1962

Do fim da Guerra de Argélia ao concílio doVaticano II, com baptismo da informática

Cosmopolis

© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006

 

1962
Do fim da Guerra de Argélia ao concílio doVaticano II, com baptismo da informática

Acordo na CEE sobre política agrícola

Grécia, primeiro associado da CEE

Acordos de Evian são referendados em França

Atentado falhado da OAS contra de Gaulle

Conflito armado entre a China e a Índia

Crise dos mísseis de Cuba

Cuba é excluída da OEA

Kennedy lança a Aliança para o Progresso

John Glenn no espaço

Abertura do Concílio do Vaticano II

U Thant eleito secretário geral da ONU

McLuhan cunha a expressão aldeia global

Surge o termo informatique, inventado pelo francês Dreyfus

 

 

 

 

Se a União Política não for instituída, que ficará do Mercado Comum? (De Gaulle, em discurso)

Uma Europa integrada não deve, não pode ter a vontade de ser uma terceira força mundial (Spaak)

A Europa é um meio para a França tornar a ser o que era antes de Waterloo: a primeira no Mundo(De Gaulle, em privado)

John Kennedy

Direi, aqui e agora, neste dia da Independência, que os EUA estão prontos para uma declaração de interdependência, que estamos dispostos a discutir com uma Europa unida as vias e os meios de formar uma parceria (partnership) atlântica concreta - uma parceria mutuamente benéfica entre a nova união que emerge hoje na Europa e a velha União americana fundada há um século e três quartos

De Gaulle, em discurso

Para nos organizarmos politicamente, comecemos pelo começo. Organizemos a nossa cooperação. Reunamos periodicamente os nossos chefes de Estado ou de governo para que tomem a tal respeito decisões que serão as da Europa. Formemos uma Comissão política, uma Comissão de defesa e uma Comissão cultural, da mesma maneira como já temos uma Comissão económica em Bruxelas que estuda as questões comuns e que prepara as decisões dos seis governos.

Jean Monnet

A unidade económica e política da Europa, incluindo a Inglaterra, e o estabelecimento de relações de parceria, de igual a igual, entre a Europa e os Estados Unidos, permitiriam sozinhos consolidar o Ocidente e criar assim condições para uma paz entre o Ocidente e o Leste.

De Gaulle, em privado

O interesse egoísta da França é que a Alemanha continue dividida o mais tempo possível. Mas nisto não será eterno. Adenauer pensa-o, engana-se. O futuro vai desmenti-lo. A natureza das coisas será a mais forte. A Alemanha há-de reunificar-se As únicas realidades internacionais são as nações. A Rússia secará o comunismo como o mata borrão seca a tinta.

Crawford Brough MacPherson

O individualismo possessivo é uma concepção do indivíduo visto essencialmente como o proprietário da sua própria pessoa e capacidades, não pertencendo nenhuma delas à sociedade

 

Em Espanha, depois do casamento de Juan Carlos com a princesa Sofia da Grécia (Maio), há uma importante remodelação governamental (10 de Julho), com a criação do lugar de Vice-Presidente do Conselho, entregue ao general Muñoz Grandes e a entrada de Manuel Fraga Iribarne para a pasta da informação e do turismo, mas com o reforço dos elementos ligados ao Opus Dei, até porque em 09 de Fevereiro havia sido pedida a associação à CEE.

Contudo, há um grave incidente quando, para um congresso do Movimento Europeu em Munique (7 a 08 de Junho de 1862), são convidados elementos da oposição do interior, liderados por Gil Robles, e do exterior, liderados por Salvador Madariaga. Quando os participantes regressaram a Espanha foram convidados a um desterro nas Canárias ou ao exílio, só porque na reunião se defendeu a homogeneização do regime espanhol aos restantes modelos da Europa ocidental....

Norte de África

O rei de Marrocos promulga uma nova constituição que instaura uma "monarquia constitucional, livre e social" (18 de Novembro). Na Argélia, depois do referendo de 1 de Julho, é proclamada a independência dois dias depois, pelo governo provisório presidido por Ben Khedda, mas sem que Ben Bella o seguisse.

Com efeito, este, a partir de 3 de Agosto, apoiado pelo exército de liberatação nacional (ARA), comandado pelo coronel Houari Boumedienne (1925-1978), passou a controlar o poder, nomeadamente quando elaborou as listas de deputados para a Assembleia Constituinte que, em 3 de Fevereiro já o designa como Primeiro Ministro de um governo dominado pela FNL.

Em 8 de Setembro de 1963 já se estabelece um regime de partido único e, em 15 de Setembro de 1963, Ben Bella assume a presidência da República.

Com o fim da guerra da Argélia, chega ao fim, segundo Duroselle, o chamado "pós-guerra", quando também acedem à independência cerca de uma centena de novos Estados, surgindo aquilo que Georges Balandier e Alfred Sauvy tinham antes qualificado como Terceiro Mundo.

Contudo, os ventos da história não chegavam à África portuguesa, onde se consolidava o estado de guerra, mesmo com um leitor de Balandier e Sauvy na pasta do Ultramar, assumindo muito do estilo de Jacques Soustelle e de imagem kennedyana.

Médio Oriente

No Iémene do Norte, independente desde 1918 e admitido na ONU em1947, um golpe de Estado, de inspiração nasseriana, liderado por Abdulah Al-Salal, derruba o imã (27 de Setembro) e instaura a República Árabe do Iémene. Segue-se, até 31 de Agosto de 1967, um guerra civil, com enfrentamento entre grupos republicanos, apoiados por um corpo expedicionário egípcio, em nome a formal pertença do território à República Árabe Unida, e grupos monárquicos, subsidiados pela Arábia Saudita.

Com a retirada das tropas de Nasser, manteve-se a república, mas subiu ao poder o cadi Iriani, mantendo-se a guerra civil até Dezembro de 1970. Iriani apenas será derrubado em 13 de Junho de 1974.

Há um golpe de Estado militar frustrado na Turquia (23 de Fevereiro).

Subcontinente indiano

Há um conflito militar entre a China e a Índia (22 de Outubro)

Golpe militar e ditadura na Birmânia, com o general Ne Win (2 de Março). A Birmânia tinha sido dominada desde 1948 por U Nu, um budista que tinha imprimido um carácter neutralista à política externa do país.

Com o novo regime, que vai fazer sair o país do movimento dos não alinhados (1979), entra-se num autoritarismo anticomunista, a que não faltou a repressão genocida da minoria muçulmana de Arakan, em1979, que leva à movimentação de cerca de 10 000 refugiados para o Bangladesh.

África, que começa mal

Surgem outros novos Estados, como Burundi (1 de Julho), Samoa Ocidental, Uganda (9 de Outubro), Ruanda e Burundi (1 de Julho), Jamaica (6 de Agosto), Trindade e Tobago (31 de Agosto) e a Argélia (25 de Setembro). Mas, como denuncia René Dumont, África começa mal.

Outro Estado africano que acede à independência é o Uganda (9 de Outubro), com o rei do Buganda, Mutesa II, a assumir a presidência, e Milton Obote, na chefia do governo, até conseguir plenos poderes em1966.

A colónia, protectorado britânico desde 1894, era marcada pelo movimento de dois partidos independentistas formados em1950, o Kabaka Yekka, que pretendia manter a monarquia do rei do Buganda, e o Uganda’s People’s Congress de Milton Obote. Este em Fevereiro de 1966, depois de afastar o rei, torna-se chefe de Estado (15 de Abril de 1966).

O Ruanda-Urundi, integrado na África Oriental Alemã em 1890 e administrado pela Bélgica, a partir do Congo, desde 1916, separou-se em 1959, com o Ruanda e o Burundi a obterem autonomia em 18 de Outubro de 1960 e a plena independência em 1 de Julho.

O Ruanda, passa a ter a presidência de Grégoire Kayibanda, chefe do chamado movimento de libertação hutu (Pamehutu), criado em 1959, que havia derrubado a monarquia tutsi em Janeiro de 1961.

O Burundi, com 85% de hutus e 14% de tutsis, mantém a monarquia até ao golpe militar de Michel Nicombero de 29 de Novembro de 1966, instaurando-se um regime republicano liderado pelos tutsis.

América central

Continuam as mudanças de poder: na República Dominicana, o presidente Balaguer pede a demissão (16 de Janeiro) e a oposição ganha as eleições (20 de Dezembro), com Juan Bosch a assumir a presidência;

A Jamaica, colónia britânica que havia sido conquistada pelos ingleses em 1655 e que foi o principal mercado de escravos até 1833, passou a ter governo autónomo a partir de 1944 e viu os nacionalistas vencerem as eleições de 1955. O homem forte da independência vai ser Alexander Bustamante, líder do Partido Trabalhista, a principal força nacionalista.

Trindade e Tobago

República das Caraíbas. 5 128 km2 e 1. 262 000 habitantes. 40% de negros e 40% de hindus, trazidos estes no século XIX. Duas ilhas. Trinidad, a 12 km das costas da Venezuela, depois do domínio espanhol passou a possessão britânica em 1802. Tobago, holandesa desde 1632 e, depois, francesa, conquistada pelos britânicos em 1814.

Importantes jazigos de petróleo que começam a ser explorados nos anos vinte.

Autonomia interna desde 1950, ganhando as eleições Eric Williams, chefe do Movimento Nacional Popular, que se mantém no poder até à morte, em1981.

Independência em1962.

Descoberta de importantes jazigos de gás natural em1973.

América do Sul

Junta militar no Peru (18 de Julho), anula o resultado da eleição favorável a Victor Torre.

Destituição, por pressão militar, do presidente da Argentina, Arturo Frondizi (28 de Março).

Sueste asiático

Na Nova Guiné, na parte ocidental, ainda colónia holandesa, os indonésios que, desde sempre aspiraram à integração do território, desencadeiam acções militares até Outubro quando a Holanda entrega o mesmo à administração da ONU, que logo em 1 de Maio de 1963 o vai ceder à Indonésia.

A parte ocidental continuará sob a tutela da Austrália até1975.

Primitive Government

Lucy Mair assume‑se contra a distinção entre sociedades sem Estado e sociedades com Estado considerando que depois de um período de Governo Mínimo, marcado por uma autoridade fraca, com um número restrito de detentores do poder, e antes da chegada do Governo Estatal, teria existido uma fase intermédia, a do Governo Difuso, onde, o poder apesar de pertencer a todo o conjunto da população adulta do sexo masculino, é efectivamente assegurado por algumas instituições, por sua vez dominadas por certas pessoas. Salienta, neste sentido, que foram as relações de clientela e de dependência pessoal do feudalismo que constituiram o germe do Estado Moderno. Coonsidera também que não existe nenhuma sociedade em que as regras sejam efectivamente cumpridas.

Revolution (On),1962 Obra de Hannah Arendt, onde se compara a revolução norte-americana com a revolução francesa. Depois de uma introdução sobre Guerra e Revolução, a obra estende-se por seis caps. : O significado da Revolução, A Questão Social, A Procura da Felicidade, "Constitutio Libertatis", "Novus Ordo Saeculorum", A Tradição Revolucionária e o seu Tesouro Perdido. Se na revolução americana, enquanto revolução política, "o poder nascia quando e onde o povo se unia entre si e se ligava por meio de compromissos, pactos e garantias mútuas", na Revolução Francesa, enquanto revolução social, o poder é uma violência natural pré‑política, "uma força que, na sua própria violência, tinha sido libertada pela revolução e, tal como um ciclone, havia varrido todas as instituições do antigo regime". Do mesmo modo enquanto a Revolução Americana se baseia na reciprocidade e na mutualidade, nos compromissos mútuos que assenta em associações e organismos constituídos por meio de acordos, já a Revolução Francesa é marcada pela multidão cuja confiança veio de uma ideologia comum. Refere mesmo que a Revolução Americana é marcada por uma ideia de pactum unionis, contrariamente à Revolução Francesa, onde triunfou a ideia de pactum subjectionis. Se o primeiro é marcado pelos princípios republicano ‑ que considera que o poder reside no povo ‑ e federal ‑ existem alianças duradouras sem perda de identidade dos aliados ‑, já o segundo aceita os da autoridade absoluta e o nacional ‑um representante da nação é um representante do todo. Se o primeiro se assume como compromisso e reciprocidade, feito na presença uns dos outros, sendo uma fonte de poder para cada pessoa individual, já o segundo é consentimento e abdicação do poder individual, feito na presença de um qualquer Deus e onde o governo adquire o monopólio do poder.

(cfr. trad. port. de I. Morais, Sobre a Revolução, Lisboa, Moraes Editores,1971).

MacPherson, Crawford Brough (n. 1911) Professor canadiano. Teoriza o individualismo possessivo, definido como uma concepção do indivíduo visto essencialmente como o proprietário da sua própria pessoa e capacidades, não pertencendo nenhuma delas à sociedade. Este modelo de individualismo acirra o egoísmo, defende a propriedade, dizendo respeito ao primitivo capitalismo do laissez faire. Cria a chamada sociedade de mercado.

· The Political Theory of Possessive Individualism. Hobbes to Locke

Oxford, Oxford University Press,1962.

Militares e política S. Finer em The Man on Horseback, de 1962, relaciona os processos de intervenção militar com os tipos de cultura política. Numa cultura política madura, onde a legitimidade fundamental é inalcançável pelos militares, estes apenas têm intervenção política pela influência. Numa cultura política desenvolvida, onde a legitimidade é importante e resistente aos militares, estes apenas podem fazer chantagem. Numa cultura política baixa, onde a legitimidade, apesar de ter alguma importância, é apenas fluída, o nível característico da intervenção militar visa a substituição do governo de civis por um governo militar. Finalmente, na cultura política mínima, onde a legitimidade não tem importância, a intervenção militar visa substituir um regime civil por um regime militar.

 

Kuhn, Thomas Samuel (1922-1996) Filósofo da ciência norte-americano. Forma-se em fisica. Introduz o termo paradigma na análise do desenvolvimento histórico da ciência. Considera que toda a ciência obedece a um paradigma, a uma visão do mundo sancionada pela comunidade científica, o que requer inevitavelmente um acto de fé. Porque não há fundamentos racionais para a escolha entre os múltiplos paradigmas disponíveis, dado que muitos deles podem resolver uma série de problemas. Há, assim, uma ciência normal, quando se dá a aplicação estável de um paradigma. Salienta também que a ciência normal, que obedece a esse paradigma, quando as anomalias se acumulam, é derrubada por uma revolução científica, da qual surge um novo paradigma. O progresso científico dá-se quando surgem as tais anomalias, fenómenos que o paradigma não consegue explicar, pelo que se inicia uma revolução científica em busca de um novo paradigma, o qual, quando é adoptado pela comunidade científica, produz o progresso científico. Considera, portanto, que há uma descontinuidade no progresso científico, com longos períodos de normalidade, quando conduzidos inteiramente no interior de um paradigma dominante, a que se sucedem as perturbações ocasionadas pelas revoluções centíficas.

· The Copernican Revolution

1957.

· The Structure of Scientific Revolutions

Chicago, The University of Chicago Press,1962 [trad. fr. La Structure des Révolutions Scientifiques, Paris, Éditions Flammarion,1972].

Galaxy (The) Gutenberg", 1962 Obra do canadiano Marshall McLuhan, subtitulada The Making of Typographic Man. Considera que a mensagem, que o conteúdo, é o medium, o continente. A invenção do papiro provoca o aparecimento do império burocrático dos faraós do Egipto. A imprensa leva à difusão da reforma protestante no espaço alemão. A imprensa quotidiana popular promove a difusão do nacionalismo no século XIX. A televisão contribui para a não distinção entre o público e o privado. Assiste-se agora à passagem da galáxia Gutenberg para a galáxia Marconi. Em A Galáxia de Gutenberg, de 1962, consagra a expressão aldeia global. Considera que desde 1905 a galáxia eléctrica destruiu a galáxia de Gutenberg e o homem tipógrafo. Gera-se nova inquietude de tempos sem escrita, marcados pela comunicação oral. Uma intensa comunicação, onde a forma, o continente, tende a ser mais importante do que a matéria, o conteúdo. The Gutenberg Galaxy. The Making of Typographic Man,1962 [trad. fr. La Galaxie de Gutenberg, Paris, Éditions Mame,1965; trad. port. A Galáxia de Gutenberg, São Paulo, Companhia Editora Nacional,1977 Gutenberg…. [trad. fr. La Galaxie de Gutenberg, Paris, Éditions Mame,1965; trad. port. A Galáxia de Gutenberg, São Paulo, Companhia Editora Nacional,1977]

