|
1957 |
O I Congresso Republicano de Aveiro e o Movimento Monárquico Independente |
|
|
Cosmopolis |
© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006 |
1957
Integração europeia – No ano em que é renovado o
contrato sobre as Lajes (15 de Novembro), o relatório anual da Associação
Industrial Portuguesa considera: a integração
O general Humberto Delgado abandona o posto de adido
militar em Washington, onde estava colocado desde Outubro de 1952 (8 de Agosto).
Retoma o lugar de Director-Geral da Aviação Civil, tomando posse no dia 1 de
Outubro. Visita Henrique Galvão na cadeia e este propõe-lhe que assuma a
candidatura à presidência. Poucos dias depois, aceita a proposta, mas a
comunicação não chega aos líderes da oposição (25 de Outubro). É contactado por
António Sérgio que, entretanto, o sonda no sentido da candidatura (14 de
Novembro).
Oposição republicana – Sessão comemorativa do 31 de
Janeiro no Porto, no Coliseu, quando ainda se mantém a actividade a Comissão
Promotora do Voto que subscreve mais uma representação do Presidente da
República. Vários oposicionistas entregam também no Ministério do Interior os
estatutos da Frente Nacional Liberal e Democrática, no sentido da respectiva
aprovação, que não vai ser concedida (13 de Março). Já um grupo de 72 advogados
protesta publicamente contra as acções repressivas da PIDE (Março).
Oposicionistas, ainda liderados pela Comissão Promotora do Voto, promovem, no
Hotel Império, no Porto, um jantar de homenagem a José Domingues dos Santos (8
de Maio). Segue-se almoço de confraternização de oposicionistas em Aveiro
comemorando a revolução liberal de 1828 (16 de Maio). Em Maio, vários elementos
da oposição solicitam mais uma amnistia ao Presidente da Assembleia Nacional;
outros subscrevem junto do Presidente da República uma Representação dos
Democratas Abstencionistas (4 de Outubro), enquanto o Directório
Democrato-Social, fundado em1950, passa a assumir-se como Acção
Democrato-Social.
Finalmente, realiza-se o I Congresso Republicano de
Aveiro, organizado por Mário Sacramento. Ainda preside à sessão o antigo
ministro da I República, Dr. António Luís Gomes (6 de Outubro).
Candidaturas oposicionistas – Tendo em vista a
campanha eleitoral, a oposição candidata por Lisboa Ferreira Martins, Câmara
Reys, Manuel da Palma Carlos e Arlindo Vicente (1906-1990). É apresentado
um protesto a Craveiro Lopes, subscrito por Jaime Cortesão, Azevedo Gomes,
Hélder Ribeiro, Tito de Morais, Nuno Simões, José Domingues dos Santos, Adão e
Silva e Acácio Gouveia, que defendem um governo nacional (Outubro). Cunha
Leal assume-se como abstencionista e critica o veneno corrosivo da
insinuação bolchevista, apelando à democracia pluralista, que seria capaz de
melhor conter o comunismo que o Estado Novo (Outubro). A lista da oposição por
Lisboa não é autorizada a concorrer por decisão do Supremo Tribunal
Administrativo, enquanto as listas apresentadas em Aveiro e no Porto logo
desistem, apenas persistindo a de Braga (18 de Outubro). Sessão de recepção à
imprensa dos oposicionistas, realizada no café Chave d’Ouro em Lisboa, onde os
candidatos explicam porque se abstêm do acto eleitoral. A notícia é dada na
imprensa do dia seguinte (30 de Outubro). Um grupo de oposicionistas, liderado
por Câmara dos Reys esboça mesmo um movimento destinado a propor Mário de
Azevedo Gomes como candidato à Presidência da República, mas a ideia acaba por não avançar (Novembro).
Nomeada a XI comissão executiva da União Nacional,
presidida por João Pinto da Costa Leite, com Camilo de Mendonça, Domingos Braga
da Cruz, César Moreira Baptista e Henrique Tenreiro.
Católicos – Surge a revista Encontro,
representando a geração que organizou o Congresso da JUC
de 1953. Tem como director João Salgueiro, nela colaborando João Bénard da
Costa, Pedro Tamen e Carlos Portas.
O bispo da Beira, em Moçambique, D. Sebastião Soares de
Resende, emite uma pastoral bastante crítica para o ministro do ultramar Raúl
Ventura. Salazar protesta junto do Núncio (Dezembro). Já antes, o bispo recusara
receber o presidente Craveiro Lopes, ferido pela circunstância do governo ter
decidido construir um liceu público na cidade, em vez do edifício do Colégio dos
Maristas, afecto à diocese
Comunistas – Greves dos salineiros de Alcochete, dos
pescadores de Matosinhos e dos mineiros do Pejão. O PCP lança uma campanha pelo
salário mínimo de 100$00 por dia. Manifestações do Dia do Trabalhador (1 de
Maio). Depois do XX Congresso do PCUS em Fevereiro, o PCP adere à chamada
coexistência pacífica, aprovando uma solução pacifica para o problema
português, naquilo que será, depois, qualificado como um desvio de
direita. Júlio Fogaça e Pedro Soares, em carta ao Comité Central, propõem
que o partido trabalhe dentro dos sindicatos nacionais e opte pela via
eleitoral. O Avante tem então uma tiragem de 5 000 exemplares, devendo o
partido contar com cerca de 2 500 militantes (Dezembro).
Movimento Monárquico Independente de monárquicos
oposicionistas, onde se destacam Fernando Amado, João Camossa e Gonçalo Ribeiro
Teles. Participam nas movimentações da Revolta da Sé de 1959. Candidatam-se em
1961, juntando-se-lhe Francisco Sousa Tavares, Mário Pessoa e Fernando Vaz
Pinto. Ainda têm intervenção nas eleições
de 1965.
Eleições para a Assembleia Nacional
A oposição apenas se apresenta a eleições em Braga,
conseguindo 5,7% contra 67,7% da lista da União Nacional. O PCP, depois da
desestalinização na URSS, adequa-se ao ambiente de coexistência pacífica e já se
aproxima da restante oposição, abandonando o sectarismo.
A nova nomenclatura – Na Câmara Corporativa, que
passa a ser presidida por Luís Supico Pinto, entram algumas novas maravilhas
intelectuais que o regime tenta acarinhar, como Adriano Moreira, Francisco
Pereira de Moura, Eugénio Castro Caldas e João Mota Campos, bem como o
capitalista António Chamapalimaud. Se alguns têm origem no ambiente
oposicionista do imediato pós-guerra, já outros serão destacados militantes da
oposição, mas, face ao cinzentismo do regime, nessa década, tal rotina de
mudança de elites não passa desapercebida.
& Caetano, Marcello (1977): 472, 495, 506, 522, 524, 531, 537; Cardoso, Sá (1973): 184; Costa, Ramiro da (II): 124; Cruz, Manuel Braga da (1998): 109, 175; Delgado, Humberto: 84, 86; Melo, Gonçalo de Sampaio e Melo (1984): 40 ss.; Nogueira, Franco (HP): 93, 94; (IV) 439 ss.; Presos Políticos no Regime Fascista 1952-1960: 203 ss. (138 presos); Soares, Mário (1972/1974): 199; Sousa, Marcelo Rebelo de (1999): 110 ss..
© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: