1960

Da instituição da EFTA à eleição de John Kennedy

 

© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006

Citações

Destaques

23 países africanos proclamam a sua independência.
Conferência de solidariedade afro-asiática de Conakry
Convenção de Estocolmo cria a EFTA e surge a OCDE
Cuba passa para o campo soviético
Questão do U2 põe fim ao ambiente de détente
Ruptura entre Moscovo e Pequim
França dominada pela questão argelina e de Gaulle defende uma Europa das Pátrias
Caos no Congo ex-belga
Inauguração de Brasília
Jânio Quadros eleito Presidente do Brasil
Kennedy eleito presidente norte-americano
Morte de Camus

 

Com a França dominada pela questão argelina, o ambiente da chamada détente é abalado, principalmente depois da questão do U2 (avião espião norte-americano abatido sobre a URSS em 1 de Maio).

Também Cuba vira para o campo soviético, com Fidel a expropriar empresas e interesses norte-americanos (Maio e Julho) e dá-se a ruptura entre Pequim e Moscovo.

Num discurso proferido em 3 de Fevereiro de 1960, no parlamento sul-africano o primeiro ministro britânico Harold MacMillan declara que the wind of change is blowing through this continent, and, wether we like or not, this growth of national conscionsness is a political fact.

Os franceses passam a dispor de bomba atómica, enquanto De Gaulle defende uma Europa das Pátrias (05 de Setembro) e, no Brasil, é inaugurada a nova capital, Brasília, projectada pelo arquitecto Óscar Niemeyer, de acordo com o sonho do presidente Juscelino (21 de Abril).

São criadas a OCDE e a EFTA, surge a conferência de solidariedade afro-asiática de Conakry e John Fitzgerald Kennedy é eleito presidente norte-americano, derrotando o vice-presidente Richard Nixon.

Comemorações henriquinas, fuga de Cunhal, prisão de Agostinho Neto e revolta de Mueda

Da instituição da EFTA à eleição de John Kennedy ä França dominada pela questão argelina ä Inauguração de Brasília ä Cuba passa para o campo soviético ä Ruptura entre Moscovo e Pequim ä Criação da EFTA e da OCDE ä Bomba atómica francesa ä Fim da détente depois do episódio do U2

O tempo do fim das ideologias

M Greve de Aljustrel ä Revolta de Mueda ä Comunistas fogem de Peniche (3 de Janeiro)

1 e 60 (Novembro). 816 965 000 votantes. Oposição acaba por desistir

µ Frente Eleitoral Independente ä Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas

 

 


 

O tempo do fim das ideologiasII Conferência de Solidariedade Afro-AsiáticaGaulle">De GaulleMacMillan">Harold MacMillanFrantz Fanon

À volta do mundo:Europa das naçõesDefesa da cooperação políticaA Europa como confederação de naçõesA Europa assexuadaO hibridismo do Estado Novo e o europeísmo dos anos sessentaFrança  Os ventos da históriaNigériaÁfrica ocidental francesaColónias portuguesasCongosÁfrica do SulSubcontinente indianoSueste asiático

IdeiasThe Politics of Developing Areas

Bibliografia

Livros:

Bibliografia   

O tempo do fim das ideologias

No plano das ideias, conlui-se pelo fim das ideologias (Daniel Bell) e pela necessidade de uma filosofia moral (Weil), enquanto os norte-americanos afinam a teorização do desenvolvimentismo (Almond e Coleman) ou continuam as grandes linhas do behaviorismo, como Seymour Martin Lipset (1922), em Political Man. Já os Encontros Internacionais de Genebra reflectem sobre a fome e Gilbert Durand avança para Les Structures Anthropologiques de l’Imaginaire, naquilo que depois desenvolverá como a imaginação simbólica, influenciado por Gaston de Bachelard, Piaget e Jung.

Em Espanha, Luís Legaz y Lacambra reflecte sobre Humanismo, Estado y Derecho. Raros reparam que em Portugal Henrique Barrilaro Ruas publica um notável trabalho Ideologia. Ensaio de Análise Histórica e Crítica, marcando o ritmo do debate sobre o fim das ideologias que, em1961, também terá o contributo de Jean Meynaud, Le Déclin des Idéologies, antes de Raymond Aron teorizar mais uma vez Fin des Idéologies. Renaissance des Idées (1965). A atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Saint-John Perse, recorda que, sob o pseudónimo, está Aléxis Léger, antigo colaborador de Briand e autor do relatório Sur l’Organisation d’un Regime d’Union Fédérale Européenne, apresentado à Sociedade das Nações em 1 de Maio de 1930, onde se estabeleceram alguns dos principais conceitos onde se filia o actual projecto europeu. Já Sartre, continuando a considerar o marxismo como a única antropologia do possível, lança Critique de la Raison Dialectique.