Buchanan, James McGill (n. 1919) Chefe de fila da chamada Public Choice School. Prémio Nobel da economia em1986. Marcado pelo individualismo metodológico e pelas teses de Schumpeter e Downs, considera o Estado, não como um corpo homogéneo, mas como uma multiplicidade de grupos concorrentes e divergentes, como uma organização humana onde são tomadas decisões por seres humanos sensíveis aos mais variados interesses particulares (v.g. pecuniários, profissionais, éticos,etc.). Recuperando Rousseau, defende a unanimidade do contrato social.

· The Calculus of Consent. Logical Foundations of Constitutional Democracy

Ann Arbor, University of Michigan Press,1962. Con Gordon Tullock.

Mensário1962

Janeiro
Trade expansion act e tecnocratas em Espanha

Fevereiro
John Glenn no espaço

Março
Acordos de Evian e golpe na Birmânia

Abril
Pompidou, Heath e Fouchet

Maio
Fundação da FRELIMO e êxodo dos pieds noirs

Junho
Oposição ao gaullismo assume bandeira europeísta

Julho
Entre a PAC e a Atlantic Partnership

Agosto
Prisão de Mandela, atentado contra de Gaulle e colectivização de terras em Cuba

Setembro
108 Estados na ONU e de Gaulle na RFA

Outubro
Entre a Amnistia Internacional e o Vaticano II

Novembro
Cessar fogo entre a Índia e a China

Dezembro
Acordos de Nassau e guerra na Guiné-Bissau

Janeiro (I)
Trade expansion act e tecnocratas em Espanha

Independência da Samoa Ocidental, o primeiro Estado polinésio a adquirir tal estatuto (1 de Janeiro).

Reunião do Conselho do Atlântico; declarado o reforço da Aliança e da Comunidade Atlântica (8 a 20 de Janeiro)

EUA: Kennedy apresenta um projecto de lei sobre a redução de taxas aduaneiras, o chamado Trade Expansion Act, que será votado favoravelmente pelo Congresso em Outubro (22 de Janeiro)

Cuba excluída da OEA (25 de Janeiro)

 

Giscard d'Éstaing, ministro das finanças em França (18 de Janeiro)

Criado em Espanha um comissariado do plano, presidido por Lopez Rodó (26de Janeiro)

Itália: Congresso de Nápoles da DCI inicia abertura à esquerda (Janeiro)

Janeiro II
Europa

Passagem à segunda etapa do Tratado de Roma: quarta redução tarifária de 10% sobre os produtos industriais e sobre os produtos agrícolas; supressão dos contingentes sobre os produtos industriais; quarto alargamenti contingentário para os produtos agrícolas não incluídos numa organização comum de marcado; primeira aproximação a uma taxa aduaneira comum das taxas nacionais incidentes sobre produtos agrícolas (1 de Janeiro)

Retomadas as negociações da maratona agrícola, suspensas a 31 de Dezembro (4 de Janeiro)

Pierre Chatenet sucede a Étienne Hirsch na presidência da comissão da CEEA (10 de Janeiro)

Tomada de posse da nova Comissão da Comunidade Económica Europeia, presidida por Walter Hallstein. Pierre Chatenet é nomeado Presidente da Comissão da Euratom (10 de Janeiro).

