1946

Da cortina de ferro à guerra civil grega

Cosmopolis

© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006

Entre_o_marxismo_existencialista_e_o_personalismo

Mind,_Self_and_Society

Do_powerpolitics_à_absolute_weapon

I’m_sick_of_babyng_the_Soviets

Assembleia_Geral_da_ONU

O_telegrama_de_Kennan

Cortina_de_Ferro

 

Os_Encontros_Internacionais_de_Genebra

Vietname

Espanha

Itália

Suécia

Reino_Unido

Grécia

Jugoslávia

Médio_Oriente

Ásia

Índia

Argentina

 

A_França_perante_o_fim_do_Império

França

Europa_Central_e_do_Leste_

 

Da amnistias às revoltas da Mealhada e da Junta de Salvação Nacional
O perigo de uma revolução pela via constitucional e a denúncia da cortina de ferro –

¤ Lei eleitoral, comemorando o 28 de Maio, alarga o sufrágio a certos segmentos do sexo feminino
µ MUD Juvenil
ä IV Congresso do PCP (Verão)
ä Partido Social-Operário de José de Sousa
M Greves em 1946
ä Criação da Junta Militar de Libertação Nacional de 1946
ä Revolta da Mealhada (11 de Outubro)
ä Funerais de Abel Salazar (29 de Dezembro)
  

 

Da cortina de ferro à guerra civil grega
Entre o marxismo existencialista e o personalismo
 

  

Da cortina de ferro à guerra civil grega – Quando a UNESCO se instala em Paris (18 de Setembro), sob a presidência de Julian Sorell, são patentes as divergências entre os aliados, com o discurso de Churchill, em Fulton, a denunciar a cortina de ferro (5 de Março), para, depois, em Zurique, propor a criação de uns Estados Unidos da Europa (19 de Setembro). Juan Domingo Perón é eleito presidente da Argentina (26 de Fevereiro) e há duas reuniões dos federalistas europeus em Hertenstein (16-08 e 06 de Novembro). Enquanto isto, são executados os nazis condenados pelo tribunal de Nuremberga (16 de Outubro). Já em 5 de Janeiro, Truman, em carta dirigida a James Francis Byrnes, que foi Secretário de Estado de 1945 a1947, determina que não mais sejam reconhecidos regimes comunistas, porque i’m sick of babyng the Soviets, com a consequente resposta de Estaline que, em discurso de 09-02, proclama que o comunismo e o capitalismo são incompatíveis. Em 22-02, George Kennan, num longo telegrama de 8000 palavras, endereçado a partir da embaixada norte-americana de Moscovo, faz o ponto da situação: o poder soviético é produto de uma ideologia monolítica; o comportamento russo deriva de um tradicional e instintivo sentido russo de insegurança; o comunismo, como um parasita maligno, é o principal perigo para o mundo livre. Com efeito, o processo de satelitização dos territórios ocupados pelos soviéticos é crescente: proclama-se a República na Hungria, com Ferenc Nagy, do Partido dos Pequenos Proprietários, a tornar-se chefe do governo (1 de Fevereiro); dá-se a fusão do SPD e do Partido Comunista na zona alemã de ocupação soviética (22 de Abril); realizam-se eleições na Checoslováquia, com os comunistas a obterem 38% (26 de Maio); e a Frente da Pátria de Dimitrov ganha eleições na Bulgária (27 de Outubro). São assim criados governos de frente popular na Albânia, Bulgária, Roménia, Alemanha de Leste, Polónia, Hungria e Checoslováquia. O espaço dos satélites de Moscovo ocupa um milhão de quilómetros quadrados e controla 90 milhões de não-russos.

Os Estados Unidos da Europa – Os combates cessaram, o perigo não desapareceu. Se devemos criar os Estados Unidos da Europa – qualquer que seja o nome que lhe derem – devemos começar imediatamente. Vou dizer-vos qualquer coisa que vos espantará: o primeiro gesto de reconstrução da família europeia deve ser uma aliança entre a França e a Alemanha (Winston Churchill, em 19 de Setembro, na Universidade de Zurique).

Entre o marxismo existencialista e o personalismo – No plano das ideias, no ano da morte de Keynes, Haushofer, Drieu la Rochelle e Rosenberg, refira-se que em França, onde De Gaulle se demite da chefia do governo (20 de Janeiro), Aron reflecte sobre L’Homme contre les Tyrans, Sartre publica L’Existencialisme est un Humanisme, Jacques Maritain lança La Personne et le Bien Commun, Jean Lacroix (1900-1986) teoriza Marxisme, Existentialisme et Personnalisme, e Emmanuel Mounier emite o manifesto Qu’est ce que le Personallisme?, bem como o Traité du Caractère, enquanto se torna um êxito editorial a obra do antigo comunista húngaro Arthur Koestler (1905-1983) Le Zero et L’Infini, obra originariamente publicada em inglês, em 1941, onde se denunciam os processos de Moscovo e as purgas do estalinismo. Outras ideias começam a divulgar-se, como o interaccionismo simbólico do norte-americano George Herbert Mead (1863-1931), em Mind, Self and Society, reeditado pela Universidade de Chicago. Merece também destaque o brasileiro Josué de Castro que, em 1946, edita a sua Geografia da Fome. Ernst Cassirer lança em Yale The Myth of the State e Robin Georege Collingwood (1899-1943) teoriza The Idea of History, Já em Portugal, no ano da morte de Abel Salazar (1889-1946), Manuel Rodrigues e Rocha Saraiva, salienta-se a edição do primeiro volume da Filosofia do Direito e do Estado de Luís Cabral de Moncada, bem como Júlio Fragata, com Filosofia dos Valores e os trabalhos de Delfim Santos sobre a Fundamentação Existencial da Pedagogia e o Pensamento Filosófico em Portugal. Com prefácio de João Ameal é editada em português a obra de Artur Herchen, D. Miguel I, Rei de Portugal, surgida no Luxemburgo em 1908, num original em língua alemã, enquanto António Ferro edita, através do SNI, o primeiro volume de Portugal. Breviário da Pátria para Portugueses Ausentes.

Crise global de civilização – O totalitarismo não passa de uma vanguarda do progresso mundial de uma vanguarda da crise global desta civilização (europeia na origem, depois euro-americana e, por fim planetária. São um retrato prospectivo possível do mundo ocidental (Vaclav Havel).

O situacionismo – Depois da segunda guerra mundial, o regime do Estado Novo, fica isolado numa Europa Ocidental marcada pela euforia da restauração das democracias e da reconstrução económica, perdendo muito do que, na década de trinta, tinha de criativamente reformista e entrando numa rotina da sobrevivência. Isto é, deixa de haver uma revolução nacional e passa-se ao regime da mera situação. Atinge-se, deste modo, o extremo do hibridismo e o próprio Salazar até chega a reclamar para o regime os atributos de uma democracia orgânica. O sistema ideologicamente hesitante, mas firme no plano da praxis, se já não tem uma doutrina, não deixa de ser uma força, dado que o respectivo elemento aglutinador é, sobretudo, a obediência à bissectriz do conglomerado de forças que o mesmo federa, de maçons conservadores a católicos, de republicanos a monárquicos, passando por ex-comunistas e antigos românticos fascistas, sindicalistas, capitalistas, agrários ou burocratas. De facto, os condicionamentos geopolíticos impedem o livre desenvolvimento da semente corporativa do salazarismo, que é condenado a murchar doutrinariamente. Sucede assim uma espécie de desertificação da sociedade civil, onde acaba por preponderar a mera rotina do temor reverencial. Contrariamente ao quem não por mim é contra mim dos totalitarismos, este modelo autoritário prefere o quem não é contra mim, é a meu favor, que, através de subtis processos de condicionamento psicológico, gera um dos menos policiescos de todos os aparelhos ditatoriais. Se não há um Estado de Direito, não deixa de existir um Estado de Legalidade, tal como, no plano económico, nunca se estabeleceu uma economia de mercado, com regras de concorrência, apesar de funcionar em pleno um regime de economia privada, com condicionamento industrial, proteccionismo, lucros máximos, preços controlados, num sistema onde, apesar de faltar o planeamento, abundam os organismos de coordenação económica. De qualquer maneira, o modelo, se propõe uma certa concepção do mundo e da vida, à maneira dos Estados éticos, nunca cai na tentação de a impor. Por isso, o regime não é condenado à quarentena que marca o franquismo em Espanha e, graças à política de neutralidade colaborante praticada face ao aliados durante a Segunda Guerra Mundial e por pressão da guerra fria, participa activamente na fundação da NATO, da União Europeia de Pagamentos, da OECE e da EFTA, assumindo um acordo de associação com a CEE, em1972.

Estado de Segurança Nacional – Entre1945 e os começos da década de sessenta, o regime transforma-se assim num situacionismo que ensaia os modelos do Estado de Segurança Nacional dos tempos da guerra fria. Se a oposição, herdeira do reviralhismo republicano e da unidade antifascista entra em refluxo, eis que se dá uma alteração nas antigas forças vivas apoiantes do Estado Novo, emergindo uma oposição católica, que invoca exógenas democracias-cristãs, bem como alguns movimentos monárquicos e conservadores que se independentizam do regime, não faltando um forte movimento operário que, começando por ser marcado pela doutrina social da Igreja Católica, vai sendo gradualmente atraído pela eficácia, disciplina e teimosia dos antigos adversários marxistas. É também no período que se torna dominante, entre o oposicionismo, a capacidade organizacional do Partido Comunista Português, intimamente ligado ao sovietismo e dotado de um aparelho clandestino bastante eficaz que acaba por resistir à repressão da polícia política.

 

 

Do powerpolitics à absolute weapon

Quando a UNESCO se instala em Paris (18 de Setembro), sob a presidência de Julian Sorell, são patentes as divergências entre os aliados, com o discurso de Churchill, em Fulton, a denunciar a cortina de ferro (5 de Março), para, depois, em Zurique, propor a criação de uns Estados Unidos da Europa (19 de Setembro).

Juan Domingo Perón é eleito presidente da Argentina (26 de Fevereiro) e há duas reuniões dos federalistas europeus em Hertenstein (16-08 e 06 de Novembro). Enquanto isto, são executados os nazis condenados pelo tribunal de Nuremberga (16 de Outubro).

Já em 5 de Janeiro, Truman, em carta dirigida a James Francis Byrnes, que foi Secretário de Estado de 1945 a1947, determina que não mais sejam reconhecidos regimes comunistas, porque i’m sick of babyng the Soviets, com a consequente resposta de Estaline que, em discurso de 09-02, proclama que o comunismo e o capitalismo são incompatíveis.

Em 22-02, George Kennan, num longo telegrama de 8000 palavras, endereçado a partir da embaixada norte-americana de Moscovo, faz o ponto da situação: o poder soviético é produto de uma ideologia monolítica; o comportamento russo deriva de um tradicional e instintivo sentido russo de insegurança; o comunismo, como um parasita maligno, é o principal perigo para o mundo livre.

Com efeito, o processo de satelitização dos territórios ocupados pelos soviéticos é crescente: proclama-se a República na Hungria, com Ferenc Nagy, do Partido dos Pequenos Proprietários, a tornar-se chefe do governo (1 de Fevereiro); dá-se a fusão do SPD e do Partido Comunista na zona alemã de ocupação soviética (22 de Abril); realizam-se eleições na Checoslováquia, com os comunistas a obterem 38% (26 de Maio); e a Frente da Pátria de Dimitrov ganha eleições na Bulgária (27 de Outubro). São assim criados governos de frente popular na Albânia, Bulgária, Roménia, Alemanha de Leste, Polónia, Hungria e Checoslováquia. O espaço dos satélites de Moscovo ocupa um milhão de quilómetros quadrados e controla 90 milhões de não-russos.

 

Entre o marxismo existencialista e o personalismo

No plano das ideias, no ano da morte de Keynes, Haushofer, Drieu la Rochelle e Rosenberg, refira-se que em França, onde De Gaulle se demite da chefia do governo (20 de Janeiro), Aron reflecte sobre L’Homme contre les Tyrans, Sartre publica L’Existencialisme est un Humanisme, Jacques Maritain lança La Personne et le Bien Commun, Jean Lacroix (1900-1986) teoriza Marxisme, Existentialisme et Personnalisme, e Emmanuel Mounier emite o manifesto Qu’est ce que le Personallisme?, bem como o Traité du Caractère, enquanto se torna um êxito editorial a obra do antigo comunista húngaro Arthur Koestler (1905-1983) Le Zero et L’Infini, obra originariamente publicada em inglês, em 1941, onde se denunciam os processos de Moscovo e as purgas do estalinismo.

Outras ideias começam a divulgar-se, como o interaccionismo simbólico do norte-americano George Herbert Mead (1863-1931), em Mind, Self and Society, reeditado pela Universidade de Chicago. Merece também destaque o brasileiro Josué de Castro que, em 1946, edita a sua Geografia da Fome. Ernst Cassirer lança em Yale The Myth of the State e Robin Georege Collingwood (1899-1943) teoriza The Idea of History,

 


Churchill:_estamos_com_a_Europa,_mas_não_somos_da_Europa_">Churchill: estamos com a Europa, mas não somos da Europa

Mesmo sem o Império Britânico e a Rússia, a massa europeia, uma vez unida, uma vez federada ou parcialmente federada, uma vez consciente do seu continentalismo, constituirá um organismo sem igual.

No que diz respeito à Inglaterra, nós estamos com a Europa, mas não somos da Europa. Estamos ligados, mas não estamos incluídos

 

Churchill:_qualquer_coisa_como_os_Estados_Unidos_da_Europa">Churchill: qualquer coisa como os Estados Unidos da Europa

Se os países europeus chegarem a unir-se, os seus 300 a 400 milhões de habitantes conhecerão, pelo fruto de uma herança comum, uma prosperidade, uma glória, uma felicidade que nenhum limite, que nenhuma fronteira limitará.

É preciso que a família europeia, ou, pelo menos, a maior parte possível da família europeia, se reforme e renove os seus laços, de tal maneira que possa desenvolver-se na paz, na segurança e na liberdade.

É preciso erigir qualquer coisa como os Estados Unidos da Europa.

O primeiro passo que deve dar-se é a constituição de um Conselho Europeu.

Para conduzir a bom termo esta urgente tarefa, a França e a Alemanha deverão reconciliar-se, a Grã-Bretanha, a família dos povos britânicos, a poderosa América e, espero-o sinceramente, a União Soviética - porque, assim, tudo se resolverá - deverão tornar-se amigos e protectores da nova Europa, deverão defender o seu direito à vida e à prosperidade.

 

 

Constituição francesa

A França forma com os povos do ultramar uma União fundada na igualdade dos direitos e deveres, sem distinção de raça nem de religião ...

Fiel à sua missão tradicional, a França entende conduzir os povos...para a liberdade de se administrarem por si próprios.

 

À volta do mundo

A França perante o fim do Império

O problema por resolver na França tem a ver com o Império Colonial, essa construção do neo-jacobinismo da III República, ainda considerado como uma grande obra de civilização, visando elevar os indígenas, através de uma política de assimilação à grandeza da cidadania republicana. Mesmo os comunistas, ainda em 1944, considerava um dever sagrado que a França se mantivesse como uma grande potência com o dever de administrar os seus territórios ultramarinos, subscrevendo a teses da perspectiva unitária do Império.

Quando em Janeiro de 1944, De Gaulle reúne em Brazzaville uma conferência sobre a questão e se propõe a substituição do nome Império pelo de Federação, continua subjacente a ideia de bloco francês, sendo condenada até a perspectiva de uma autonomia interna. Assim, a Constituição de Outubro de 1946 mantém estes princípios unitários e centralistas, quando cria uma União francesa: a França forma com os povos do ultramar uma União fundada na igualdade dos direitos e deveres, sem distinção de raça nem de religião ... Fiel à sua missão tradicional, a França entende conduzir os povos...para a liberdade de se administrarem por si próprios.

 

A Constituição Francesa de 1946 constituiu, na sequência da Conferência de Brazzaville de Janeiro de 1944, uma União Francesa que transformou as antigas colónias em províncias ultramarinas. Os franceses reconhecem autonomia ao Laos (7 de Janeiro) e ao Cambodja (27 de Agosto), no seio da União Francesa, mas não cedem no Vietname a Ho Chi Min.

 

 

Europa Central e do Leste

Com efeito, o processo de satelitização dos territórios ocupados pelos soviéticos é crescente: proclama-se a República na Hungria, com Ferenc Nagy, do Partido dos Pequenos Proprietários, a tornar-se chefe do governo (1 de Fevereiro); dá-se a fusão do SPD e do Partido Comunista na zona alemã de ocupação soviética (22 de Abril); realizam-se eleições na Checoslováquia, com os comunistas a obterem 38% (26 de Maio)

A Frente da Pátria de Dimitrov ganha eleições na Bulgária (27 de Outubro). São assim criados governos de Frente Popular na Albânia, Bulgária, Roménia, Alemanha de Leste, Polónia, Hungria e Checoslováquia. O espaço dos satélites de Mosco ocupa um milhão de quilómetros quadrados e controla 90 milhões de não-russos.

