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  Anuário de 1905

1905

Da questão dos tabacos à dissidência de Alpoim

Estuda-se a questão social

(Ver pormenores em anuário CEPP)

Eleição nº 41 (12 de Fevereiro). Vitória dos governamentais progressistas, que mantêm a ignóbil porcaria da lei eleitoral de 8 de Agosto de 1901. Regeneradores liberais, os franquistas, com 3 deputados.

Rainha Alexandra de Inglaterra em Lisboa (22 de Março)

Kaiser Guilherme II em Lisboa (27 a 30 de Março)

Dissidência de José Alpoim por causa do contrato dos tabacos (2 de Maio)

Manigância dos sobrescritos no concurso dos tabacos.

Fundada a Dissidência Progressista de José Maria Alpoim (10 de Maio).

Presidente francês visita Lisboa (27 de Outubro)

No fim do ano, sucessivos comícios de republicanos e dissidentes.

Grupos políticos

 

Campanha eleitoral dos republicanos. Manifestação republicana de apoio a Bernardino Machado na sua chegada a Lisboa (4 de Fevereiro), quando o ex-ministro e ex-deputado regenerador adere formalmente aos republicanos (5 de Fevereiro).

Eleição nº 41 (12 de Fevereiro). Vitória dos governamentais progressistas, que mantêm a ignóbil porcaria da lei eleitoral de 8 de Agosto de 1901. Os regeneradores liberais, franquistas, têm apenas 3 deputados.

Anticlericalismo francês – Surge em França a Lei da Separação de 12 de Dezembro 1905, do governo Combes, na sequência da reacção ao affaire Dreyfus e em plena República Radical. O anti-clericalismo contemporâneo remonta ao anti-congreganismo iluminista, sendo, sobretudo, marcado pelo espírito de perseguição aos jesuítas, notando-se várias ondas desde a Revolução Francesa, que tem os seus principais picos no movimento da unificação italiana, na Kulturkampf de Bismarck, entre 1871 e 1878, e no modelo da Terceira República francesa, marcada pelo positivismo.

 

Fornada de pares em 5 de Abril (Espregueira, Dias Ferreira, Veiga Beirão, Ressano Garcia, Augusto José da Cunha, Alexandre Cabral, José Maria Alpoim e Eduardo Vilaça).

Remodelação – Em 26 de Abril: Eduardo José Coelho na pasta do reino; será substituído nas obras públicas por D. João de Alarcão Velasques de Sarmento Osório (n. 1854), então governador civil de Lisboa.

Em 11 de Maio de 1905: Artur Pinto Miranda Montenegro substitui José Maria de Alpoim na justiça. Este contava ser chamado em 26 de Abril para a pasta do reino e já não se apresenta na reunião do conselho de ministros do dia 10 de Maio.

Polícia ocupa as tipografias dos jornais Século, Mundo, Vanguarda e Progresso (11 de Maio).

João Franco visita o Porto, enquanto Hintze Ribeiro parte para o estrangeiro (28 de Maio). Em pleno parlamento, no dia 22 de Agosto, o líder dos regeneradores liberais faz um importante discurso, declarando que é necessário restituir ao país a liberdade política que lhe tiramos. Critica os rotativos e as eleições fabricadas pelos governos que afastam elementos que são a expressão genuína da vontade popular. Segundo alguns observadores, o discurso teria sido concertado com o monarca, visando denunciar as intrigas que os rotativos lançaram sobre as responsabilidades de D. Carlos, uma espécie de almofada que impedia o imediato julgamento popular.

Dissidência progressista – Institui-se formalmente a dissidência de José Maria de Alpoim, invocando-se o contrato dos tabacos (2 de Maio). Conforme Raul Brandão, Alpoim é a agitação perpétua. Orador admirável, sobretudo na réplica... morreu a conspirar. Luciano acusa, então, Alpoim de estar vendido à Companhia dos Fósforos, mas o ex-ministro da justiça replica no mesmo tom, dizendo que o chefe do governo, de quem fora delfim, de estar vendido à dos Tabacos. Ambos se insultam, cada um deles considera o outro um falsário. Quando José Luciano invoca a sua palavra de honra, a Câmara desfaz-se num coro de gargalhadas (25 de Agosto).

A revolução como consequência – As dissidências anteriores, a do Mariano, a do Navarro, tinham fracassado: a do Alpoim ia dar como resultado a revolução (Raul Brandão). O novo dissidente, pouco antes da formação do primeiro governo de João Franco ter-lhe á proposto: nós, o que devíamos fazer era juntar-nos, os dois, e formar um partido único. Acabará por tentar derrubá-lo através de um golpe de Estado e será acusado de ser autor moral tanto do falhado assassinato de João Franco, como do próprio regicídio, em 1908.

Presidente francês Emile Loubet visita Lisboa. Republicanos promovem-lhe manifestações. Cantam A Marselhesa e dão vivas à República (27 de Outubro).

Nova remodelação. Em 28 de Dezembro: o jurista José Capelo de Franco Frazão (1872-1940), conde de Penha Garcia, com um curso na École Libre des Sciences Politiques de Paris, companheiro político de Barros Gomes e ex-franquista em 1901, na fazenda; José Matias Nunes na guerra; António Ferreira Cabral Pais do Amaral (1863-1956) nas obras públicas.

& Agostinho, José (V): 165; Brandão, Raul (I): 233, 234; Cabral, António (1929): 351, 352; Ferrão, Almeida: 162; Gallis, Alfredo (II): 350, 356, 357; Oliveira, Lopes: 207, 208, 209, 210, 211; Paixão, Braga (III, 1971): 38, 39, 44 ss., 47; Santos, António Ribeiro dos: 225; Serrão, Joaquim Veríssimo (X): 111; Vera Cruz, Eduardo: 360.