Paul-Henri Spaak declara que a Europa de amanhã deve ser um Estado supranacional (10 de Janeiro)

Os Seis decidem unificar os mercados agrícolas e instituir uma política comum no sector depois de uma maratona negocial: adoptados os primeiros regulamentos agrícolas e decidida a criação do FEOGA; aplicação das regras da concorrência aos produtos agrícolas; critérios para a determinação dos preços mínimos; os textos serão oficialmente adoptados em 4 de Abril; as decisões retroagem a 1 de Janeiro (14 de Janeiro). São pelo Conselho dos primeiros regulamentos relativos à política agrícola comum (PAC), instituída com a finalidade de estabelecer um mercado único dos produtos agrícolas e de promover a solidariedade financeira através do Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícola (FEOGA).(14 de Janeiro)

A França apresenta uma segunda versão do Plano Fouchet que é rejeitada pelos parceiros comunitários (18 de Janeiro)

 

 

 

Fevereiro
John Glenn no espaço

Manifestação da esquerda contra a OAS em Paris (8 de Fevereiro)

Primeiro voo orbitral de John Glenn (20 de Fevereiro)

Gabinete de coligação em Itália entre democratas-cristãos, socialistas e republicanos (21 de Fevereiro)

Bombardeamento do palácio presidencial em Saigão (27 de Fevereiro)

Contra-propostas dos parceiros comunitários ao Plano Fouchet II (1 de Fevereiro)

Fevereiro 5-6 Adopção pelo Conselho do regulamento interno do Fundo Social Europeu (FSE).

Espanha pede oficialmente a abertura de negociações com o Mercado Comum, para um acordo de associação (9 de Fevereiro)

Encontro entre de Gaulle e Adenauer em Baden-Baden, conclui sobre a necessidade de aceleração da organização da união política da Europa (15 de Fevereiro)

Março
Acordos de Evian e golpe na Birmânia

Golpe de Estado na Birmânia instala no poder o general Ne Win (2 de Março)

França: Assinados os acordos de Evian entre De Gaulle e a FPLN; reconhecimento da independência argelina; os acordos serão reconhecidos por referendo de 8 de Abril, em França, e 1 de Julho, na Argélia (18 Março). Neste intervalo, a OAS lança-se num desespero terrorista, mas cerca de 800 000 dos 1 100 000 colonos abandona o território.

Argentina: Peronistas obtêm 35 % na Argentina (18 de Março). Deposto o radical Frondizi por um golpe militar levado a cabo pelo general Poggi (28 de Março)

Vietname do Sul: começam as hostilidades entre o governo e o Vietcong (22 de Março)

Golpe de Estado na Síria (29 de Março)

Gaetano Martino eleito para a presidência da Assembleia Parlamentar Europeia (27 de Março)

Assembleia Parlamentar Europeia decide passar a designar-se Parlamento Europeu (30 de Março)

Abril
Pompidou, Heath e Fouchet

Referendo em França aprova os Acordos de Evian (8 de Abril). Georges Pompidou, Primeiro Ministro francês, substitui Michel Debré (14 Abril)

Conselho aprova regulamentos e decisões que permitem efectivar a política agrícola comum (2-4 de Abril)

Edward Heath, ministro britânico responsável pelas negociações com os seis, declara em Londres, numa reunião da UEO; que a Grã-Bretanha está disposta a participar plenamente no Mercado Comum, tanto no plano económico como no plano político; pede oficialmente que o Reino União seja convidado a participar nas negociações sobre a união política (10 de Abril)

Numa reunião de ministros dos estrangeiros dos seis, rejeitado o Plano Fouchet proposto pela França; a Bélgica e os Países Baixos fizeram depender o estabelecimento da união política da adesão britânica, bloqueando os trabalhos da comissão Fouchet; no dia 19, Paul-Henri Spaak, numa entrevista a Le Soir declara que é um erro dizer que a Bélgica e os Países Baixos impediram a assinatura do tratado, não tendo os Seis ainda chegado a acordo sobre o respectivo conteúdo (17 de Abril)

Noruega pede adesão à CEE (30 Abril)

Maio
Fundação da FRELIMO e êxodo dos
pieds noirs

Moçambique: Fundada a FRELIMO, por Eduardo Mondlane* (Maio)