 

Os Encontros Internacionais de Genebra

Os Encontros Internacionais de Genebra. Em 1946, o Espírito Europeu;1947, Progresso Técnico e Progresso Moral;1948, Debate sobre a Arte Contemporânea;1949, Para um Novo Humanismo;1950, os Direitos do Espírito e as Exigências Sociais;1951, O Conhecimento do Homem no Século XX; 1952, O Homem Perante a Ciência;1953, A Angústia do Tempo Presente e os Deveres do Espírito;1954, O Novo Mundo e a Europa;1955, Está a Cultura em perigo?;1956, Tradição e Inovação;1957, A Europa e o Mundo de Hoje;1958, O Homem e o Átomo; 1959, O Trabalho e o Homem;1960, a Fome;1961, As Condições da Felicidade;1962, A Vida e o tempo;1963, Diálogo ou Violência?;1964, Como Viver Amanhã?;1965, O "Robot", o Animal e o Homem.

Em Outubro de 1953, o Conselho da Europa reunia uma Mesa Redonda para onde convidava sete pensadores. Da Suíça, veio Denis de Rougemont; Alcide de Gasperi, Eelco van Kleffens, Eugen Kogon, Einar Lofstedt, Robert Schuman e Arnold Toynbee.

 

França

Em França, ainda sob um governo presidido por De Gaule, depois das eleições para a Assembleia Constituinte (22 de Outubro de 1945), onde os comunistas, com 5 milhões de eleitores, atingem os 20%, eis que o general apresenta a sua demissão (22 de Janeiro), discordando frontalmente do modelo parlamentarista que se desenhava numa assembleia dominada por uma maioria de comunistas e socialistas. Aliás, a constituição por estes proposta é rejeitada por referendo (7 de Maio), a que se seguem novas eleições (20 de Junho), donde emerge finalmente a Constituição (15 de Outubro), aprovada por referendo, dois dias antes. Seguem-se novas eleições parlamentares (10 de Novembro) e um governo de transição para efectivação da IV República, presidido por Léon Blum (17 de Dezembro).

Nas eleições os comunistas aumentam meio milhão de vontos, tantos quantos perde o MRP, enquanto os socialistas vêem desparecer um quinto do seu eleitorado, mantendo-se dois milhões e meios de votos nos radicais. Em 16 de Janeiro de 1947 já era eleito um novo presidente da república, o socialista Vincent Auriol e surge o governo de união nacional de Paul Ramadier.

Os comunistas têm então grande prestígio, reunindo personalidades como Fédéric Joliot-Curie, Paul Éluard, Pablo Picasso, Roger Garudy, Roger Vailland e Maurice Merleau-Ponty. Os socialistas da SFIO estão divididos, entre os os adeptos do socialismo humanista e liberal, como Léon Blum, e os que mantêm a linha marxista, como Guy Mollet, o qual será secretário-geral da organização durante os próximos vinte anos.

 

Vietname

É nesta turbulência genética que a França se lança na nacionalização do gás, da electricidade, do carvão e dos seguros e tem que enfrentar a crise da Indochina, onde se tinha instalado no norte do território, desde 1945, uma República Democrática do Vietname, sob a liderança de Ho Chi Minh, com o apoio dos chineses e dos norte-americanos.

Com o regresso das autoridades coloniais, os franceses tentam instalar uma federação nos quadros da União Francesa, juntando o Laos, o Cambodja,bem como duas zonas distintas do Vietname, a Cochinchina e Tonquim.

Em Hanói, há um comissário francês, Sainteny, que logo em 06 de Março de 1946, pretendendo lançar os vietnamitas contra os chineses, reconhece a república viet-minh, como um Estado independente, no quadro da Federação indochinesa, no seio da União Francesa. No sul, em Saigão, o alto-comissário, nomeado pouco depois, o almirante Thierry d’Argenlieu, em nome da estrita restauração da Indochina francesa, anterior a 1939, toma decisões próprias e proclama uma República Livre da Conchinchina.

Recorde-se que só em 18 de Março de 1946 é que começaram a chegar tropas francesas ao territórioantes de começarem as falhadas conversações de Fontainebleau entre as autoridades de Paris e Ho Chi Min, de 27 de Junho de 1946 a 26 de Novembro de 1946. Entretanto, desencadeia-se o conflito armado, com os franceses, a bombardearem Haiphong (22 de Novembro), como represália a ataques viet-minhs.

 

Espanha

Em Espanha, os efeitos da nova ordem internacional, levam à retirada da maior parte dos embaixadores ocidentais (11 de Dezembro) e ao encerramento das fronteiras com a França, facto que acaba por reforçar os poderes do regime, como o demonstra uma gigantesca manifestação a favor de Franco, em 9 de Dezembro, na Plaza de Oriente, onde o caudillo, perante cerca de meio milhão de pessoas proclama querer ser independente e administrar e defender a nossa vitória, como outros a sua paz. Tudo nasceu, em cumprimento das decisões da conferência de Potsdam, com uma declaração das três potências ocidentais (5 de Março), onde se exigia a retirada de Franco, a abolição da Falange e a constituição de um governo provisório, com amnistia e liberdade de associação, para a preparação de eleições gerais. O generalíssimo logo respondeu, dizendo que a nossa revolução são os braços abertos, não os punhos fechados. Seguiu-se a decisão da ONU, de Dezembro de 1945, onde se recomendava a retirada dos embaixadores, mas sem ruptura diplomática nem sanções económicas concretas, posição que teve a oposição de seis Estados hispano-americanos. Aliás, a Argentina logo nomeou um embaixador para Madrid e Péron, em 30 de Janeiro de 1947 já assinava com franco um convénio comercial que garantiu o abastecimento da Espanha, principalmente em bens alimentares.