II Conferência de Solidariedade Afro-Asiática

A estruturação global anti-ocidentalista apenas vem a ser desenvolvida na II Conferência de Solidariedade Afro-Asiática, que teve lugar em Conakry, entre 11 e 14 de Abril, onde brilhou o vice-presidente da conferência, Frantz Fanon que, então, convidou os povos da África e da Ásia a destruir a mistificação histórica que tende a apresentar uma certa cultura como o auge da cultura universal.

Neste ano iria dar-se, aliás, a apoteose do Terceiro Mundo na ONU, durante a XV Sessão da Assembleia Geral da ONU, com a participação de 17 novos Estados, dos quais 16 eram africanos. Foi também nesta sessão que foi aprovada a Resolução nº 1514, contendo a Declaração sobre a Outorga de Independência aos Países e aos Povos Coloniais.

Gaulle">De Gaulle

Em Janeiro Charles De Gaulle considerava A Europa far-se-á ou não consoante a França e a Alemanha se reconciliarem ou não (29 de Julho)

Por esta altura declara querer que a Europa seja europeia, isto é, que não seja americana. Salientava também que a Europa nascerá no dia em que os seus povos, no que têm de mais profundo, decidirem aderir. Não chega que os parlamentares votem a ratificação. Serão necessários referendos populares, de preferência no mesmo dia, em todos os países interessados. Para ele É preciso respeitar as personalidades das nações . É preciso aproximá-las, ensiná-las a viver juntas, levar os seus governos legítimos a cooperarem e, um dia, a cooperarem. Mais acrescentava: A supranacionalidade é absurda! Nada existe acima das nações a não ser o que os seus Estados decidem juntos! As pretensões dos comissários de Bruxelas de darem ordens aos governos são irrisórias! (Junho)

De Gaulle: un concert organisé, régulier des gouvernements responsables

Quero que a Europa seja europeia, isto é, que não seja americanaa Europa nascerá no dia em que os seus povos, no que têm de mais profundo, decidirem aderir. Não chega que os parlamentares votem a ratificação. Serão necessários referendos populares, de preferência no mesmo dia, em todos os países interessados. ..

De Gaulle

A Europa far-se-á ou não consoante a França e a Alemanha se reconciliarem ou não

MacMillan">Harold MacMillan

The wind of change is blowing through this continent, and, wether we like or not, this growth of national conscioussness is a political fact

Frantz Fanon

Os povos da África e da Ásia devem destruir a mistificação histórica que tende a apresentar uma certa cultura como o auge da cultura universal


 

Europa das nações

Foi em 5 de Setembro que o general lançou a ideia de uma Europa das nações em nome das realidades dos Estados existentes.

Para o chefe de Estado francês importava actuar, não de acordo com os sonhos, mas sim em conformidade com as realidades, no sentido de construir a Europa, isto é, unificá-la, considerado um objectivo essencial. Nestes termos dissertava: Ora, quais são as realidades da Europa? Quais são os alicerces sobre os quais queremos construi-la? Na verdade, são os Estados que, de certo, são muito diferentes uns dos outros, que têm cada um a sua alma para si, a sua história para si, a sua língua para si, os seus infortúnios, as suas glórias, as suas ambições para si, mas Estados que são as únicas entidades que têm o direito de ordenar e a autoridade para agir. Fingir-se que pode construir-se qualquer coisa que seja eficaz para a acção e que seja aprovado pelos povos por fora e por cima dos Estados, é uma quimera. Seguramente, esperando qu'on a pris corps à corps e no seu conjunto o problema da Europa, é verdade que se pôde instituir certos organismos mais ou menos extranacionais. estes organismos têm o seu valor técnico mas não têm nem podem ter autoridade e por conseguinte eficácia política.