Conflitos sino-soviéticos no Sinquião (Abril e Maio)

Greves em Espanha (Abril e Maio). Casamento do príncipe Juan Carlos com a princesa Sofia da Grécia (14 de Maio)

Egipto: Nasser defende um socialismo árabe (21 de Maio)

Começa o êxodo dos argelinos franceses, ditos pieds noirs para a metrópole. No dia 2 ainda há uma grave explosão no porto de Argel, com 62 mortos e 110 feridos

O francês Émile Roche eleito presidente do Comité Económico e Social (4 de Maio)

Ministros do MRP, entre os quais Pierre Pflimlin e Maurice Schuman, abandonam o governo francês, em desacordo com a política europeia do General De Gaulle que, numa conferência de imprensa, defende uma Europa dos Estados, não pode haver outra Europa senão a dos Estados, criticando a integração europeia como quelque espérante ou volapuk integré (15 de Maio)

Carta de Oliveira Salazar ao presidente do Conselho de Ministros da CEE solicita a abertura de negociações com a Comunidade; a resposta favorável será dada em 19 de Dezembro (18 de Maio)

Junho
Oposição ao gaullismo assume bandeira europeísta

Debate na Assembleia Nacional francesa sobre política externa; surge uma oposição europeia, reunindo 296 deputados (13 de Junho)

Brasil revalida o título de campeão mundial de futebol, no Chile

Julho
Entre a PAC e a Atlantic Partnership

Independência do Ruanda e do Burundi (1 de Julho)

Referendo na Argélia aprova os acordos de Evian (1 de Julho). 800 000 colonos tinham, entretanto, abandonado o país. França reconhece a independência da Argélia (3 Julho)

Adenauer visita oficialmente a França (2 a 8 de Julho)

Lançado o satélite de comunicações Telstar 1 (10 de Julho)

Remodelação do governo em Espanha; Lopez Bravo, Ministro da Indústria; Fraga Iribarne*, Ministro do Turismo e da Informação; Munoz Grande, Vice-Presidente do governo (10 de Julho)

Golpe de Estado no Peru (18 de Julho)

Partidos comunista e justicialista são proibidos na Argentina (24 de Julho)

Quinta redução dos direitos alfandegários intracomunitários: 10% sobre os produtos industriais e 5% sobre os produtos agrícolas liberalizados (1 de Julho)

Discurso de Kennedy em Filadelfia propõe uma Atlantic Partnership entre os EUA e a Europa unida (4 de Julho). O projecto terá sido inspirado por Jean Monnet. Haveria nas duas margens do Atlântico dois pilares sólidos, embora fosse pressuposto que Washington conservasse o monopólio da força nuclear, dentro do esquema da "resposta graduada" da doutrina de defesa de McNamara. O processo seria reforçado com o projecto de Trade Expansion Act. De Gaulle irá destruir essa boa intenção do inspirador e este atlantismo kennedyano iria soçobrar.

Entra em vigor a política agrícola comum da CEE: regulamentos sobre a organização comum de mercado para os cereais, a carne de porco, frutas e legumes, aves de capoeira, ovos e vinho (30 de Julho)

Assinada em Genebra a acta final do Dillon Round (16 de Julho)

Agosto
Prisão de Mandela, atentado contra de
Gaulle e colectivização de terras em Cuba

Independência da Jamaica (1 de Agosto)

Prisão de Nelson Mandela na África do Sul (1 de Agosto)

Suicídio de Marylin Monroe (5 de Agosto)

Colectivização total das terras agrícolas em Cuba (18 de Agosto)

França: Atentado falhado da OAS contra de Gaulle em Petit-Clamart (22 de Agosto)

Grécia torna-se no primeiro Estado Associado da CEE (24 de Agosto)

Setembro
108 Estados na ONU e de
Gaulle na RFA

Trindade e Tobago tornam-se independentes (1 de Setembro)

Abertura da 17ª Assembleia Geral da ONU, com 108 Estados (18 de Setembro)

Proclamação da República Democrática e Popular da Argélia (25 de Setembro). Admitida na ONU no dia 8 de Outubro seguinte.