 

Itália

Em Itália, vai institucionalizar-se o novo modelo de Estado, em 2 de Junho de 1946, data em que tanto se realiza o referendo quanto à forma de regime, como as eleições para uma Assembleia Constituinte. No tocante ao regime, depois do rei Vítor Emanuel III ter abdicado no filho, Humberto II (9 de Maio), os italianos optam pela república (12 072 000 votos, contra os monárquicos 10 719 284, mas quase massivos no sul. Já em termos eleitorais, a Democracia Cristã obtém 207 dos 555 mandatos em disputa, com 35,2%, a que se seguem o PSI (20,7%) e o PCI (19%), mas o governo mantém-se sob a liderança de De Gasperi, com a participação dos comunistas, num compromisso histórico muito especial, entre os apoiantes de Dom Camilo e os de Peppone

 

Suécia

Já na Suécia, sobe ao poder o social-democrata Tage Erlander, que vai ser chefe do governo de 1946 a1969, apenas menos uma década do que Salazar, com quem coincide na neutralidade e na procura de uma terceira via entre o capitalismo e o comunismo.

 

Reino Unido

O modelo trabalhista em Londres, depois de uma série de nacionalizações, com a do banco de Inglaterra, do carvão, da electricidade e dos transportes, cria um serviço nacional de saúde, marcando o ritmo do Welfare State keynesiano, depois do anterior Warfare State.

 

Grécia

Enquanto isto, na Grécia, depois de eleições legislativas (13 de Março) e de um referendo grego que aprova o regresso do rei Jorge II (1 de Setembro), é proclamada a lei marcial (17 de Setembro), que marca o início da guerra civil, com a rebeldia das forças comunistas, face à ordem constitucional democraticamente estabelecida. A Grécia tinha sofrido a invasão italiana (28 de Outubro de 1940), não sucedida, e a invasão nazi (Abril de 1941), surgindo dois grupos de resistência, o EDES, Exército Nacional Democrata Grego, monárquico e democrático, dirigido pelo general Zervas, e o ELAS, Exército Comunista Grego de Libertação, apoiado pela Jugoslávia, a Albânia e a Bulgária. Entretanto, em Outubro de 1944, tropas britânicas desembarcam no Pireu, evitando o domínio comunista e conseguem que Estaline ordene o cessar-fogo do ELAS em Fevereiro de 1945. A guerra civil, onde se destaca, do lado governamental o marechal Alexandro Papagos (1883-1955), que esteve prisioneiro dos alemães de 1943 a1945, vai estender-se de 1946 a Outubro de 1949, com os comunistas comandados por Markos, a receberem apoio da própria Jugoslávia, ainda com relações com Estaline.

 

Balcãs

Na Jugoslávia, dominada pelos comunistas de Tito, que executam, com a complacência dos britânicos, o coronel Mihailovitch (17 de Julho), o sérvio que chefiou a resistência chetnik.

Surge uma nova constituição (31 de Janeiro), que estabelece uma federação de seis repúblicas (Sérvia, Croácia, Eslovénia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Macedónia).

A reacção enérgica de Truman, impede que a Rússia estabeleça bases nos Dardanelos e obriga Estaline a retirar do Irão (6 de Maio). Isso não impede que os republicanos nas eleições midterm (5 de Novembro) obtenham a maioria no Congresso.

 

Médio Oriente

O Líbano acede à plena independência (24 de Dezembro), depois de ter acabado o mandato francês em 1 de Janeiro de 1944. Institui-se uma república parlamentar com repartição do poder entre as diversas comunidades, conforme um chamado pacto nacional, assinado em 1943.

Há cerca de 53% de cristãos Maronitas, a quem cabe a presidência da república, e 47% de muçulmanos, com 21% de sunitas ortodoxos, a quem cabe a chefia do governo, 20% de chiitas, a quem cabe a presidência do parlamento, e 6% de drusos, segundo dados dos anos 60., destacando-se a presidência de Camille Chamoun, de 1952 a1958. No entanto, os vários grupos étnicos vão gerando inúmeros partidos: os cristão dividem-se entre as Falanges, ou milícias de Kateb, fundadas em 1936 e lideradas por Pierre Gemayel, e o Partido Nacional Liberal, de Camille Chamoun, enquanto os muçulmanos vivem entricheirados entre o Partido Socialista Progressista do druso Kémal Jumblat, nasserista de esquerda, e o Partido Popular Sírio, de marca tão nacional-socialista que até adopta a suástica como símbolo.

Já na Palestina, há um conflito armado, com milícias judaicas e não reucsarem sequer actos de violência terrorista, como o corrido em 22 de Julho de 1946 quando foi pelos ares o King David Hotel de Jerusalém, com 60 mortos, principlamente britânicos.

Em 22 de Março de 1946 é constituído o Reino Hachemita da Transjordânia, depois de em 1928 os britânicos, ao separaram a Palestina, tere, entregado a Abdulah e as seus herdeiros o poder de legislar e de administrar o território, embora continuasse o protectorado, com os britânicos a controlarem a política externa e a comandarem as forças armadas.

 

Ásia

Surge a República das Filipinas (4 de Julho), como Estado independente e soberano, mas com 23 bases militares arrendadas aos Estados Unidos por um período de 99 anos.

