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1905 |
Da questão dos tabacos à dissidência de Alpoim
(Ver pormenores em anuário CEPP)
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Campanha eleitoral dos republicanos.
Manifestação republicana de apoio a Bernardino Machado na sua chegada a Lisboa
(4 de Fevereiro), quando o ex-ministro e ex-deputado regenerador adere
formalmente aos republicanos (5 de Fevereiro).
Eleição nº 41 (12 de
Fevereiro). Vitória dos governamentais progressistas, que mantêm a ignóbil
porcaria da lei eleitoral de 8 de Agosto de 1901. Os regeneradores liberais,
franquistas, têm apenas 3 deputados.
Anticlericalismo francês –
Surge em França a Lei da Separação de 12 de Dezembro 1905, do governo Combes, na
sequência da reacção ao affaire Dreyfus e em plena República Radical. O
anti-clericalismo contemporâneo remonta ao anti-congreganismo iluminista, sendo,
sobretudo, marcado pelo espírito de perseguição aos jesuítas, notando-se várias
ondas desde a Revolução Francesa, que tem os seus principais picos no movimento
da unificação italiana, na Kulturkampf de Bismarck, entre 1871 e 1878, e
no modelo da Terceira República francesa, marcada pelo positivismo.
Fornada de pares em 5 de Abril
(Espregueira, Dias Ferreira, Veiga Beirão, Ressano Garcia, Augusto José da
Cunha, Alexandre Cabral, José Maria Alpoim e Eduardo Vilaça).
Remodelação – Em 26 de Abril:
Eduardo José Coelho na pasta do reino; será substituído nas obras públicas por
D. João de Alarcão Velasques de Sarmento Osório (n. 1854), então governador
civil de Lisboa.
Em 11 de Maio de 1905: Artur Pinto
Miranda Montenegro substitui José Maria de Alpoim na justiça. Este contava ser
chamado em 26 de Abril para a pasta do reino e já não se apresenta na reunião do
conselho de ministros do dia 10 de Maio.
Polícia ocupa as tipografias
dos jornais Século, Mundo, Vanguarda e Progresso (11
de Maio).
João Franco visita o Porto,
enquanto Hintze Ribeiro parte para o estrangeiro (28 de Maio). Em pleno
parlamento, no dia 22 de Agosto, o líder dos regeneradores liberais faz um
importante discurso, declarando que é necessário restituir ao país a
liberdade política que lhe tiramos. Critica os rotativos e as eleições
fabricadas pelos governos que afastam elementos que são a expressão genuína
da vontade popular. Segundo alguns observadores, o discurso teria sido
concertado com o monarca, visando denunciar as intrigas que os rotativos
lançaram sobre as responsabilidades de D. Carlos, uma espécie de almofada que
impedia o imediato julgamento popular.
Dissidência progressista –
Institui-se formalmente a dissidência de José Maria de Alpoim, invocando-se o
contrato dos tabacos (2 de Maio). Conforme Raul Brandão, Alpoim é a agitação
perpétua. Orador admirável, sobretudo na réplica... morreu a conspirar.
Luciano acusa, então, Alpoim de estar vendido à Companhia dos Fósforos, mas o
ex-ministro da justiça replica no mesmo tom, dizendo que o chefe do governo, de
quem fora delfim, de estar vendido à dos Tabacos. Ambos se insultam, cada um
deles considera o outro um falsário. Quando José Luciano invoca a sua
palavra de honra, a Câmara desfaz-se num coro de gargalhadas (25 de Agosto).
A revolução como consequência –
As dissidências anteriores, a do Mariano, a do Navarro, tinham fracassado: a
do Alpoim ia dar como resultado a revolução (Raul Brandão). O novo
dissidente, pouco antes da formação do primeiro governo de João Franco ter-lhe á
proposto: nós, o que devíamos fazer era juntar-nos, os dois, e formar um
partido único. Acabará por tentar derrubá-lo através de um golpe de Estado e
será acusado de ser autor moral tanto do falhado assassinato de João Franco,
como do próprio regicídio, em 1908.
Presidente francês Emile Loubet
visita Lisboa. Republicanos promovem-lhe manifestações. Cantam A Marselhesa
e dão vivas à República (27 de Outubro).
Nova remodelação. Em 28 de
Dezembro: o jurista José Capelo de Franco Frazão (1872-1940), conde de Penha
Garcia, com um curso na École Libre des Sciences Politiques de Paris,
companheiro político de Barros Gomes e ex-franquista em 1901, na fazenda; José
Matias Nunes na guerra; António Ferreira Cabral Pais do Amaral (1863-1956) nas
obras públicas.
& Agostinho, José (V): 165; Brandão, Raul (I): 233, 234; Cabral, António (1929): 351, 352; Ferrão, Almeida: 162; Gallis, Alfredo (II): 350, 356, 357; Oliveira, Lopes: 207, 208, 209, 210, 211; Paixão, Braga (III, 1971): 38, 39, 44 ss., 47; Santos, António Ribeiro dos: 225; Serrão, Joaquim Veríssimo (X): 111; Vera Cruz, Eduardo: 360.