Proclamação da República do Iémene do Norte e começo da guerra civil (26 de Setembro)

Entra em vigor primeiro regulamento sobre a livre circulação de trabalhadores na CEE (1 de Setembro)

De Gaulle faz uma visita quase triunfal à RFA; num discurso perante oficiais alemães, proclama ontem, tínhamos o dever de ser inimigos, hoje temos o direito de ser irmãos (4 a 12 de Setembro)

Outubro
Entre a Amnistia Internacional e o Vaticano II

Peter Benenson, advogado britânico, e Sean Mac Bride, antigo ministro dos estrangeiros do Eire, fundam a Amnistia Internacional, com manifesto publicado no Observer em favor dos presos por opinião esquecidos (1 de Outubro)

França: demissão do governo Pompidou que dias antes tinha aprovado submeter a referendo a eleição do presidente da República por sufrágio universal e que levou a AN a votar uma moção de censura (6 de Outubro). Dissolução da Assembleia Nacional (10 de Outubro). Referendo francês aprova a eleição do Presidente da República por sufrágio directo e universal, por 62,25% (28 de Outubro)

Independência do Uganda (9 de Outubro)

Abertura do Concílio do Vaticano II (11 de Outubro)

Enfrentamentos violentos entre flamengos e valões em Bruxelas por causa da questão linguística (14 de Outubro)

Tropas da China penetram no Himalaia indiano (20 de Outubro a 21 de Novembro)

Crise dos mísseis de Cuba *(22 a 28 de Outubro)

URSS faz explodir bomba termonuclear de cinquenta megatoneladas (Outubro)

Conselho adopta a primeira directiva sobre géneros alimentícios, sobre corantes (13 de Outubro)

Adopção pelo Conselho da primeira directiva relativa à regulamentação geral em matéria de géneros alimentícios na CEE, que define os corantes que podem ser utilizados nos géneros alimentícios.Grécia torna-se o primeiro Estado Associado à CEE, pela entrada em vigor do acordo de associação (24 de Outubro)

Assinado o Trade Expansion Act norte-americano (11 de Outubro)

Novembro
Cessar fogo entre a Índia e a China

Cessar-fogo entre a Índia e a China (21 de Novembro)

U Thant* eleito secretário geral permanente da ONU (29 de Novembro)

Acordo franco-britânico para a construção do Concorde (29 de Novembro)

A Etiópia anexa a Eritreia, começando guerra na região

Entrada em vigor do acordo de associação entre a Grécia e a Comunidade (1 de Novembro).

Eleições legislativas em França; vitória da UNR, aliada aos republicanos independentes de Giscard, com 233 deputados (18-25 de Novembro)

Caso Spiegel na RFA leva à demissão de Strauss (30 de Novembro)

Dezembro
Acordos de Nassau e guerra na Guiné-Bissau

França: novo governo Pompidou (7 de Dezembro)

Primeira infiltração do PAIGC na Guiné (Dezembro)

Acordo sovietico-americano sobre a exploração pacífica do espaço (5 de Dezembro)

Resolução da ONU relativa à soberania permanente sobre os recursos naturais (14 de Dezembro)

Quatro anos de Mercado Comum: PNB de 21,5% contra 18% dos USA; produção industrial aumenta 37% contra 28% dos USA; comércio entre os seis aumenta 100%; a exportação dos seis para o resto do mundo aumenta 38% e as importações 30% (31 de Dezembro)

Acordos de Nassau nas Bahamas; Kennedy obtém de MacMillan a adopção dos mísseis norte-americanos Polaris; falha o plano de De Gaulle para a criação de uma espécie de directório franco-britânico (21 de Dezembro). Os britânicos tinham encomendado aos norte-americanos mísseis próprios, os Skybolt. A opção de Nassau foi diluir a pequena força estratégica de Londres no gigantismo norte-americano, sob a égide da NATO. Washington pretendia que os franceses tomassem a postura britânica. De Gaulle vai responder vetando a adesão de Londres à CEE, já em 14 de Janeiro de 1963.

 

 

©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

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