Na China, há uma conferência para a reconciliação nacional (10 a 31 de Janeiro), mas a ruptura torna-se definitiva no fim do ano (18 de Outubro).

No Japão, as autoridades de ocupação norte-americana, lideradas por MacArthur fazem emitir uma nova Constituiição (3 de Novembro) que transforma o Império do Sol Nascente numa monarquia constitucional, mantendo o Imperador Hiro Hito, símbolo do Estado e da unidade do povo, mas sem lhe conceder direitos divinos.

Tailândia

Em Junho de 1946, sobe ao poder o rei Rama IX, depois do misterioso assassinato do irmão. Tem o apoio dos Estados Unidos, onde aliás nasceu. A influência de Washington cresce a partir de 1961 com forte presença de contingentes militares, face à guerra do Vietname.

 

Argentina

Na Argentina, com a legitimação popular, das eleições presidenciais de 24 de Fevereiro de 1946, o peronismo, onde se destaca a esposa do líder, Eva Duarte Perón (1919-1952), ensaia uma via anticapitalista e anti-americana, o chamado justicialismo que, apesar de ser inspirado em certo vitalismo fascista, recebe o apoio de certa esquerda sociológica, assumindo aquele terceirismo populista, dito nacional-revolucionário, que vai aproximar-se do que serão as experiências nasseristas, a partir de meados da década de 50. Assim, não é por acaso que o peronismo tanto é apoiado pelos sindicatos como pela extrema-direita, em nome dos descamisados, mas tem a oposição de liberais, conservadores e dos grandes proprietários fundiários.

Péron venceu o candidato da Unión Democrática, Tamborini, numa campanha, onde este utilizou o slogan pela liberdade, contra o nazi-fascismo. O primeiro respondeu com a alternativa Branden o Péron, invocando o nome do secretário norte-americano dos assuntos latino-americanos, e porque este tinha escrito um "livro azul", Péron respondeu editando o Libro Azul y Blanco, invocando as cores nacionais, acusando os adversários de serventuários da oligarquia e de pró-americanos. Não tardará que qualifique a sua posição de política internacional como de tercera posición, entre o comunismo soviético e o capitalismo ianque.

A procura da tal terceira via vai ser uma constante na segunda metade do século XX. O romantismo fascista que persiste vai dizer que não é da esquerda (comunista e pró-soviética) nem da direita (capitalista e pró-americana). A esquerda que se liberta da disciplina dos PCs, como a de Merleau-Ponty, procura também uma terceira via de humanismo socialista que se alcunha de novo liberalismo. Os descendentes da Primavera de Praga, como Ota Sik, proclamam, identicamnete, uma Terceira Via, para além do capitalismo e do comunismo. Não tardará que, a partir de Londres, com o new Labour de Tony Blair, em nome das teorias de Anthony Giddens, se procure dar esse nome à nova social-democracia do virar do milénio.

Contudo, na prática, o peronismo é outro. Recebe em Abril de 1946 uma missão comercial soviética e estabelece relações diplomáticas com Moscovo, mas em 2 de Agosto já declara que estaria sempre "no campo dos Estados Unidos", salientando que "o comunismo é um grande perigo que ameaça todas as democracias ocidentais". Reivindica em1948 as Falklands, no mesmo ano em que, a propósito do Bloqueio de Berlim, o seu ministro dos estrangeiros, Bramulguia, na ONU, ainda tenta servir de ponte entre o Leste e o Oeste, mas logo o substitui, em Agosto de 1949, por Jesus Paz, iniciando uma ampla ligação à Espanha de Franco.

 

 

Índia

Em 14 de Março de 1946 o governo trabalhista de Londres manifesta a intenção de conceder independência à Índia, mas o processo não avança face à divergência entre o Partido do Congresso, de maioria hindu, e a Liga Muçulmana.

Na Índia, as autoridades britânicas tentam manter a unidade do território, instalando um governo interino, sob a liderança de Nehru, mas surgem violentos conflitos com os muçulmanos e obrigando a uma modificação da estratégia, na etapa final da descolonização daquilo que havia sido a joóia da coroa.

 

Mind, Self and Society

Obra de George Herbert Mead onde se considera que a interacção humana tem, sobretudo, natureza simbólica, acentuando a importância da linguagem uma formação da consciência individual.

O modelo, dito interaccionismo simbólico, é marcado pela aplicação do pragmatismo à sociologia.

 

Janeiro
I’m sick of babyng the Soviets

As minas do Sarre passam a ser administradas pela França (3 de Janeiro)

EUA: Truman, em carta dirigida a James Francis Byrnes determina que não mais sejam reconhecidos regimes comunistas, porque i’m sick of babyng the Soviets (5 de Janeiro)

Primeira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Participam 51 Estados (10 de Janeiro).

Albânia transforma-se em república popular (10 de Janeiro). Só havia um único partido autorizado, a chamada Frente Democrática e, nesta base, havia sido eleita em 2 de Dezembro de 1945, uma assembleia constituinte.

Na China, consegue-se um cessar fogo entre os contendores (10 de Janeiro), surgindo, até ao dia 31, uma conferência para a reconciliação nacional

Acta final da conferência de Paris sobre as reparações de guerra da Alemanha; criada uma agência internacional de reparações, com sede em Bruxelas, que será presidida por Jacques Rueff (14 de Janeiro)

Abolição da monarquia na Hungria. Zoltan Tildy* acumula a chefia de Estado e do governo (17 de Janeiro

França: De Gaulle pede a demissão (22 de Janeiro)

Alemanha Oriental: Criado o Partido Socialista Unificado (SED) na zona alemã administrada pelos soviéticos (30 de Janeiro)

Nacionalizadas as empresas carboníferas no Reino Unido (30 de Janeiro)

 


I’m sick of babyng the Soviets

Truman, em carta dirigida a James Francis Byrnes (1879-1972), que foi Secretário de Estado de 1945 a1947, determina que não mais sejam reconhecidos regimes comunistas, porque I’m sick of babyng the Soviets (5 de Janeiro), com a consequente resposta de Estaline que, em discurso de 9 de Fevereiro de 1946, proclama que o comunismo e o capitalismo são incompatíveis.

