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1956 |
PAIGC e MPLA, morte de Gulbenkian e tempo de não-alinhados
(Ver Tradição e Revolução, vol. II) Ver Cosmopolis |
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Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1955)
Milionário arménio, residente em Portugal desde 1942. Cidadão otomano,
forma-se em engenharia em Londres. Durante a Segunda Guerra Mundial, vive em
França, sob o regime de Vichy, onde se torna amigo do nosso embaixador
Caeiro da Mata. É este que lhe indica como advogado Azeredo Perdigão.
Instalado em Lisboa no velho Hotel Aviz, tem como médico pessoal o Professor
Fernando da Fonseca. Passa a gostar do viver habitualmente do regime
de Salazar, de quem é admirador, nessas delícias da nossa retardada belle
époque. Já em Lisboa, redige, com a ajuda de Perdigão, um segundo
testamento, em 18 de Junho de 1953, a partir do qual vai surgir a Fundação
Calouste Gulbenkianö
em 18 de Julho de 1956. Morre em 20 de Julho de 1955. Os estatutos da
Fundação são directamente redigidos por Salazar, Marcello Caetano e Azeredo
Perdigão.
Questão
colonial – Em Março, greves e manifestações de trabalhadores em Angola,
Moçambique e Guiné. Por acção de Amílcar Cabral, surge em Bissau o
Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde. Outros
fundadores são Aristides Pereira, Luís Cabral, Júlio de Almeida, Fernando
Fortes e Elisée Turpin (19 de Setembro). O Movimento Popular de
Libertação de Angola é criado em Dezembro de 1956, depois de, em Outubro
de 1955, ter surgido o Partido Comunista Angolano. Tem como
principais dirigentes Mário Coelho Pinto de Andrade, Lúcio Lara e Viriato
Cruz. Em Dezembro desse mesmo ano, Agostinho Neto, regressado a Luanda,
assume a presidência do movimento. Por essa altura, ainda o futuro comunista
Urbano Tavares Rodrigues publica Jornadas no Oriente, obra dedicada a
Sarmento Rodrigues, onde se homenageia Aniceto do Rosário o governador de
Damão.
A legalização
da repressão – Decreto-Lei nº 40 550, de 12 de Março, reforça o poder de
intervenção da PIDE no âmbito das medidas provisórias de segurança. Podem
implicar cerca de três anos de prisão. O diploma tinha sido elaborado pelo
ministro Cavaleiro Ferreira. Advogados e jornalistas protestam contra a
censura e a acção da PIDE em representação dirigida ao Presidente da
República, solicitando também amnistia para os presos políticos, e liberdade
de pensamento e de reunião (3 de Julho).
A questão
estudantil – Decreto nº 40 900 sobre encerramento de associações de
estudantes (12 de Dezembro). Surgem, desde logo, manifestações estudantis
contra o diploma, proposto por João de Almeida e Gonçalves Rodrigues. É
ministro da educação Leite Pinto, doente desde o Verão e efectivamente
substituído por Baltazar Rebelo de Sousa, o subsecretário de Estado que
tutela a Mocidade Portuguesa, acumulando as funções de comissário nacional
de 1956 a 1960, e desenvolve a campanha de luta contra a analfabetização,
lançada pelo seu antecessor, Henrique Veiga de Macedo e que tinha a
dirigi-la José Hermano Saraiva. O diploma, depois de chamado à Assembleia
Nacional para ratificação, recebe as críticas dos deputados Daniel Barbosa e
Almeida Garrett, sendo ratificado com emendas em 16 de Janeiro. Convertido
em proposta de lei do governo, desce à Câmara Corporativa para parecer, mas
não volta a ser discutido na Assembleia Nacional. Na Câmara Corporativa, há
um parecer de Guilherme Braga da Cruz, apoiado por Júlio Dantas, Inocêncio
Galvão Teles, Manuel Gomes da Silva e José Pires Cardoso.
Partido Comunista defende uma
solução pacífica para o problema político português. Pedro Soares e
Júlio Fogaça (1907-1980) até advogam o entrismo, a luta na
legalidade, principalmente nos sindicatos existentes. Destaque também para a
sexta reunião plenária do Comité Central, onde as palavras de ordem são as
de luta contra o sectarismo e de desenvolvimento de um amplo
trabalho de massas, preparando a viragem do V Congresso do ano seguinte.
Dia do Trabalhador dá origem a várias manifestações (1 de Maio). Em Junho,
nova onda de greves em Lisboa.
Humberto
Delgado recebe em Washington um convite para organizar um movimento
visando o derrube do regime. Vem então a Lisboa, onde contacta com um major
conspirador (18 de Maio). Regressa a Washington em 23 de Novembro. Voltamos
assim ao ambiente conspiratório dos anos vinte e Delgado aparece como uma
espécie de reedição de Gomes da Costa.
Oposição
republicana – Jantar de confraternização de oposicionistas, com discurso
de Carlos Cal Brandão (10 de Junho). Sessão comemorativa da oposição no
Teatro-Cine da Covilhã (5 de Outubro). Neste dia, comemorações da
implantação da república em Lisboa, onde houve estralejar de
foguetes, pela primeira vez desde 1928, romagem ao cemitério do Alto de São
João e sessão no Centro António José de Almeida. Almoço de confraternização
de elementos da oposição democrática em Lisboa, onde se aprova a formação de
comissões eleitorais da oposição em todos os distritos,
independentemente da Comissão promotora do Voto. Formada uma comissão
de honra para o efeito (13 de Dezembro).
Frente
Nacional Liberal e Democrática – Em Outubro, é criada uma Frente
Nacional Liberal e Democrática, por iniciativa de Nuno Rodrigues dos
Santos e chefiada pelo general Ferreira Martins, com o apoio de Alberto
Madureira. Opõem-se à linha oposicionista liderada por Mário de Azevedo
Gomes, apoiada por António Macedo e Carlos Cal Brandão.