Defesa da cooperação política

Assim, propõe que se ultrapasse o problema pela instituição daquilo que qualifica como a cooperação política: assegurar a cooperação regular da Europa ocidental, é o que a França considera como sendo desejável, como sendo possível e como sendo prático no domínio político, no domínio cultural e no da defesa. Isso implica um concerto organizado e regular dos governos responsáveis e em seguida o trabalho de organismos especializados em cada um dos domínios comuns e subordinados aos governos; isso implica a deliberação periódica de uma Assembleia que seja formada pelos delegados dos Parlamentos nacionais e, em meu entender, isso deve implicar a mais cedo possível, um solene referendo europeu de maneira a dar a tal ponto de partida da Europa o carácter de adesão e de intervenção popular que lhe é indispensável.

Conclui, assim, que se enveredarmos por esse caminho ... forjar-se-ão elos, adquirir-se-ão hábitos e, com o tempo, é possível que venham a dar-se outros passos para a unidade europeia.

A Europa como confederação de nações

O mesmo De Gaulle, numa conferência de imprensa de 31 de Dezembro de 1960, proclama: nós faremos, em1961, o que temos de fazer: ajudar a construir a Europa que, confederando as suas Nações, pode e deve ser para o bem dos homens a maior potência política, económica, militar e cultural que jamais existiu.

A Europa assexuada

Era uma espécie de Europa de engenheiros sem sonho, tão higienicamente assexuada que o mesmo técnico de integração depressa poderia reconverter-se em mais um dos executores de um plano quinquenal de qualquer big brother, programado que estava para aceitar o inevitável fim das pátrias.

O próprio salazarismo não teve pejo em subscrever o acto fundador da EFTA, em finais de 1959, e, durante sucessivos conselhos de ministros, o regime do Estado Novo chegou a pôr a hipótese de, em vez disso, pedir, desde logo, a própria adesão ao mercado comum, como era a posição do Ministro da Economia Ferreira Dias, apoiado por certas forças vivas, o qual, muito friamente, considerava que os grandes investimentos e a grande teconologia viriam mais da CEE que da EFTA.

Vejam-se, por exemplo, os pareceres dados pela Câmara Corporativa a propósito tanto da fundação da EFTA, em1960, como do acordo de associação com a CEE, em1972. O primeiro, Parecer nº 30/VII, de 12 de Abril de 1960, teve, aliás, como relator, o professor de economia Pereira de Moura, onde se criticava a CEE por ter nascido sob o signo da profunda integração política, mas com uma enganadora aparência de arranjo de política económica e comercial. Isto é, o salazarismo fazia suas as palavras de quem virá a ser um dos mais irrequietos responsáveis pela leveza das ideias do PREC, quanto à pesada herança económica do regime do Estado Novo.

 

O hibridismo do Estado Novo e o europeísmo dos anos sessenta

Importa também reconhecer que a fase crepuscular do regime português derrubado em1974 foi marcada por um hibridismo estratégico no plano da política internacional, onde era marcante a contradição entre a aposta ultramarinista e a condescendência europeísta.

No mesmo ano de 1960, depois do Estado português subscrevia a Convenção de Estocolmo instituidora da EFTA, que participava na fundação da OCDE e em que aderia ao FMI e ao BIRD, promovia também o processo das comemorações henriquinas que, de certo modo, procuravam justificar miticamente a defesa do Império. No ano seguinte começava a guerra em Angola, ao mesmo tempo que o regime se abria ao investimento estrangeiro e redobrava a aposta na industrialização.

Isto é, o crescente empenhamento militar nas campanhas de África foi paralelo ao desenvolvimento de uma aproximação económica à Europa, tanto da EFTA como da própria CEE, estabelecendo-se ritmos de agricultura de exportação (v.g. a produção de tomate) e de indústrias de nível europeu (v.g. o incremento dos têxteis, da construção naval, da metalurgia e do material eléctrico). A política económica do antigo regime, com efeito, sempre procurou uma espécie de resguardo europeísta, levando ao incremento de uma nova classe de gestores e quadros técnicos que vão destacar-se durante o consulado marcelista sob a designação de tecnocratas. Alguns vão ocupar importantes funções nas pastas económicas do novo governo pós-salazarista, com destaque para Rogério Martins, Xavier Pintado e João Salgueiro, ao mesmo tempo que nas eleições de 1969 emergia a chamada ala liberal da Assembleia Nacional, liderada pelo malogrado José Pedro Pinto Leite que, curiosamente, era o presidente da Câmara de Comércio Luso-Germânica.