 


Assembleia Geral da ONU

Dura de 10 de Janeiro até 14 de Fevereiro, sendo retomada em Outubro.

Portugal e outros Estados vão apresentar neste ano a respectiva candidatura, vetada pela URSS, que também rejeitou as do Eire e da Transjordânia, sob o pretexto de não manter com tais Estados relações diplomáticas.

 

Fevereiro
Os crimes contra a humanidade são imprescritíveis

Proclamação da República na Hungria; Ferenc Nagy do Partido dos Pequenos Proprietários, chefe do governo (1 de Fevereiro)

Toma posse o primeiro secretário-geral da ONU, o socialista norueguês Trygve Lie* (2 de Fevereiro). A proposta nasceu de um compromisso entre norte-americanos e soviéticos, depois de os primeiros proporem um canadiano e os segundos, um jugoslavo.

Estaline, em discurso de 9 de Fevereiro, proclama que o comunismo e o capitalismo são incompatíveis.

Assembleia geral da ONU declara que os crimes contra a humanidade são, por natureza, imprescritíveis (13 de Fevereiro)

Eleições na Bélgica. Crescimento eleitoral dos cristãos-sociais, dos socialistas e dos comunistas e recuo dos liberais e da extrema-direita (17 de Fevereiro)

Telegrama de George Kennan, então diplomata em Moscovo, a Truman, onde se propõe o sistema do que virá a ser a doutrina do containment (22 de Fevereiro)

Péron eleito presidente da Argentina (24 de Fevereiro)


 

 

O telegrama de Kennan

Em 22 de Fevereiro, George Kennan, num longo telegrama de 8000 palavras, endereçado a partir da embaixada norte-americana de Moscovo, faz o ponto da situação:

O poder soviético é produto de uma ideologia monolítica;

O comportamento russo deriva de um tradicional e instintivo sentido russo de insegurança;

O comunismo, como um parasita maligno, é o principal perigo para o mundo livre.

 

Março
A denúncia da cortina de ferro

Discurso de Churchill em Fulton fala numa cortina de ferro que se abateu sobre a Europa (6 de Março)

Paul-Henri Spaak forma na Bélgica governo de coligação entre socialistas e cristãos-sociais (12 de Março)

Britânicos reconhecem a independência da Transjordânia (22 de Março)

Eleições na Grécia levam ao poder os monárquicos pró-ocidentais (31 de Março). Será constituído um governo presidido por Tsaldaris. Os britânicos tinham ocupado Atenas em Outubro de 1944, instalando como regente o arcebispo de Atenas.

 

Cortina de Ferro

Expressão vulgarizada a partir do discurso de Winston Churchill, proferido em Fulton, em 6 de Março de 1946.

A mesma expressão já tinha sido utilizada nove meses antes pelo mesmo, em telegrama dirigido a Truman.

Até Goebbels já a referira, incidentalmente.

O baptismo da metáfora cabe a Ethel Snowden, em 1920, na obra Through Bolshevik Russia (era mulher do líder trabalhista Philip Snowden).

 

Abril
Morte do pai da ideia de nova ordem económica mundial

Na Bélgica, formado um governo de coligação entre socialistas e liberais, presidido por Van Acker (1 de Abril)

Primeiras eleições por sufrágio universal no Japão (10 de Abril)

Morte de John Maynard Keynes (21 de Abril). O insperador do modelo de Bretton Woods que vai governar o mundo e do esquema de Welfare State que vai egrir a Europa Ocidental

 

 

Maio
Comunistas em Praga e democratas-cristãos no Ocidente

Georges Bidault, em nome do governo francês, considera, numa conferência de imprensa, que a Renânia sempre fez parte do potencial de guerra da Alemanha e que não deve ficar sob o controlo desta (2 de Maio)

Abdicação do rei italiano Victor Emanuel II*; sucede-lhe Humberto II; continua o governo presidido por Alcide de Gasperi (9 de Maio).

Eleições legislativas nos Países Baixos: democratas-cristãos 33%; socialistas, 30% (17 de Maio)

Eleições para a assembleia constituinte na Checoslováquia; vitória dos comunistas, seguidos pelos socialistas populares (26 de Maio). Gottwald declara que a classe operária checoslovaca não tolerará a formação de um governo burguês

 

Junho
O fim da casa de Sabóia

Roménia: fuzilado em Bucareste o antigo líder fascista Ion Antonescu (1 de Junho)

Referendo em Itália; vitória da abolição da monarquia, com 12 milhões de votos, contra 10,5. Nas eleições legislativas, realizadas em conjunto, democratas-cristãos, 31,3%; socialistas 20,9% e comunistas, 19, 1%. Os comunistas italianos contam então com 2 280 000 aderentes. (2 de Junho)

Proclamada a república em Itália (13 de Junho)

 

Julho
Chetniks em fuzilamento e terrorismo judaico

EUA: ensaio atómico norte-americano no atol de Bikini, no Pacífico Sul (1 de Julho)

De Gasperi forma um novo governo em Itália (2 de Julho)

Governo de coligação entre socialistas e democratas-cristãos, presidido por Beel, nos Países Baixos (8 de Julho)

Queda do governo belga de Van Acker, por causa da questão da depuração (10 de Julho)

Jugoslávia:Tito condena à morte Draza Mihailovich, o chefe da guerrilha antinazi sérvia dos chetnik (15 de Julho)

A França destaca o Sarre da Renânia-Palatinado, anexando 79 comunas agrícolas (19 de Julho)

Intensifica-se a luta de guerrilha na Palestina, promovida por uma organização terrorista judaica. Explosão do Hotel Rei David em Jerusalém, onde estava o quartel general britânico (21 de Julho)

Alemanha Ocidental: EUA propõem um plano de unificação económica das zonas alemãs ocupadas (28 de Julho). Os franceses e soviéticos recusam, pelo que norte-americanos e britânicos criam a chamada Bizona, em 2 de Dezembro seguinte. Este espaço, no dia 1 de Agosto de 1948 se transforma em Trizona, com a integração dos franceses.

