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1884
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Alargamento do sufrágio, Cartilha do Povo e candidaturas católicas
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Reforma do sistema político –
Discutida na Câmara dos Deputados a proposta de reforma da Carta, visando a
criação de pares electivos, cujo relator é Júlio de Vilhena (15 de Janeiro).
Aprovada nova lei eleitoral,
com o apoio da oposição progressista (21 de Maio). Dissolução em 24 de Maio.
Aumento do número de deputados para 169. 79 círculos uninominais no Continente.
Abrangida cerca de 70% da população adulta. A lei vigora durante uma década,
permitindo aos governamentais cerca de uma centena de deputados. Sufrágio misto
com círculos plurinominais de lista incompleta nos círculos com sede nas
21 capitais de distrito. Visa-se a passagem para o sistema proporcional. A outra
metade dos deputados é eleita em círculos uninominais. 6 deputados por
acumulação de votos (pelo menos 5 000 em todo o reino), garantindo-se assim a
representação das minorias. Com este modelo misto, de inspiração regeneradora,
teremos vitórias dos regeneradores em 1884, 1890 e 1892, bem como dos
progressistas em 1887 e 1889.
Católicos, republicanos e
provincianos – Surgem candidaturas católicas pelo Porto e Braga, com
oposição dos miguelistas. Samodães propõe a constituição de um partido
conservador. O republicano José Falcão publica a Cartilha do Povo.
Oliveira Martins lança o programa de A Província (25 de Maio).
Emitida a Nova Reforma Penal
por lei de 14 de Junho, conforme proposta de Lopo Vaz de Sampaio e Melo.
Eleição nº 29 (29 de Junho).
Vitória dos regeneradores fontistas com 110 dos 169 deputados, mas o acto
eleitoral é marcado por sangrentos incidentes no Funchal. A maioria regeneradora
tem o apoio de 8 deputados constituintes. Progressistas, depois de prévio acordo
com os governamentais, conseguem 34 deputados (um deles é o estudante Carlos
Lobo d'Ávila). Dois deputados republicanos. Há uma acalmia competitiva, dado que
os governamentais deixam de pretender o esmagamento dos progressistas e nos
finais de 1883 celebram um acordo pré-eleitoral com os progressistas. O
rotativismo, expressão inventada em 1900 por João Franco, atinge o clímax,
dado que nenhum dos grandes partidos admite a eliminação do principal
concorrente.
Contra os avançados – Os
progressistas têm praticado a censurável insídia de favonear com o seu silêncio
e às vezes com o seu aplauso as diatribes do Século e as parlamentares do
Arriaga. Sempre assim. Os mais avançados do liberalismo, os Passos, entraram no
Porto fazendo cauda aos Póvoas, em 1846 ou 47. A atitude dos jornais liberais,
mas oposicionistas, é a satisfação quando a corte é insultada em caricaturas.
Girândolas de elogios à graça de Bordalo, a mais chata e desgraciosa fantasia
(Camilo Castelo Branco).
O mistério das rotações – Há
entre el-rei e o povo/Por certo um acordo eterno:/Forma el-rei governo novo/
Logo o povo é do governo/ Por aquele acordo eterno/Que há entre el-rei e o povo.
/Graças a esta harmonia/ Que é realmente um mistério,/Havendo tantas facções,/O
governo, o ministério/ Ganha sempre as eleições/ Por enorme maioria!/ Havendo
tantas facções,/É realmente um mistério! (João de Deusö
)
Propaganda republicana –
Proibido cortejo de homenagem a Fernandes Tomás, promovido pelos republicanos
(22 de Agosto). 50 000 manifestantes republicanos homenageiam Fernandes Tomás no
cemitério (4 de Setembro).
Começa a Conferência de Berlim
(15 de Novembro). A Alemanha apenas entrara em África em 1883, com a compra de
Angra Pequena. Instala-se a partir de 1884 nos Camarões e na África Oriental. A
conferência, que dura até 26 de Fevereiro de 1885, reúne quinze Estado, sendo
inspirada por Bismarck e Jules Férry. Visa estabelecer-se a livre circulação de
mercadorias no rio Congo e a abolição do comércio de escravos.
& Almeida, Pedro Tavares de: 155, 239; Bonifácio, Maria de Fátima (2002): 104; Chagas, Pinheiro/ Gomes, Marques (XII): 539, 540; Ferreira, Joaquim (Memórias de Camilo): 522; Martins, F. A. Oliveira (1960): 66; Martins, Joaquim Pedro d'Oliveira (1924) Dispersos, I: 108 ss.; Oliveira, Lopes d': 50, 51, 52, 55; Paixão, Braga (II, 1968): 83; Rego, A. Silva: 199; Santos, António Ribeiro dos: 203.