Cabral, António Bernardo da Costa (1803-1889). 1º Conde (1845) e  1º Marquês de Tomar (1878)

 

 

  Bacharel em direito (1823). Maçon. Juiz de fora em Penela (1828). Exílio de 1828 a 1832. Procurador na relação do Porto em 1832-33; juiz nos Açores em 1833-1834. Deputado em 1834-1835. Membro fundador da Sociedade Patriótica Lisbonense em 9 de Março de 1836. É aí que António Bernardo da Costa Cabral, em discursos quase republicanos, chega a apelar para a necessidade de uma ditadura da plebe.

 

  Em 1838 é eleito deputado pelos ordeiros, contra uma oposição dita de radicais e de irracionais.

 

  Administrador geral do distrito de Lisboa em 9 de Março de 1838 com o programa de reprimir a anarquia .

 

  Ministro da justiça no governo do conde de Bonfim, entre 26 de Novembro de 1839 e 9 de Junho de 1841.

 

  Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano de 1841 a 1846 e de 1847 a 1849 (tem como colaboradores o visconde da Oliveira, como grande inspector, e Moura Coutinho, como grande orador). Vai, a partir de então, instrumentalizar as lojas de tal obediência para efeitos da conquista do poder, nomeadamente pela criação de uma rede das mesmas em regimentos militares

 

  Ministro da justiça no governo de Joaquim António de Aguiar, desde 9 de Junho de 1841, revela-se um infeliz copista de Guizot, como lhe há-de chamar Caeiro da Mata

 

  Em 27 de Janeiro de 1842 comanda o pronunciamento de restauração da Carta, no Porto. Instituída uma Junta Provisória de governo, com António Bernardo da Costa Cabral, barão da Ponte de Santa Maria. Marcelino Máximo de Azevedo e Melo e António Pereira dos Reis. O ministro da justiça, chegado ao Porto, onde tinha sido eleita uma câmara municipal que lhe era próxima, da facção contrária aos irmãos Passos, logo entra em ligação com as lojas do GOL que lhe são afectas, principalmente com a loja Regeneração, dirigida por José Bernardo da Silva Costa Cabral (1801-1869), conde de Cabral desde 1867. Já no dia 25 mandara para Lisboa dois delegados seus, a fim de pedirem o apoio do GOL para a movimentação. Antes, José Jorge Loureiro avisara Terceira da inoportunidade da ida de Cabral ao Porto e da quebra de disciplina que representa a proliferação de clubes maçónicos nos quartéis.  Emitido um Manifesto da Junta Provisória aos Portugueses, onde se clama que a constituição de 1838 não tem as simpatias de nenhum partido político: o mesmo, que a fez, tem atentado contra ele, já por meio de maquinações latentes, já por meio de demonstrações públicas e ruidosas.

Chega a Lisboa em 19 de Fevereiro.

 

  Assume a pasta do reino em 24 de Fevereiro de 1842, substituindo Luís Mouzinho de Albuquerque, mantendo-se em tal posição até 20 de Maio de 1846. Acumula com o cargo de ministro da justiça de 27 de Junho de 1842 a 3 de Maio de 1845. Vence as eleições de 5 de Junho de 1842 (onde enfrenta a ampla coalição) e de 13/ 17 de Agosto de 1845. Jugula as revoltas radicais de Fevereiro  e Abril de 1844 (as chamadas revoltas de Torres Novas e de Almeida, respectivamente).

 

Cabralismo

 

  Feito conde de Tomar em 8 de Setembro de 1845. Regressa à pasta da justiça em 21 de Abril de 1846, até 20 de Maio seguinte. A sublevação do Minho desencadeia-se em 19 de Março de 1846. Embaixador em Madrid de 1846 a 1849. Volta ao governo entre 18 de Junho de 1849 e 1851, como presidente do conselho. Embaixador no Vaticano desde 1870.

 

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Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 27-04-2007