 

Agosto
O big brother jdanovista, federalistas e morte de Wells

Reforçada a cooperação entre os cinco países nórdicos que criam uma companhia de aviação conjunta (1 de Agosto)

Alemanha Ocidental: criada uma administração comum nas zonas alemãs administradas por britânicos e norte-americanos (10 de Agosto)

Morte de H. G. Wells, o autor da Guerra dos Mundos (13 de Agosto)

URSS: sob proposta de Jdanov*, o ideólogo puro do estalinismo, o Comité Central do PCUS decidiu sancionar as revistas de literatura e artes de Leninegrado Zvezda e Leningrad (15 de Agosto)

Europa: reunião de federalistas em Hertenstein (16 de Agosto)

Retoma-se a guerra civil na Grécia (17 de Agosto)

Índia: Nehru nomeado chefe do governo provisório (24 de Agosto)

 

Setembro
Entre os Estados Unidos da Europa e a guerra civil grega

O secretário de Estado norte-americano, J. Byrnes, num discurso proferido em Estugarda, apela a um rápida unificação alemã (6 de Setembro). Nesse discurso também declara que os Estados Unidos compreendem as reivindicações francesas sobre o Sarre.

Eleições municipais na Alemanha; 30% de votos para os democratas-cristãos; 25% para o SPD; 17% para o SED, apenas nas zonas sob administração soviética (15 de Setembro)

Fracassa mesa redonda de Londres, com judeus e árabes, visando um acordo para a partilha da Palestina (16 de Setembro)

Proclamação da independênca das ilhas Féroé (19 de Setembro)

Discurso de Churchill na Universidade de Zurique propõe uns Estados Unidos da Europa (19 de Setembro)

O rei da Grécia, Jorge II, regressa ao país, depois de um referendo de 1 de Setembro (27 de Setembro). Intensifica-se a guerra civil entre os comunistas do ELAS e os monárquicos pró-ocidentais do EDES. Os comunistas, comandados pelo general Makros têm apoio da Jugoslávia, da Bulgária e da Albânia

 

 

Outubro
Do triunfo dos porcos à realidade de Dimitrov

Publica-se Animal Farm de George Orwell (1 de Outubro)

Decisão do processo do tribunal de Nuremberga (1 de Outubro). Execução de criminosos de guerra na Alemanha (16 de Outubro). Eleições em Berlim; um Partido Socialista Independente obtém 48,6%, contra 23% dos democratas-cristãos e 20 % do SED (20 de Outubro)

Em Itália, uma revolta de operários ameaçados de despedimento cerca o palácio do governo (10 de Outubro)

Referendo francês aprova a constituição da IV República (13 de Outubro). Criada a União Francesa, com as colónias a passarem a territórios do Ultramar e territórios associados.

Ruptura das conversações entre nacionalistas e comunistas na China; EUA suspendem auxílio a Chiang (18 de Outubro)

Frente da Pátria de Dimitrov* ganha eleições na Bulgária (27 de Outubro)

Jugoslávia: arcebispo de Zagreb, Stepinac, é condenado a 16 anos de prisão pelo regime de Tito

 

 

 

 

 

Novembro
Guerras coloniais na Ásia

Reino Unido: vitória dos trabalhistas britânicos nas eleições municipais (1 de Novembro)

EUA: os republicanos nas eleições midterm (5 de Novembro) obtêm a maioria no Congresso.

Segunda reunião de federalistas em Hertenstein (6 de Novembro)

O governo britânico decide manter o serviço militar obrigatório (6 de Novembro)

Eleições parlamentares em França; comunistas, com 5,5 milhões de votos, obtêm 168 lugares (18,9%); segue-se o MRP, com 5 milhões de votos e 160 lugares, e os socialistas, com 93 lugares. Os comunistas têm cerca de 930 000 militantes (10 de Novembro)

Armistício na Indonésia (12 de Novembro). No dia 15, os Países Baixos reconhecem a independência.

Uma centena de deputados trabalhistas britânicos entra em rebelião, proclamando a necessidade de adopção de medidas estritamente socialistas (18 de Novembro)

Vietname: sangrentos confrontos em Hanói, com 6 000 mortos (23 de Novembro)

 

Dezembro
Oeste contra o Leste e guerras por procuração

Acordo entre britânicos e norte-americanos sobre a ocupação da Alemanha (2 de Dezembro)

ONU instala-se em Nova Iorque (5 de Dezembro)

Governo francês de Léon Blum, apenas integrado por socialistas (12 de Dezembro)

Intensifica-se a guerra na Indochina (20 de Dezembro), culminando um ano de enfrentamento entre o Leste e o Oeste, também expresso nos conflitos sobre a Grécia e o Azerbeijão.

França isola o Sarre do resto da Alemanha, pelo estabelecimento de uma linha aduaneira entre o território e a restante zona alemã administrada pelos franceses (22 de Dezembro)

 

 

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 23-04-2009