 

França

No plano da política interna francesa, em 3 de Abril, surge uma dissidência na SFIO, com a criação do PSU, que será dirigido por Michel Rocard a partir de 1967. A SFIO vivia então em plena crise, provocada tanto pela questão argelina, onde sempre apoiou a Argélia Francesa, como perante o acesso de De Gaulle ao poder, onde o grupo parlamentar se dividiu quase ao meio, com três socialistas a fazerem parte do primeiro governo do general.

Em Janeiro os socialistas da SFIO já não entram no governo de Michel Debré, passando para a oposição. Os 350 000 mil militantes que o partido tinha em 1946 já apenas eram 90 000 em1958, pelo que surgem várias tentativas de reorganização, nomeadamente com Mitterrand a lançar em1961 a Convenção das Instituições Republicanas. Contudo, ainda em1969, o candidato socialista à presidência, Gaston Deferre atinge a humilhante marca dos 5%.

Os ventos da história

Em África, tornam-se independentes vários Estados: Senegal e Mali (20 de Junho), Mauritânia (28 de Novembro), Nigéria (1 de Outubro), Níger (3 de Agosto), Madagáscar (26 de Junho), Ubangui-Chari (13 de Agosto), Camarões (1 de Janeiro), Congo ex-belga (1 de Julho), Congo ex-francês (15 de Agosto), Chade (11 de Agosto), Costa do Marfim (7 de Agosto), Gabão (17 de Agosto), Somália (20 de Junho), Togo (27 de Abril).

 

Nigéria

A Nigéria, que se transforma em república federal em1963, será liderada por Nnamdi Azikiwe, da etnia ibo, até ao golpe militar de Janeiro de 1966, liderado por outro ibo, Aguiyi Ironsi, logo derrubado em 29 de Julho de 1966, pelo coronel Yacubu Gowon, de uma tribo cristã do norte, com o massacre de cerca de 30 000 ibos. A colonização britânica sempre havia favorecido os haoussas do Norte, pelo que os primeiros grupos autonomistas surgem entre os ibos, com a criação do National Council of Nigeria, em 1944, e os youroubis, com a criação do Actuion Group em1945. Entre os haoussas só em1949 é que surge o Northern People’s Congress em1949.

Os britânicos foram concedendo autonomia ao território de forma gradual, transformando a colónia em federação no ano de 1954 e criando um cergo de primeiro-ministro em1957, logo entregue aos haoussas. A independência continuou naturalmente este processo, até1963.

Depois de vencer a guerra civil com os separatistas ibos do Biafra (de 1967 a1970), onde a Shell apoiou o regime de Lagos e a petrolífera francesa SATRAP, os biafrenses, Gowon será derrubado em 29 de Julho de 1975, por novo golpe militar, comandado pelo general Mohammed que, naturalmente, continuou a misturar a militarização com o reforço da descentarlização, passando de 12 para 19 os Estados.

África ocidental francesa

Na antiga África Ocidental Francesa (1895-1958), constituída pelo Senegal, a Guiné, o Sudão, o Daomé, o Alto Volta, a Mauritânia e o Níger, tinha sido criado em 1946 um Rassemblement Démocratique Africain, presidido por Houphouet-Boigny,

Refira-se que o Senegal e o então Sudão ex-francês (donde vem o actual Mali) haviam constituído em 4 de Abril de 1959 uma Federação do Mali, invocando o nome do antigo império mandinga, dos séculos XI a XVII, entidade esta que obtém a independência em 20 de Junho de 1960, mas que logo se desfaz com a saída do Senegal (20 de Agosto). A ideia de federação Mali começou, aliás, por unir também o Alto Volta e o Daomé, em 17 de Janeiro de 1959.

O Sudão ex-francês transforma-e em República do Mali (22 de Setembro), onde emerge o presidente Modibo Keita, com o partido da União Sudanesa, a adoptar a fórmula marxista-leninista, até ser derrubado em 19 de Novembro de 1968.

No Senegal toma o poder Léopold Sédar Senghor

Na Costa do Marfim sobe ao poder Félix Houphouet-Boigny, até à sua morte, em1993.

O Togo, ex-francês, vai ser liderado por Sylvanus Olympio, até 1967, quando assume o poder o coronel Etienne Eyadema e pelo partido Reunião do Povo do Togo.

