Paixão, Braga (1964): 514; Peres, Damião /Carvalho, Joaquim de (VII): 409, 410; Santos, António Ribeiro dos: 201, 225; Serrão, Joaquim Veríssimo (IX): 67; Silva, Lúcio Craveiro da (1959): 63.