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  Anuário de 1889

1889

 

Morte de D. Luís e república no Brasil

Dos Gatos à morte de Costa Cabral

Fabianismo, marxismos, eugenismo e intuicionismo

(Ver Arquivo antigo do anuário CEPP

Morte de D. Luís, sucedendo-lhe D. Carlos

Eleição nº 31 (20 de Outubro) Progressistas com nova vitória (68%), contra 25% dos regeneradores e 5% da Esquerda Dinástica. Mantém-se a representação republicana.

Conflito colonial com os britânicos – A rainha Vitória confere personalidade jurídica e poderes majestáticos à British South Africa Company, a célebre Chartered (25 de Outubro). Portugal tenta responder à pressão com a ocupação do Vale do Zambeze por Paiva de Andrade, do Niassa por António Maria Cardoso, do Barotze por Henrique Mitchell de Paiva Couceiro (1861-1944) e do Alto Chire pelos soldados dependentes de Serpa Pinto. Os ingleses, entretanto, lançam a sua rede de aliciamento não apenas entre os macololos, mas também entre os machonas e o chamado imperador de Gaza, Gungunhana. Tentam também armar os matabeles de Lobengula. Macololos hasteiam a bandeira inglesa em ambas as margens do Chire. Estes antigos carregadores de David Livingstone, instalados no Tete, haviam sido deslocados para tal zona pelas autoridades portuguesas (8 de Novembro). Lord Salisbury notifica Barros Gomes. Protesta contra a criação do governo do distrito do Zumbo (21 de Novembro). Na nossa resposta, defendemos a prioridade portuguesa na descoberta do Niassa. Há forte apoio na imprensa nacional e certa simpatia da própria opinião europeia (29 de Novembro). Os ingleses não replicam, mas lançam vários boatos. Acusam Serpa Pinto de ter massacrado os macololos na batalha do Chire, considerando tal território como seu protectorado. Expedição militar portuguesa, comandada por João de Azevedo Coutinho, derrota os macololos no Chire (8 de Dezembro). Ministro inglês em Lisboa protesta formalmente contra a expedição. Acusa Serpa Pinto e pede para não continuarmos a avançar em tal zona (18 de Dezembro). Barros Gomes responde imediatamente, dizendo que a expedição é apenas para trabalhos de engenharia e que não fizemos qualquer ataque, dado que apenas nos defendêramos de actos de agressão.

Greve do comércio do Porto, de 19 a 21 de Janeiro, por causa dos privilégios concedidos à Real Companhia Vinícola do Norte. Inúmeros protestos contra Emídio Navarro e Mariano de Carvalho.

Remodelações: Em 23 de Fevereiro: Eduardo José Coelho nas obras públicas. Frederico Ressano Garciaö na marinha e ultramar. Barros Gomes na fazenda.

Em 9 de Novembro: Augusto José da Cunha na fazenda; José Joaquim de Castro na guerra.

Partido legitimista publica um manifesto, onde anuncia estar disposto a fazer o jogo demo-liberal (Setembro).

Guerra Junqueiro entra em conflito com o ministro Ressano Garcia e não volta a ser deputado. Chega, então, a tentar uma aproximação com a então oposição regeneradora.

Eleição nº 31 (20 de Outubro) Progressistas com nova vitória (68%), 104 dos 169 deputados, contra 25% dos regeneradores (38 deputados) e 5% da Esquerda Dinástica (8 deputados). Mantém-se a representação republicana.

República no Brasil – Instaurada a república no Brasil (15 de Novembro). Chega a Lisboa, refugiado, o destituído Imperador do Brasil (7 de Dezembro). No jornal O Século, inúmeros artigos de congratulação e propaganda republicana, subscritos por Latino Coelho, defendendo a necessidade de uma confederação luso-brasileira, como ponto de partida para uma confederação ibero-americana, consideradas obras de equilíbrio mundial, quando o republicanismo ainda se dizia kantista.

Morte de D. Luís, sucedendo-lhe D. Carlos que presta juramento em 28 de Dezembro. Segundo José Maria de Alpoim, às vezes fazia-se com os ministros contra o Presidente do Conselho. Chegou a andar em confidências com Mariano de Carvalho e Emídio Navarro, mas depois de os largar, voltou-se para o presidente do conselho e disse: olha lá, quando é que tu pões fora estes gatunos? (Raul Brandão).