África

Na Mauritânia sobe ao poder Moktar Ould Daddah e o Partido Popular da Mauritânia, apenas derrubado em1978 por um comité militar de salvação nacional. Apesar da independência formal, em1960, num país maioritariamente de nómadas, a principal riqueza, as minas de ferro, são exploradas por uma multinacional francesa, a Miferma, que domina 80% das exportações do país e dá emprego a 25% da população activa.

No Alto Volta, dependente da exportação de mão de obra para a Costa do Marfim, nas eleições de 1960, triunfa a Union Démocratique Voltaise, dominada pelos donos da terra e pelos comerciantes e liderada por Maurice Yameogo, feito presidente, mas logo derrubado, no ano seguinte por um golpe do coronel Lamizana.

No Níger sobe ao poder Diori Hamani e o Partido Progressista do Níger que o mesmo líder fundara logo em 1946. Aliás, já exercia desde 1958 as funções de primeiro-ministro, sendo um exemplo de estabilidade, pois apenas veio a ser derrubado por um golpe militar em 15 de Abril de 1974, promovido pelo tenente-coronel Kountché, o qual instaurará um regime militar, realizando-se eleições apenas em Fevereiro de 1993.

— No Chade, domina François Tombalbaye, chefe do governo desde 1958, e o Partido Progressista Chadiano, novo nome do RDA (Rassemblement Démocratique Africain), fundado em 1946.

— O Ubangui-Chari, transformado em República Centro-Africana, liderado por Barthélemy Boganda e pelo Movimento para a Evolução Social da África Negra (MESAN), a quem sucede David Dacko, até à instauração do regime militar em1965.

África

Nos Camarões, isto é, na parcela administrada pela França da antiga colónia alemã, dado que as zonas administradas pelos britânicos se integraram na Nigéria, assume o poder Ahmadou Babatoura Ahidjo e a União Nacional dos Camarões.

No Gabão, assume o poder o Bloco Democrático Gabonês (BDG) e o presidente Léon M’ba até à sua morte, quando lhe sucedeu Omar Bongo, que se converte ao islamismo em1973, transformando o BDG em Partido Democrático do Gabão.

Madagascar

No Madagáscar que, como República Malgache, já tinha autonomia no seio da Comunidade Francesa, desde 14 de Outubro de 1958, sobe ao poder Philibert Tsiranana, apoiado pelo Partido Social Democrata, derrubado em Maio de 1972 pelo general Gabriel Ramanatsoa, no poder até 1975.

 

Colónias portuguesas

Em Março surge uma Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas (FRAINCP), que tem como fundadores Mário Pinto de Andrade, Lúcio Lara e Viriato Cruz, do MPLA, Amílcar Cabral, do PAIGC, e Hugo de Meneses, do MAC.

Surge também uma revolta de Mueda, Moçambique (16 de Junho), o ponto de partida mítico para a futura luta armada.

Congos

O Congo ex-belga, resultante do Estado Independente do Congo, antiga propriedade pessoal do rei Leopoldo II da Bélgica desde 01 de Julho de 1885, que a anexou a Bruxelas em 1908, opta por uma estrutura centralizadora, liderada por Joseph Kasavubu, da Abako, apoiado pelos soviéticos, o presidente, e por Patrice Lumuba, do MNC, o chefe do governo, que leva à secessão da rica província do Katanga (11 de Julho), inspirada pela União Mineira, e presidida por Moisés Tshombé, até Dezembro de 1962. Entretanto, há graves incidentes, com as tropas belgas a terem que proteger a retirada dos colonos brancos (6 de Julho).

O Congo ex-francês, com a capital em Brazzaville, vê subir ao poder o padre Fulbert Youlou, líder dos Kongos Balalis, que tinham obtido a maioria nas eleições de Junho de 1959. Será derrubado em Agosto de 1963 por Alphonse Massamba-Débat, com o socialismo científico do Movimento Nacional Revolucionário, até à chegada, em Setembro de 1968, de Marien Ngouabi e do Partido Congolês do Trabalho.

 

África do Sul

Na África do Sul, num referendo, aprova-se a passagem da União Sul Africana a República Sul-Africana (5 de Outubro), ainda integrada na Commonwealth. No ano seguinte (17 de Março), já se retira desta e passa a República da África do Sul (31 de Maio). Entretanto, em 21 de Março de 1960, face a manifestações promovidas pelos activistas do Panafrican Congress, dava-se o massacre de Sharpeville (21 de Março).

