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1957 |
O I Congresso Republicano de Aveiro e o Movimento Monárquico Independente
(Ver Tradição e Revolução, vol. II) Ver Cosmopolis |
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Eleições para a
Assembleia Nacional
(4 de Novembro).
Metade da lista dos candidatos do regime é novidade, surgindo novos deputados,
ligados a Marcello, como João Dias Rosas, José Hermano Saraivaö,
Júlio Evangelista, Manuel José Homem de Melo, Mário de Oliveira, Ramiro Valadão,
Américo Ramalho, António Calapez e António Carlos Lima.
A nova
nomenclatura – Na Câmara Corporativa, que passa a ser presidida por Luís
Supico Pinto, entram jovens estrelas intelectuais como Adriano Moreira,
Francisco Pereira de Moura, Eugénio Castro Caldas e João Mota Campos, bem como o
capitalista António Chamapalimaud.
Integração
europeia – No ano em que é renovado o contrato sobre as Lajes (15 de
Novembro), o relatório anual da Associação Industrial Portuguesa considera:
a integração europeia, abrindo as perspectivas de nova orientação dos mercados,
pela instauração imediata da Comunidade Económica dos Seis e preparando a
criação da Zona de Comércio Livre, em que Portugal não poderá deixar de
integrar-se, suscita no espírito de todos os industriais portugueses conscientes
do seu alcance a convicção da necessidade de se preparar sem demora a nossa
estrutura económica para o choque de novas e exigentes condições de trabalho.
Portugal, como é notório, não está preparado para elas
Questão
colonial –
Surge a União das
Populações de Angola, a partir da União das Populações do Norte de Angola.
O principal dirigente é Holden Roberto ou Roberto Haldane. Tem o apoio do
American Committee for Africa e
emite, a partir de Julho de 1960, o jornal A Voz da Nação Angolana. Tem
base no movimento tribalista kikongo que, a partir de 1955, contesta a acção do
rei D. António III do Congo, ligado aos portugueses e há-de criar o GRAE,
Governo Revolucionário de Angola no Exílio, e um braço armado, a FNLA, a Frente
Nacional de Libertação de Angola.
O general
Humberto Delgado abandona o posto de adido militar em Washington, onde
estava colocado desde Outubro de 1952 (8 de Agosto). Retoma o lugar de
Director-Geral da Aviação Civil, tomando posse no dia 1 de Outubro. Visita
Henrique Galvão na cadeia e este propõe-lhe que assuma a candidatura à
presidência. Poucos dias depois, aceita, mas a comunicação não chega aos líderes
da oposição (25 de Outubro). É contactado por António Sérgio que, entretanto, o
sonda no sentido da candidatura (14 de Novembro).
Oposição
republicana – Sessão comemorativa do 31 de Janeiro no Porto, no Coliseu.
Mantém a actividade a Comissão Promotora do Voto que subscreve mais uma
representação do Presidente da República. Vários oposicionistas entregam no
Ministério do Interior os estatutos da Frente Nacional Liberal e Democrática, no
sentido da respectiva aprovação, que não vai ser concedida (13 de Março). Um
grupo de 72 advogados protesta publicamente contra as acções repressivas da PIDE
(Março). Oposicionistas, ainda liderados pela Comissão Promotora do Voto,
promovem, no Hotel Império, no Porto, um jantar de homenagem a José Domingues
dos Santos (8 de Maio). Segue-se almoço de confraternização de oposicionistas em
Aveiro comemorando a revolução liberal de 1828 (16 de Maio). Em Maio, vários
elementos da oposição solicitam mais uma amnistia ao Presidente da Assembleia
Nacional. Outros subscrevem junto do Presidente da República uma
Representação dos Democratas Abstencionistas (4 de Outubro). O Directório
Democrato-Social passa a assumir-se como Acção Democrato-Social.
Finalmente,
realiza-se o I Congresso Republicano de Aveiro, organizado por Mário
Sacramento. Ainda preside à sessão o antigo ministro da I República, Dr. António
Luís Gomes (6 de Outubro).
Candidaturas
oposicionistas – Tendo em vista a campanha eleitoral, a oposição candidata
por Lisboa Ferreira Martins, Câmara Reys, Manuel da Palma Carlos e Arlindo
Vicente (1906-1990). É apresentado um protesto a Craveiro Lopes,
subscrito por Jaime Cortesão, Azevedo Gomes, Hélder Ribeiro, Tito de Morais,
Nuno Simões, José Domingues dos Santos, Adão e Silva e Acácio Gouveia, que
defendem um governo nacional (Outubro). Cunha Leal assume-se como
abstencionista e critica o veneno corrosivo da insinuação bolchevista,
apelando à democracia pluralista, que seria capaz de melhor conter o comunismo
que o Estado Novo (Outubro). A lista da oposição por Lisboa não é autorizada a
concorrer por decisão do Supremo Tribunal Administrativo. As listas apresentadas
em Aveiro e no Porto logo desistem. Apenas persiste a de Braga (18 de Outubro).
Sessão de recepção à imprensa dos oposicionistas, realizada no café Chave d’Ouro
em Lisboa, onde os candidatos explicam porque se abstêm do acto eleitoral. A
notícia é dada na imprensa do dia seguinte (30 de Outubro). Um grupo de
oposicionistas, liderado por Câmara dos Reys esboça mesmo um movimento destinado
a propor Mário de Azevedo Gomes como candidato à Presidência da República. O
movimento não avança (Novembro).
Católicos –
Surge a revista Encontro,
representando a geração que organizou o Congresso da JUC de 1953. Tem como
director João Salgueiro, nela colaborando João Bénard da Costa, Pedro Tamen e
Carlos Portas. O bispo da Beira, em Moçambique, D. Sebastião Soares de Resende,
emite uma pastoral bastante crítica para o ministro do ultramar Raúl Ventura.
Salazar protesta junto do Núncio (Dezembro). Já antes, o bispo recusara receber
o presidente Craveiro Lopes, ferido pela circunstância do governo ter decidido
construir um liceu público na cidade, em vez d o edifício do Colégio dos
Maristas, afecto à diocese
Comunistas –
Greves dos salineiros de Alcochete, dos pescadores de Matosinhos e dos mineiros
do Pejão. O PCP lança uma campanha pelo salário mínimo de 100$00 por dia.
Manifestações do Dia do Trabalhador (1 de Maio). Depois do XX Congresso do PCUS
em Fevereiro, o PCP adere à chamada coexistência pacífica, aprovando uma
solução pacifica para o problema português, naquilo que será, depois,
qualificado como um desvio de direita. Júlio Fogaça e Pedro Soares, em
carta ao Comité Central, propõem que o partido trabalhe dentro dos sindicatos
nacionais e opte pela via eleitoral. O Avante tem então uma tiragem de 5
000 exemplares, devendo o partido contar com cerca de 2 500 militantes
(Dezembro).
Movimento
Monárquico Independente de monárquicos oposicionistas, onde se destacam
Fernando Amado, João Camossa e Gonçalo Ribeiro Teles. Participam nas
movimentações da Revolta da Sé de 1959. Candidatam-se em 1961, juntando-se-lhe
Francisco Sousa Tavares, Mário Pessoa e Fernando Vaz Pinto. Ainda têm
intervenção nas eleições de 1965.