Refira-se que o ANC, dirigido desde 1952 pelo zulu Albert Luthali (1898-1967), prémio Nobel da paz em1960, adoptava uma política de resistância passiva e de desobediência civil, que levou a uma dissidência de radicais de esquerda, adeptos da acção directa.

 

Subcontinente indiano

No Ceilão, a viúva do primeiro ministro assassinado em Setembro de 1959, a senhora Sirimavo Bandaranaike, dirigindo o Sri Lanka Freedom Party, vai ganhar as eleições de 1960 e ser a primeira mulher do mundo a assumir a chefia de um governo, onde faz uma coligação com os comunistas e os trotskistas e promove uma política de nacionalizações do petróleo e de várias empreas norte-americanas. Derrotada eleitoralmente em1965, vai voltar ao poder em1969.

Sueste asiático

No Laos, há um golpe do capitão Kong Le (9 de Agosto), do Pathet Lao, que afasta do poder os pró-americanos, restaurando as instituições monárquicas, até que se regressa ao modelo anterior, em 9 de Dezembro de 1960, depois da violenta conquista de Vienciana pelo general Fumi Nosavang, com cerca de 1 500 mortos. O novo poder, federado por um "Comité Revolucionário Anticomunista", apoiado por tailandeses e norte-americanos, acaba por levar os neutralistas do príncipe Suvana Fuma a subscreverem um acordo com os comunistas, em 20 de Dezembro de 1960, visando a constituição de um governo de unidade nacional.

No Cambodja, Sihanuk, que cinco anos antes havia abdicado a favor do pai, regressa, em1960, à chefia do Estado.

Já no Vietname do Sul começam violentos combates entre tropas governamentais e os movimentos oposicionistas armados ao regime de Diem, no ano em que se funda a FNL (Frente de Libertação Nacional), ou Vietcong, dirigida pelo advogado Nguyen Huu Tho.

 

 

The Politics of Developing Areas

Gabriel Almond e James Coleman defendem o princípio da universalidade das estruturas políticas. Consideram tais autores que mesmo os sistemas mais simples possuem uma estrutura política, o que implica não só a consideração da universalidade das funções políticas , como também o reconhecimento da multifuncionalidade da própria estrutura política. Com efeito, esta perspectiva desenvolvimentista salienta que em todos os sistemas as mesmas funções se encontram necessariamente preenchidas e que, apesar de uma determinada estrutura tender para a especialização numa determinada função , isso não significa que a mesma não possa exercer secundariamente uma outra (v.g. os tribunais a quem cabe a função judicial de aplicação do direito são também criadores do direito). Os desenvolvimentistas, aliás, consideram que a diferença entre o Estado Moderno e os sistemas primitivos é menos de natureza do que de grau.Do grau de diferenciação das funções e do grau de especialização das estruturas. Isto é, tanto os sistemas políticos simples como os sistemas políticos complexos têm, pois, funções comuns,apenas diferindo nas características estruturais, já que nos Estados Modernos as estruturas são mais diferenciadas e mais interdependentes que nos anteriores modelos de Estado.

 

Contra-cultura

Nome dado pelos sociólogos norte-americanos à contestação global das sociedades industriais avançadas que começou por ser protagonizada pelos beatniks, representados pelos poetas Allen Ginsberg e JackKerouak. Timothy Leary, assume o psicadelismo. Herbert Marcuse, invocando a libertação dos instintos, tenta conciliar Freud e a tradição marxista. Paul Goodman defende a criação de novas comunidades, à maneira das tribos índias, falando nos pioneiros da utopia. Charles A. Reich, advoga uma nova revolução pela consciência. O movimento, nascido sobretudo da contestação estudantil, tanto tem uma dimensão pessoal, de way of life, como uma dimensão política, ligada âs correntes da new left que criticavam a concentração do poder no military-industrial complex, expressando-se tanto na oposição à Guerra do Vietname como na defesa das minorias e propondo a criação de uma nova ordem social baseada mais na cooperação do que na competição. Neste sentido, esteve ligada à emergência do ecologismo, do feminismo e retomou o utopismo. No plano da way of life, o grito de make love, not war e o som da música rock geraram um modelo dionisíaco que favoreceu o laxismo sexual e o consumo de drogas. Alguns elementos da oposição republicana restauraram a terminologia em meados da década de noventa, acusando a administração Clinton de restaurar os valores da contra-cultura.

 

 

©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: